Meu protetor

1176 Palavras
As semanas passaram… Mas nada ficou mais simples. Pelo contrário. Tudo parecia mais tenso. Mais carregado. Mais perigoso. E Bianca… continuava presa naquele conflito silencioso. Entre o que sentia. E o que sabia que não podia viver. --- Naquela noite… A cidade já estava escura. Quase vazia. Bianca saiu da casa da amiga tarde demais. Já passava das 2 da manhã. O vento frio cortava a rua silenciosa enquanto ela caminhava rápido, os braços apertando a mochila contra o corpo. — Eu devia ter saído antes… — murmurou, olhando ao redor, desconfiada. A rua estava estranhamente vazia. E isso… não era bom sinal. O coração dela começou a acelerar. Passos. Ela ouviu. Atrás dela. Bianca parou por um segundo. O som cessou. Mas quando ela voltou a andar… Os passos voltaram. Mais perto. Mais pesados. Mais próximos. O estômago dela revirou. Ela apertou o passo. O coração disparado. — Não olha pra trás… não olha… — sussurrou para si mesma. Mas já era tarde. Uma voz veio atrás dela. — Tá fazendo o quê por aqui essa hora, gostosa? Bianca congelou. O corpo inteiro travou por um segundo. Mas ela não respondeu. Continuou andando. Mais rápido. Tentando ignorar. Tentando fugir. Mas os passos também aumentaram. Até que… — Ei! — o homem puxou o braço dela com força. Bianca se assustou. — Me solta! — disse, tentando se afastar. O homem segurou mais forte. — Calma… só quero conversar… O tom já não era mais de brincadeira. Bianca sentiu o medo subir pelo corpo inteiro. — Socorro! — ela gritou, tentando se soltar. — Alguém! Socorro! O homem reagiu rápido, tentando tapar a boca dela. — Cala a boca! — rosnou, tentando arrastá-la. Bianca lutou. Com força. Desespero. — Me solta! — ela tentou gritar, se debatendo. O mundo ao redor parecia desaparecer. O medo tomou conta. Até que— O barulho de algo pesado ecoou. Passos firmes. Rápidos. Determinados. — Tira a mão dela. A voz veio. Baixa. Fria. Perigosa. O homem parou. Bianca abriu os olhos, desesperada… E viu. Rafael. Parado ali. Olhar escuro. Postura rígida. Presença esmagadora. O ar mudou na mesma hora. — Tá mexendo com o quê, o****o? — Rafael disse, caminhando devagar na direção deles. O homem tentou se manter firme. — Ela não é tua… Mas não terminou. Rafael já estava perto. Rápido. Sem aviso. Sem hesitação. E, num movimento seco, ele segurou o homem pelo colarinho, o puxando com força. — Última chance — disse, a voz baixa, perigosa. — Solta ela. O homem travou. Bianca ainda estava ali. Tremendo. Respirando rápido. Rafael não tirava os olhos do agressor. Mas sua mão… foi direto até Bianca. Com cuidado. Com contraste absurdo. Ele puxou ela para perto, protegendo-a atrás do corpo dele. — Vai embora — Rafael falou, agora com uma calma assustadora. O homem hesitou. Olhou para ele. E entendeu. Aquilo não era alguém qualquer. Aquilo era o dono do lugar. E ele sabia. Que não sairia dali inteiro se continuasse. Sem dizer mais nada… O homem recuou. E desapareceu na escuridão. --- O silêncio voltou. Mas agora… Com Bianca tremendo atrás de Rafael. Ela m*l conseguia respirar. Rafael virou lentamente o corpo, olhando para ela. Os olhos dele… ainda estavam duros. Perigosos. Mas ao mesmo tempo… Com algo diferente. — Você tá bem? — ele perguntou, a voz mais baixa agora. Bianca assentiu, mas sem força. As mãos dela ainda tremiam. — Eu… eu achei que… Ela não conseguiu terminar. Rafael passou a mão pelo rosto, respirando fundo. — Você não devia tá aqui essa hora — disse, firme, mas com algo… quase protetor. Bianca olhou pra ele. Ainda assustada. Ainda vulnerável. E, por um segundo… Ela não viu o homem perigoso. Viu o homem que salvou ela. O homem que, mesmo sendo o perigo… Tinha sido a única proteção dela naquele momento. Rafael observou Bianca em silêncio. E pela primeira vez… Ele percebeu algo diferente dentro de si. Raiva. Proteção. Instinto. E algo mais. Algo que ele não queria nomear. Mas que já estava lá. — Vem — ele disse, estendendo a mão. Bianca olhou para a mão dele. Depois para o rosto. E, mesmo com medo… Ela aceitou. Porque naquele momento… Rafael não era o perigo. Ele era a única saída. E isso… mudava tudo. O caminho até a casa de Bianca foi feito em silêncio. O som dos passos ecoava pelas ruas vazias, cortado apenas pelo vento e pela tensão que ainda pairava entre os dois. Bianca caminhava ao lado de Rafael, mas sem ousar se afastar. Ainda sentia o coração acelerado. Ainda sentia o corpo reagindo ao que tinha acontecido. E, de certa forma… Ainda sentia a presença dele como proteção. Rafael seguia ao lado dela, atento a cada movimento ao redor. Olhar firme. Postura rígida. Sempre alerta. Nada passava despercebido. Quando finalmente chegaram na frente da casa dela, Bianca soltou o ar que nem percebeu que segurava. Ela virou para ele, ainda levemente abalada. — Obrigada, Rafael… — disse, a voz mais baixa, sincera. Rafael a observou por alguns segundos. O olhar dele suavizou levemente. Mas a postura continuava firme. — Você tem que se cuidar melhor — disse, direto, a voz grave. — É perigoso você sozinha essa hora na rua. Bianca assentiu rapidamente. — Eu sei… eu sei… — respondeu, respirando fundo. — Obrigada de verdade. Por um segundo… Nenhum dos dois falou nada. O silêncio ali não era desconfortável. Era carregado. Diferente. Bianca deu um pequeno passo à frente. E, sem pensar muito… Ela o abraçou. Um abraço forte. Quente. Apertado. Rafael ficou imóvel por um instante. Surpreso. Mas não a afastou. Sentiu. O coração dela ainda acelerado. O corpo ainda tenso. E, mesmo sendo algo simples… Aquilo mexeu com ele de um jeito que não deveria. Rafael levou uma das mãos até as costas dela, retribuindo o abraço. Firme. Mas… cuidadoso. Bianca respirou fundo, se permitindo ficar ali por alguns segundos. Segundos de segurança. De alívio. De… algo que ela não sabia explicar. Quando se afastou, ela olhou para ele. E, num gesto impulsivo… Beijou o rosto dele. Rápido. Sincero. Um gesto de gratidão. Rafael fechou os olhos por um segundo. Sentindo o toque. O contato. O efeito. Bianca sorriu de leve, nervosa, e rapidamente abriu a porta de casa. — Boa noite… — disse, antes de entrar. E então… Desapareceu dentro da casa. --- Rafael ficou parado ali. Sozinho. No silêncio da rua. Passou a mão pelo rosto lentamente. Aquele beijo… Simples. Mas suficiente. Suficiente para bagunçar ainda mais tudo dentro dele. Ele respirou fundo. — Isso vai dar problema… — murmurou para si mesmo. Mas não saiu dali imediatamente. Ficou olhando para a casa dela. Como se estivesse garantindo… Que ela estava segura. E, ao mesmo tempo… Como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo com ele. Porque agora… Não era mais só desejo. Não era mais só curiosidade. Era algo maior. Mais profundo. Mais perigoso. E ele sabia… Que, uma hora ou outra… Isso ia explodir. E quando explodisse… Nada mais seria como antes.
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