Os dias passaram…
Mas nada voltou ao normal.
Bianca tentava se convencer de que tudo aquilo havia sido apenas um erro — um momento, uma fraqueza, algo que deveria ser esquecido. Mas, por mais que tentasse, era impossível apagar o que sentiu.
O toque de Rafael.
A forma como o corpo dela reagiu.
O calor.
A proximidade.
Ela fechou o caderno, suspirando.
— Foco… você precisa focar… — murmurou, apoiando a testa na mesa.
Mas a mente… não obedecia.
Porque, toda vez que ela fechava os olhos…
Ele aparecia.
Na mesma cidade…
Rafael estava em pé na varanda, encarando o movimento lá embaixo.
Mas não via nada.
A mente dele estava em outro lugar.
— Chefe… — um dos homens chamou, se aproximando.
Rafael nem se virou.
— Fala.
— A movimentação aumentou no outro lado. Pode ter alguém tentando entrar na área.
Ele assentiu lentamente.
Mas não respondeu de imediato.
Estava distante.
— Chefe? — o homem insistiu.
Rafael respirou fundo, finalmente se movendo.
— Resolve.
Simples.
Direto.
Mas, por dentro…
Nada estava simples.
Porque, pela primeira vez…
Algo estava tirando seu foco.
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Bianca caminhava pela faculdade, tentando parecer normal.
Mas por dentro…
Estava tudo bagunçado.
Ela evitava lugares, olhares, até conversas mais profundas.
Porque sabia.
Se pensasse demais…
Voltaria para ele.
— Bianca! — uma amiga chamou.
Ela parou, forçando um sorriso.
— Oi…
— Você sumiu esses dias… tá tudo bem?
Bianca hesitou.
— Tá… só muita coisa pra estudar.
Mentira.
E ela sabia.
A amiga a observou por alguns segundos.
— Você tá diferente… — comentou, com cuidado.
Bianca desviou o olhar.
— Não é nada…
Mas era.
E muito.
À noite…
O caminho de volta parecia mais longo do que o normal.
Bianca caminhava rápido, os passos apressados, o coração levemente acelerado.
Ela olhava para os lados com mais atenção.
Qualquer sombra… qualquer movimento… parecia suspeito.
Até que…
Ela parou.
Seu corpo reagiu antes mesmo da mente entender.
Ele estava ali.
Rafael.
Encostado no mesmo lugar de antes.
Esperando.
Bianca sentiu o estômago revirar.
— Você de novo… — disse, tentando manter a voz firme.
Rafael saiu da sombra lentamente.
— Eu disse que a gente não tinha acabado.
Bianca deu um passo para trás.
— Você não pode ficar aparecendo assim.
Ele se aproximou.
Devagar.
Controlado.
— E você não pode fingir que não sente nada — respondeu.
Ela respirou fundo, o olhar vacilando por um segundo.
— Eu não sinto nada.
Mas a resposta saiu mais fraca do que ela gostaria.
Rafael percebeu.
E aquilo… o atraiu ainda mais.
Ele parou bem na frente dela.
A distância entre os dois voltou a desaparecer.
— Olha pra mim — ele disse.
Bianca hesitou.
Mas olhou.
E foi como se tudo voltasse.
O toque.
A proximidade.
O calor.
O corpo dela reagiu imediatamente.
E ele percebeu.
Rafael levantou a mão novamente, devagar.
Dessa vez…
Não perguntou.
Apenas tocou.
O mesmo lugar.
O mesmo gesto.
Mas agora…
Mais intenso.
Bianca fechou os olhos por um segundo, lutando contra a própria reação.
— Não faz isso… — ela sussurrou, com a voz fraca.
Mas o corpo…
Não resistia.
Rafael ficou ainda mais próximo.
— Você tá fugindo de mim… mas seu corpo não tá — disse, baixo.
Ela abriu os olhos, nervosa.
— Isso não pode acontecer… — insistiu.
Mas não se afastou.
E isso… dizia tudo.
Rafael inclinou levemente o rosto.
— Pode tentar fugir o quanto quiser… — murmurou — você já não me esqueceu.
Bianca engoliu em seco.
Porque era verdade.
Ela não tinha esquecido.
Nem o toque.
Nem o olhar.
Nem ele.
E o pior de tudo…
Ela nem sabia se queria.
Rafael retirou a mão lentamente, mas continuou observando.
— Você não devia voltar aqui… — ela disse, dando um passo para trás, tentando recuperar o controle.
Mas a voz não tinha mais tanta firmeza.
— E você devia parar de vir pra esse lugar — ele respondeu.
Ela respirou fundo.
— Eu tenho uma vida lá fora.
Rafael deu um leve sorriso.
— E eu também.
Silêncio.
Tensão.
Conflito.
Tudo junto.
Bianca apertou a alça da mochila.
— Então mantém distância… — disse, tentando se proteger.
Rafael a observou por alguns segundos.
E então respondeu:
— Não vai funcionar.
O coração dela acelerou.
Porque, no fundo…
Ela já sabia disso.
E naquele instante…
Mesmo tentando fugir…
Bianca entendeu uma coisa.
Ela não estava apenas sendo observada.
Ela estava sendo escolhida.
E isso…
Era só o começo de algo que ela não conseguiria mais controlar.