Heitor Lins
— As bebidas já chegaram ? — pergunto enquanto entrava na boca, hoje era sexta feira, dia do baile, e iria ser o primeiro baile de verdade aqui nesse morro
Sem brigas, sem ter garrafas voando para tudo que é lado, sem homens nojentos obrigando as mulheres a ficarem grudadas neles a força.
Sem nada disso.
Iria ser apenas curtição. Isso tudo que eu tinha falado realmente acontecia, e pelo o que MT e Morte me falaram, as pessoas iam embora cedo antes dos vapores começarem a brigar e saírem atirando para todos os lados.
— Chegou, já estão arrumando as barracas lá na rua, e arrumando a laje do camarote também — e sim era a mesma laje que eu ficava olhando a Cecília
Assenti me sentando na minha mesa e pegando a prancheta vendo as drogas que haviam chegado e quanto nós precisávamos vender para chegar em tal valor.
Acendo um cigarro e dou um trago pensando se a Cecília iria ou não para esse baile, e se ela fosse, eu iria falar com ela ? Como será que ela iria estar ? Se ela já fica toda gata apenas usando short e cropped e os cabelos presos, imagina ela toda arrumada ?
Porra....
Eu não conseguia nem me concentrar, imaginando ela toda gata, toda linda. Pigarreio balançando a cabeça para os lados tentando me livrar dos pensamentos impuros que me rondavam.
E o jeito que eu queria ela, chegava a ser um negócio assustador sabe ?
[...]
Cecília Gonçalves
Termino de colocar a minha roupa e coloco a minha bota, e me olho no espelho do quarto. E p***a eu estava gata, e fazia um tempo que eu não me olhava no espelho e me sentia realmente bonita.
Dou uma volta olhando a minha b***a dentro da saia e dou um sorriso.
— Você está uma gata, filha — olho para a minha mãe pelo espelho e me viro para ela escutando o som alto que estava vindo do baile
— Tem certeza ? Não está...Sei lá mostrando demais ?
— Tá nada, você está maravilhosa — ela sorri me olhando — As meninas estão lá embaixo te esperando já — ela fala e eu concordo
— Vou passar apenas um gloss e já estou indo — ela concorda saindo do meu quarto e eu pego o meu gloss na penteadeira e passo, depois coloco as minhas argolas
Solto um suspiro e passo o meu perfume e então saio do quarto depois de colocar o meu celular para carregar. E eu não iria levar ele, por que eu não tinha bolso e por que eu não iria mexer nele, apenas peguei o dinheiro que eu coloquei no meu sutiã e então saí.
— Cheguei
— Nossa você está muita gata Cecília — Heloísa também estava maravilhosa dentro daquela saia brilhante e um cropped preto e tênis nos pés, e a Jaqueline também não estava diferente, ela estava usando o vestido preto que ela comprou na loja e usava um salto preto também
— Tá mesmo — Jaqueline fala e me olha de cima a baixo devagar e sorri sem mostrar os dentes
Tá repreendido senhor.
Nos despedimos da minha mãe e saímos pelo bar, fomos o caminho todo conversando sobre a música ou como iria ser esse baile.
Assim que nós chegamos já sorrimos nos enfiando no meio da multidão. E realmente estava muito diferente, estava animado, todo mundo estava dançando, cantando, bebendo, se pegando, e a animação das pessoas era contagiante.
Fomos até uma das barracas e pegamos uma bebida e começamos a dançar, e eu tive que beber alguns goles para poder me soltar.
— Ro-ro-ro-rola a xereca no Playba, calma, vida, tá de boa
Rola a xereca no Laizzao, calma, vida, tá de boa— Heloísa aponta para a Jaqueline enquanto a gente dançava e ria
— Rola a xereca no Donk, calma, vida, tá de boa
Rola a xereca no Alê, calma, vida, tá de boa
Vá, vá, vá, vá, vá, tá de boa — desço até o chão rebolando enquanto segurava o meu copo e sorria
E sabe quando você se sente bem ? Então.
Eu estava animada, e isso era uma coisa rara, normalmente eu não me sentia bem no meio da muvuca, no meio de várias pessoas e sabendo que algumas estavam me olhando.
Mas hoje eu estava animada, e até pode ser por conta do álcool, mas ainda assim eu estava animada.