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721 Palavras
Heloísa Torres — Você gosta de provocar né, c*****o — falo para a Jaqueline assim que a Cecília encerra a chamada, e eu vejo a Jaqueline rir dando de ombros fazendo eu revirar os olhos — Vai me falar que você não acha também, Cecília só faz amizade com gente envolvida, com quem é do tráfico, com quem tem dinheiro, a carinha de santa dela não me engana não — A Cecília só faz amizade com envolvido por que todo mundo do morro e interesseiro e falso, e ela falar com o Zeus ou ele fazer amizade com ela não significa que ela é interesseira, pelo menos não é ela quem corre atrás de homem casado só por causa de dinheiro — Falo mesmo, eu sou educada e tenho postura mas não tenho sangue de barata não E p***a, a Jaqueline era falsa, e todo mundo sabia, as vezes ficava de sorrisinho comigo e no outro dia ela estava metendo o p*u em mim pelas costas para as colegas dela do morro. Pode falar m*l de quem for, mas não fala m*l da Cecília não. Ela foi uma das únicas que esteve do meu lado quando a minha mãe morreu, a única que ficou dias e dias secando as minhas lágrimas e cuidando do Arthur quando eu ia fazer os meus b***s para conseguir dinheiro. Ela foi a única que sempre me aconselhava quando eu pensava em acabar com todo o meu sofrimento, enquanto isso a Jaqueline estava lá desfilando com homens ricos, nadando em rios de dinheiro sem se importar comigo. E quando eu pedia pelo menos uns 100 reais para comprar o leite do Arthur que ele precisava, ela simplesmente virava as costas mudando de assunto. Era cada dia uma viagem diferente, agora vem querendo falar da única pessoa que esteve ao meu lado esse tempo todo ? Há vai pra casa do c*****o né. — Eu sento pra homem casado mesmo, eles gostam — ela fala alto e eu reviro os olhos pegando algumas peças de roupa em cima da cama e das mãos dela e coloco tudo no seu devido lugar — Bem que você poderia me levar pra esse pagode na maré né, eu não perderia a chance de ficar pertinho daquele gostoso do Zeus, que delicia de homem com todas aquelas tatuagens Reviros os olhos novamente. — Nem se eu quisesse eu te levaria, ele não te convidou, ele convidou a Cecília e eu — Vejo de canto de olho ela me fuzilar com o olhar e fazer uma cara de deboche Quem vê pensa que eu tenho medo dela, eu já enfrentei coisas piores na minha vida. — Cecília, Cecília, tudo pra você é a Cecília, credo — ela se deita na minha cama e pegar um dos ursinhos do Arthur e mexe nas orelhas dele, fecho a porta do guarda roupa e vou até ela pegando o urso da sua mão vendo ela me olhar — Eu hein, não sei nem aonde você colocou essas suas mãos — ela ri de novo — E eu sempre defendi a Cecília por que ela é minha amiga, e me ajudou quando eu precisei — termino e coloco o ursinho em cima da poltrona que havia no quarto E estava na cara, todo mundo sabia sobre a inveja que a Jaqueline tinha da Cecília, era você olhar e perceber, dava até calafrios, juro, tô falando que a Cecília tem que ir se benzer na mãe Maria Eu só não paro de ver e conversar com a Jaqueline ainda porque ela era a única pessoa da família que eu tinha, tirando o meu pai que morava em São Paulo. Os pais da Jaqueline morreram, mas foi de idade mesmo, ela nunca os tratou bem, dava até uma dó, os dois sofriam para tentar deixar ela dentro de casa, a luta toda deles foi praticamente em vão. Desde sempre a Jaqueline foi assim, saia com qualquer um, seja casado, solteiro, velho, novo, menor de idade, ela brigava com qualquer um que tenta-se impedir ela. Eu tô falando, ela vai nessa de ficar querendo ficar com um e outro pra crescer na vida e vai acabar se fodendo. Por que um dia o voo dela vai ser tão alto que ela vai cair e vai estar sem os paraquedas.
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