VICENT NAVARRO: Eu devia esperar. Três dias. Era só isso. Mas quem eu queria enganar? Desde o momento que ela atendeu minha ligação com aquela voz tensa, abafada, eu soube. Eu não ia conseguir esperar nem mais três horas. O desgraçado tinha colocado outro caso na mão dela. E ela... ela tentando se manter firme, se fingindo de neutra. Dando o melhor lado profissional dela, mesmo com ele plantando armadilhas sob os pés. Eu ouvia tudo. Tinha ficado na linha como pedi. E então escutei a porta abrir, seus passos voltando, a voz dele se aproximando... e vomitando aquele teatrinho nojento de homem prestativo. Deveria desligar. Confiar nela. Mas não consigo confiar é nele! O som abafado do carro preenche meus ouvidos. Porta fechando. Cinto afivelado. Motor ligado. E então a voz dela

