Fantasma narrando Assim que cheguei no posto com o Cabeça, eu já desci da moto gritando que nem maluco. A adrenalina tava tão alta que eu nem senti minhas pernas direito. Só lembro de ver duas enfermeiras e um médico correndo com uma maca, o som da porta batendo, o cheiro forte de álcool e remédio me entrando pelas narinas. — Aqui! Aqui! Ele tá perdendo muito sangue! — gritei. Eles pegaram o Cabeça da minha mão, colocaram na maca e já foram cortando a camisa dele no meio do corredor. A médica olhou pra mim enquanto empurravam a maca lá pra dentro. — Patrão, eu preciso que o senhor fique aqui. Deixa a gente fazer o nosso trabalho, tá bom? Vamos fazer tudo que for possível pra salvar ele. Assenti. Não tinha nem voz pra responder. Só balancei a cabeça e fiquei ali, parado, sentindo a al

