Capítulo 1 de 1: IVAN CZAR

1165 Palavras
— Mãe? — atravessei diretamente para a cozinha vendo ela pingar a massa sobre o óleo quente, o cheiro doce impregnou-me em todo o ambiente me fazendo voltar ao tempo de infância. — Está quase pronto meu filho. — bolinhos de banana com canela, deduzi. Aproximei e me sentei na bancada da cozinha puxando um banco de madeira que meu pai aventurou em fazer aos finais de semana. — O cheiro está maravilhoso! — aproximei de certa forma que conseguisse roubar um da vasilha que ela estava colocando, assoprei dando a mordida enquanto ela reclamava. — Se continuar comendo os bolinhos, vão ficar encharcados meu filho! Não pode comer antes do tempo certo. — advertiu enquanto sentava em meu lugar. Minha mãe tossiu colocando a mão sobre o pano de prato em seu ombro e cobriu os lábios com o cotovelo. — Já foi ao médico mãe? Não quero que fique doente. — perguntei fazendo ela se recompor arranhando a garganta. — Sim meu filho, estou acompanhando o doutor Otávio. Ela desliga o fogão e pega a vasilha para colocar no balcão, me apressei e segurei para ela que me ofereceu um grande sorriso. — Vamos? A varanda nos espera mamãe. — Segui diretamente para fora com a vasilha que estava quente em minhas mãos. Sentei no banco deixando um espaço para que minha mãe sentasse, então ela aparece ajeitando as roupas. — Nem imaginei que meu filhote já é um homem feito e ainda por cima, sendo um grande lutador— ela falou se acomodando enquanto o sol brilhava em seus momentos finais no horizonte por detrás de algumas casas. — Isto é maravilhoso! — seus olhos brilharam, o céu estava mais alaranjado enquanto escurecia aos poucos. Ela começou a comer bolinhos para me acompanhar, eu sabia que os bolinhos eram feitos apenas para mim, porque minha mãe não costumava comer sempre. — O melhor momento do meu dia. — comentei enquanto mordia o último bolinho. — Bom filho, vou entrar porque preciso acordar cedo amanhã. — ela se levanta pegando a vasilha das minhas mãos. — Vou colocar a senhora na cama mãe, amanhã também preciso pegar estrada para o campeonato. — Desejava ir com você, mas estou muito cansada, viajar na minha idade é algo bem cansativo. Mas estarei torcendo por você! — entramos em casa, fechei a porta e minha mãe lavou a vasilha. Então segurei sua mão depois que ela as secou e deixou o pano sobre o balcão, subimos para o andar de cima ouvindo o ranger abaixo de nossos pés na escadaria. — Já estou contente por isso mãe, não é necessário se esforçar para mim saber que tenho seu apoio. Sempre esteve ao meu lado. Ela sorriu e então guiei ela até seu quarto, beijei o topo de sua cabeça desejando uma boa noite para depois ir até meu quarto e poder descansar. Na manhã seguinte acordei cedo com os barulhos da cozinha, minha mãe já estava acordada e pronta para fazer seus serviços de faxinas pelos arredores, então vesti um conjunto de moletom para poder correr, coloquei o tênis e desci me deparando com uma mesa posta com o café da manhã. — Bom dia meu menino. — ela disse contente. — Não vai me acompanhar hoje? — Infelizmente preciso ir mãe, se não vou perder o horário, ainda preciso voltar e deixar a mala pronta. — Está certo meu querido. Mas coma algo, um saco vazio não pára em pé. — concordei sorrindo então passei pela porta olhando a rua um pouco escura ainda, então comecei a correr pela vizinhança, passei pela pequena praça de brinquedos perto de uma creche e depois virei até o mercado que costumava comprar algumas coisas em casa. Alguns conhecidos me enviaram cumprimentos ao qual correspondiam, então dei a volta em todo o quarteirão por cinco vezes e retornei para casa. Quando cheguei, segui pela cozinha indo diretamente para o quarto na intenção de poder fazer as malas, mas notei que minha mala estava feita sobre a cama com um bilhete de minha mãe: *** Sucesso meu amor, Posso não estar agora com você na etapa mais importante de sua vida , mas tenho a certeza de que nós sempre estamos orgulhosos do filho que você é. Mesmo que hoje você não vença, Lucca sempre será nosso menino Campeão! Mamãe te ama, e por isso coma o lanche que fiz para você levar na viagem, se não comer vou sentir porquê intuição de uma Mãe nunca falha. Sua querida mãe Eliza. *** Sorri como nunca, ela é uma mãe muito zelosa, e às vezes um pouco exagerada quando o assunto era comida, mas ela nunca errou em suas intuições. Andei até o armário para pegar a troca de roupa que usaria, então deixei sobre a cama e fui tomar meu banho para tirar todo o suor do corpo. Voltei do banho com uma toalha na cintura e com outra enxugando os cabelos, precisava cortá-los e talvez fazer isto quando chegar em Nova York. — Lucca. — Havia uma ruiva sentada ao lado de minha mala e em suas mãos estava o bilhete de minha mãe. — Você vai mesmo embora? — Já disse que sim Pâmela— Peguei as roupas para me trocar no banheiro, precisava que ela entendesse que nossos destinos não estavam se cruzando mais. — Porquê? Deixei a toalha escorregar do meu corpo e comecei a me vestir sem me importar com a sua presença atrás de mim na porta do banheiro. — Porque já estou cansado dessa vida, você não? — falei erguendo a calça jeans, olhei nos olhos dela e notei seu desapontamento. — Acreditei que você… — Acreditou o quê Pâmela? Que ficaria aqui trabalhando no campo ou seguindo a carreira de meu pai? — despejei a verdade e ela estava fingindo estar magoada. — Que ficaríamos juntos? — Sim! Eu acreditei sim. — ela balançou a cabeça negando, mesmo não querendo, adorava a forma como ela movia os lábios desenhados quando estava nervosa. — Escute, eu e você, esta casa, este lugar, não é para ser. Nasci para ter algo grandioso, para dar o de bom e melhor para quem se importa de verdade comigo, você é apenas mais uma que peguei. Não vai rolar! Senti o tapa estala em meu rosto, então a vi dar as costas me chamando de cretino. Mas era melhor assim, Pâmela não é a mulher com quem desejo dividir minha vida. Sequei mais um pouco os cabelos e procurei pela minha carteira nas gavetas do guarda roupa com os documentos que vão ser necessários para embarcar no voo. Guardei tudo na bolsa e então sai em busca de conseguir um ônibus a tempo de chegar perto do aeroporto onde está agendado o voo, da rodoviária vai ser necessário pagar um táxi até o destino final. Sai de casa quase às oito e meia com a mala de uma alça pendurada sobre o ombro direito e segui viagem.
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