Como ela está gostosa!

2183 Palavras
OTÁVIO Não é porque eu gosto de uma festa, de uma bagunça que não faço nada além disso. Eu tenho a minha empresa. Na verdade, não é bem... Uma empresa. É alguma coisa que me dá dinheiro. Eu digo que é empresa porque eu tenho CNPJ. Chamam de Holding. Eu invisto nas empresas dos outros. Há um tempo atrás eu até tinha um negócio meu, mas vi que investir em outras coisas é melhor para mim. Não gosto de trabalhar rodeado de gente e também é responsabilidade demais. Eu aluguei uma sala em um prédio comercial depois que me mudei para o outro lado da cidade. Não é que eu esteja escondido, é só que eu disse o que tinha que falar, me afastei e a minha família sabe que eu não quero eles perto de mim. Então independente de eles saberem onde estou ou não, duvido muito eles virem me procurar. Eu também nem procuro notícias. No meu escritório só tem eu e lá eu encontro pessoas que querem fazer negócios comigo. Faço reuniões. Tem muita gente com ideia boa, mas sem dinheiro. Eu tenho o dinheiro, mas não tenho disposição nenhuma para ficar criando negócios. Então, quando a proposta é boa, eu estudo e invisto. Não tenho secretária ou outros funcionários mais. No prédio tem uma recepcionista que recebe um pouco de cada empresário e acaba trabalhando para todo mundo. E tem o meu contador que trabalha no mesmo prédio, no escritório dele. É a pessoa com quem mais me reúno. Eu gosto das coisas certas. Fui preso injustamente e sofri com as consequências disso depois que saí da cadeia. Felizmente eu estava muito preocupado com a minha vida pessoal para pensar em problemas profissionais. Agora que só invisto, o meu nome não fica em evidência e se eu me meter em problemas será um pouco mais difícil de ter alguma perda profissional. Não que eu esteja planejando me meter em problemas. Nesta manhã eu fui ao meu escritório e enquanto aguardava um empresário chegar, recebi a ligação de outra pessoa. O meu contato rola solto no meio empresarial. — Bom dia. Com quem eu falo? É... Eu não tenho quem atenda o celular para mim. — Bom dia. Sou Celso Perez. Falo com Otávio Belmonte? — Sim. Em que posso ajudar? — segurei o telefone numa das mãos e fiquei girando o lápis na minha mesa com as pontas dos dedos da mão esquerda. — Soube que a sua empresa faz investimentos. Eu sei de um negócio que você vai gostar de investir. Me ajeitei na cadeira, curioso para ouvir a proposta. — Pode falar. — Acho que é melhor conversarmos pessoalmente. O que acha? — Sim. Você pode vir ao meu escritório? Estarei aqui até às 12 horas e das 14h até 17h. — Que tal você vir até a minha casa de festa? Podemos conversar enquanto tomamos uma bebida. Por que isso me cheira a armação? O cara sabe sobre mim, sabe o que eu faço, me diz que tem uma boa proposta, mas prefere falar pessoalmente. Ainda me chama para a sua casa de festas... Eu não tenho confiado muito nas pessoas depois das decepções que vivi. — Onde fica a sua casa de festas? Se eu conhecer, posso até aparecer, mas se for um lugar que nunca ouvi falar, não vou aceitar. — Fica na principal. Swing tropical. Ok. Por essa eu não esperava. Eu vou a essa casa umas duas vezes no mês. Meus amigos gostam de ir para lá. — Ok. Eu apareço então, por volta das 19h. — Perfeito. Estarei te esperando. Desliguei a ligação e bloqueei a tela do celular. Talvez não seja nada de r**m não. — Otávio? — Madá bateu na porta. — Entre. — esperei a porta se abrir. Em seguida a mulher alta e magra, com r**o de cavalo alto nos cabelos loiros entrou na sala. Madalena parece que nasceu para ser recepcionista. Ela tem o visual. É bonita e educada. Se veste bem. E todo mundo respeita ela. Ela entrou com um pacote na mão. — O seu lanche. — coloquei em minha mesa. — Valeu, Madá. Eu não tive tempo de tomar café da manhã hoje. — Se continuar desse jeito vai ficar barrigudo. Isso aí é uma bomba de calorias. — ela foi em direção a porta. Eu ri, ignorando o problema. Ela foi embora e eu abri o pacote. Era refrigerante, batata-frita e um hambúrguer. Eu sei que faz m*l, mas eu fui para a academia bem cedo, tomei o whey e me arrumei para trabalhar. Essas coisas fitness não me sustentam. Comi todo o hambúrguer e a batata-frita, então fui jogar no lixo do corredor enquanto ainda tomava o refrigerante. No prédio tem todo tipo de empresa e neste andar onde eu trabalho tem advogados, contadores, eu, e dentistas. Quando cheguei no corredor, o barulho do motor do dentista soava escandalosamente. Abri o lixeiro e joguei os papéis do lanche. Tinha um garotinho de cabelos dourados me encarando com julgamento. — O que foi? — Refrigerante dá cárie, sabia? Eu ri, com o canudo de papel perto da boca. — A sua mãe te ensinou direitinho, né? — Eu não tomo refrigerante. — ele contou com o nariz empinado. — Que pena. Porque refrigerante é bom demais. — me virei para voltar pro meu escritório e tomei mais um pouco da bebida. — Otávio. — Madá chamou e eu olhei para a sua mesa antes de entrar na sala. Tinha um homem perto da sala. — Oi. — O Dr. Silvio chegou. Dr. Silvio era um homem jovem. Quando entrou em contato comigo achei que era da idade do meu pai. Deve ter uns 43 anos e mais dinheiro do que eu. — Sim. — fomos um ao encontro do outro e trocamos um aperto de mãos. — Otávio Belmonte. Tudo bem? — Estou ótimo. — O meu escritório fica aqui. — o guiei até lá. — O Sr. é Dr. de quê mesmo? — tomei mais um pouco do refrigerante. — Dentista. — Ah... — afastei o refrigerante da minha boca. [•••] À noite... Passei em casa para tomar um banho e vestir outra roupa que não fosse um terno. O convite era para uma reunião, mas o local não era um escritório. Eu vesti uma camisa social branca de linho com gola padre, deixei os dois primeiros botões abertos, as mangas enroladas próximo dos cotovelos e também usei um jeans claro, mais amarelado. Não parecia tão informal, mas também não parecia formal demais. Calcei um tênis e penteei os meus cabelos e barba antes de passar o perfume. Ir para o centro da cidade me deixava a mercê de encontrar muita gente conhecida, mas eu sabia como dar um fora em alguém em dois segundos. Depois de pronto eu peguei o meu carro e fui até a boate. O lugar ainda estava vazio. Não completamente por conta de um casal com uma criança que tomava suco na área externa da boate. Entrei no local que tinha um clima acolhedor, com muita madeira, quadros e flores, e procurei pelo tal Celso. Fui até o balcão, pois um garçom estava ali, limpando o lugar. — E aí? — acenei e ele olhou pra mim. — O Celso tá por aqui? — Sim. Ele está no segundo solo. — Valeu. — eu já sabia onde era. É sempre a parte que fico quando frequento o lugar e na parede dos fundos tinha alguns degraus, que subi para chegar aonde ele deveria estar. Um homem com cabelos levemente ruivos, certa de 40 anos, virou para mim e sorriu. — Otávio Belmonte? Fui ao seu encontro e estendi a mão para cumprimenta-lo. — O próprio. Tudo bem? — Tudo suave. O que você quer beber? — Eu não costumo beber quando estou trabalhando. — dei uma analisada no bar. — Mas vou aceitar uma dose de whisky. — É pra já. — ele entrou no bar. — Cara, eu queria ter ido lá no seu escritório, mas hoje as coisas aqui estão corridas e eu jurava que você andava por aqui. — É... Eu tenho um rosto comum. — sentei no banco de madeira que tinha ali em frente ao bar e ele me entregou o whisky com uma pedra de água de côco. Vou fingir que ninguém nunca me viu nos jornais. Pela risada de Celso, ele entendeu o que eu disse como a piada que era. Ele sentou no banco ao meu lado. Também tinha um copo de whisky. Tomei um pouco e me virei junto com o assento do banco para lhe dar mais atenção. — Então, qual é o grande negócio que vale o meu investimento? — Cara, eu conheço um empresário que tá com um negócio top. O negócio é coisa grande. É coisa do futuro. De energia renovável. Ele trouxe de fora e deu uma grana danada. O f**a é que ele já investiu tudo o que tinha lá na cidade dele e mesmo com o lucro, com a possibilidade de empréstimo, ele não consegue comprar os terrenos e a matéria prima. Eu também não tenho grana pra isso. Cê sabe, quem trabalha com essas coisas, assim como eu, não fica rico. Então eu conversando com uns amigos, falaram de você. O cara que gosta de investir e tal. O meu primo disse que se tiver o terreno, não precisa mexer mais no bolso. Ele se vira para montar a estação e assina o documento de sociedade. Minhas sobrancelhas saltaram nestes últimos detalhes. — De quanto terreno estamos falando? — De 1 mil metros quadrados. — Quer dizer que se eu arranjar, ele faz negócio comigo? — Na hora. — garantiu. Eu comecei a considerar. — Diga para ele que eu quero uma reunião, quero saber como está a empresa no momento. Os lucros, gastos. Você sabe, a gente tem que analisar bem antes de fazer algo assim. — dei mais um gole na bebida que agora com o derretimento do gelo estava mais gelada, porém mais suave. — Eu vou te dar o contato dele. Vou falar pra ele te ligar e vocês marcam. Cara, você vai se empolgar. O negócio é promissor. — Espero. Já fiquei um pouco empolgado com a sua propaganda. — comentei e ele riu tomando a sua bebida. — Papai, o Gabriel chegou.— uma garota loira, baixinha e toda arrumada no couro se aproximou da gente. Junto com ela tinha um rapaz loiro, estilo macho hétero super hetero como diz a namorada do Vinny. Camisa gola polo, músculos definidos por todo o corpo, cara lisa e as sobrancelhas mais bem feitas que as da minha mãe. Eu já vi esse cara. Só não sei aonde. Celso levantou e trocou um aperto de mãos com o rapaz. — Seja bem-vindo, Gabriel. Eu quero que essa noite dê o que falar. — Pode deixar que diversão é comigo. Diversão? É dançarino? A filha do Celso estava me comendo com os olhos. — Otávio, já conhece o Gabriel? — Celso perguntou, me fazendo levantar de imediato. — Ainda não. — me virei para o rapaz. — Ele é tiktoker. Meu pai do céu... Tinha que ser. Troquei um aperto de mãos com o rapaz. — Olha só! Legal. — balancei a cabeça tentando mostrar alguma empolgação. — Faz dancinha? — É. Eu faço conteúdo de comédia e às vezes alguma dancinha. — ele contou orgulhoso. — Ele tem 2,4 milhões de inscritos. — a garota encourada contou bastante empolgada. — Muita gente. — fiquei admirado. — Gabriel vai fazer uma publi da nossa casa de festas. Também chamamos uma garota que tem muitos seguidores na cidade. Para o marketing ser mais forte. — Acho que ela já deve estar chegando também. Eu vou lá esperar. — a filha dele saiu apressada. Parece que ela estava mais feliz que o pai nesta história. — Vamos beber. — ele sentou e mandou o rapaz sentar do seu lado. Nós tomamos aquela dose toda de whisky e ele colocou mais. Eu não tinha pressa. Na verdade, eu tinha a intenção de ficar por ali e curtir um pouco. Faz tempo que não fico com alguém. Era sexta-feira de novo. Eu queria me divertir um pouco. Celso contava seus planos para a casa de festas. Ele queria trazer música ao vivo. Me parecia uma boa ideia. — Então eu tô pensando em tornar o lugar mais intimista durante a semana e no fim de semana colocar os artistas que as pessoas gostam. — Nada m*l. Isso pode atrair muita gente. — Papai. Ela chegou. — a garota voltou. Ela deve ter uns 17 anos pela voz e estrutura corporal. Acho que ela se desenvolveu em seu tempo. É uma Maria gasguita de canelas finas. — Oi. — uma voz feminina que conheço muito bem chegou nos meus ouvidos e eu olhei para trás. Acho que tivemos a mesma surpresa ao ver um ao outro ali. É a peste da Lis. Puta merda, como ela está gostosa!
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