Ao atravessar os imponentes portões, depara-se com um vasto jardim iluminado por tochas e a lua. A luz da lua acaricia os detalhes de uma majestosa estrutura. Observo atentamente, tentando discernir os pormenores da elaborada decoração do jardim. Será aquilo uma cerejeira? Não posso afirmar com absoluta certeza.
— Venha, mestiça, não tenho a noite inteira! – Caleb fala com irritação a alguns metros de distância.
— Eu... eu estou indo. – Gaguejo, voltando a andar.
A opressão do ambiente gera inquietação e ansiedade. Uma voz interior insiste para que eu fuja, mas compreendo que tal ação não resolveria e poderia agravar a situação tanto para Ivy quanto para mim. Meu coração aperta ao cruzarmos os imponentes portões.
A iluminação forte do corredor provoca inquietação em meus olhos, intensificando a atmosfera de luxo com um toque de obscuridade. À medida que avanço, as paredes mergulhadas em sombras revelam ornamentos góticos, destacando-se em contraste com os grandes quadros enigmáticos emoldurados em ouro. A sensação de medo cresce à medida que percebo os detalhes sinistros, cada passo ecoando com a incerteza sobre o meu futuro.
Essa seria a casa de Klaus? Quem era esse homem e por que todos o temiam tanto? Sinto meu coração bater em minha garganta devido ao medo e ansiedade causados pelo meu futuro incerto.
Grandes candelabros vitorianos projetam sombras dançantes sobre tapetes de veludo vermelho densos e enigmáticos. Cada centímetro deste corredor parece impregnado por uma energia c***l. É possível sentir sutilmente o cheiro metálico de sangue no ar.
— Vamos, por aqui. – Caleb fala apressado.
Seus membros se movem com uma agilidade impressionante, tornando desafiador acompanhá-lo, especialmente diante dos ferimentos que marcam meu corpo. A dissipação dos efeitos da adrenalina expõe a verdadeira intensidade da dor resultante das agressões sofridas na densa floresta. Cada passo se transforma em uma verdadeira tortura, como se meus músculos suportassem o peso de toneladas, e a sensação de que meus ossos estão à beira de se partir torna-se cada vez mais palpável.
— Vamos, pirralha! – Caleb fala com impaciência.
— Eu... eu não consigo andar mais. – Gaguejo entre soluços.
As lágrimas quentes descem pelo meu rosto; sinto-me péssima, humilhada, cansada, triste. Seria esse o meu fim? Ayla e Dylan me resgataram na floresta para que agora eu fosse morta por esses homens?
Dylan está morto; Caleb fez questão de esfregar esse fato doloroso em minha cara, dizendo que matou todos na vila, restando apenas eu e Ivy.
Como se não bastasse ter perdido minha família inteira, agora também perdi Dylan. Pergunto-me por que a vida é assim, como uma piada sem graça.
Caleb corta a distância entre nós com passos curtos e, com brutalidade, puxa-me pelo cabelo, arrastando-me pelo corredor com rapidez, ignorando meus gritos de dor e desespero.
— Mas que escândalo é esse? – Uma voz grossa grita enfurecida.
Caleb para seus passos, mas ainda não solta meu cabelo. Me debato tentando sair de suas mãos, mas sua mão puxa meu cabelo com força, obrigando-me a ficar quieta.
— Diga, Caleb. O que está acontecendo aqui? – O homem pergunta irritado.
Essa voz... eu conheço essa voz. Uma onda de memórias dolorosas invade minha mente e lágrimas escorrem pelo meu rosto.
— Não... não pode ser. – Murmuro, arregalando os olhos.
— Peço desculpas, Klaus. – Caleb gagueja. – Essa mestiça é muito barulhenta.
Escuto seus passos se aproximarem, meu coração acelera ao ver seus coturnos pretos entrarem em meu campo de visão. Isso não pode estar acontecendo novamente, ele não... Não pode ser real.
— Uma mestiça? Interessante... Nunca vi alguma chegar à fase adulta. – O tom de Klaus é entusiasmado. – Os genes da humana que a gerou devem ser fortes.
— Liam disse que não sentiu cheiro humano em seu sangue. – Caleb diz com cautela.
Uma gargalhada estrondosa ecoa pelo salão, causando arrepios e lembranças ruins. Essa gargalhada... era a mesma gargalhada.
— Magnífico! – Klaus bate palmas e ri animado. – Então essa é uma cria entre um feiticeiro e uma moonhowler?
Klaus se afasta rindo em êxtase, como se estivesse assistindo a uma grande peça de teatro.
— Não creio que seja isso... – Caleb hesita. – Sabemos que o único jeito de existir um mestiço é quando um lobo e uma humana copulam; aí nasce uma criança que acaba tendo complicações por conta dos genes opostos. E quando uma moonhowler copula com um humano macho jovem, da mesma idade ou um feiticeiro adulto, nascem mestiços que chegam à fase adolescente, pois têm mais chances de compatibilidade entre os genitores.
— Não venha me dar aulas de reprodução, Caleb. Estou perdendo a paciência. – Klaus diz seriamente.
— Peço desculpas, mas só estava querendo dizer que não é esse o caso. – Caleb fala apressado.
Klaus para de andar e se vira em direção a Caleb.
— Agora estou indignado, continue.
— Liam não sentiu um cheiro humano nela, muito menos de um feiticeiro. Era algo diferente. Se ela fosse cria de um feiticeiro, seu cheiro seria inconfundível, mesmo que fosse mestiça. – Caleb conclui.
— Chega de enrolação, me deixe vê-la. – Klaus diz sem paciência.
Caleb solta meu cabelo fazendo meu rosto bater no chão, solto um gemido de dor e escuto a risada de satisfação de Caleb.
— Tenha cuidado! i****a! – Klaus grita enfurecido.
Essa voz... essa maldita voz ... era ele, agora eu tinha certeza.
Elevo minha cabeça e vejo seus pés se aproximarem, ele se agacha em frente ao meu corpo.
— Levante a cabeça criatura infeliz, quero ver seu rosto! – Ordenou.
Levanto meu olhar e um choque percorre meu corpo ao encontrar seus olhos vermelhos me encarando.
— Você até que não é como pensei. – Um sorriso malicioso surge em seus lábios.
As memórias invadem minha mente: o dia do aniversário de Annabel, seus olhos vermelhos me fitando com o mesmo sorriso em seu rosto, a conversa com meu pai, meu último abraço e, depois, seu corpo quase sem vida no chão, lutando para me dar a chance de fugir.
As lágrimas escorrem pela minha bochecha com todas as lembranças dolorosas dos últimos meses. As cenas correm tão rapidamente em minha cabeça que m*l consigo vê-las. O ar some de meus pulmões, e meu coração acelera, como se meu corpo estivesse se preparando para o abate, para o perigo iminente.
— Você.... você... – Rosnei entre soluços. – Seu filho da p**a!
Salto sobre seu corpo, surpreendendo-o e derrubando-o ao chão. Em um movimento ágil, desferi um soco com força, espatifando seu nariz. Apesar das mãos de Caleb em minha cintura, nem mesmo ele conseguiu conter meu surto de fúria.
— Seu desgraçado! Você acabou com minha vida! – Grito enquanto soco seu rosto diversas vezes com fúria.
Caleb tenta me puxar de cima de Klaus, mas meus movimentos eram rápidos, assim como meus socos.
— Você matou meu pai, você tirou tudo que eu tinha! Você destruiu minha vida! – Grito em fúria.
O ódio em mim era imenso; já não ouvia nada ao meu redor, apenas via seu sorriso sangrento e sarcástico, como se estivesse apreciando minha ira. Eu o odiava. Ele havia tirado tudo de mim, e eu faria com que pagasse por isso.
Em um movimento rápido, Klaus me arremessa para longe de seu corpo com uma joelhada em minha barriga.
— Essa criatura tem ousadia. – Ele gargalha se levantando. – Não via alguém me enfrentar assim a séculos!
Caleb segura meus braços me forçando e ficar de pé. Ofegante, o encarava com ódio.
— Eu me lembro de você. – Ele gargalha animado. – Você não pode me culpar pela morte de sua família, querida. Você que me chamou, eu apenas segui o chamado.
Klaus ri enquanto limpa seu rosto com um lenço, ele sorri se aproximando. Suas mãos pálidas seguram meu rosto nos aproximando, tento me soltar mas Caleb aperta suas mãos em meus pulsos.
— Eu vou matar você. – Digo pausadamente olhando em seus olhos vermelhos.
Klaus gargalha se afastando, ele bate palmas como uma criança animada.
— Que fascinante! Uma criatura tão insignificante desafiar Klaus, o rei dos Vampiros. – Ele fala entre risadas. – Você é corajosa, admito.
— Eu vou acabar com sua vida. – Sibilo com um sorriso em meu rosto.
Seus olhos brilhavam com fascinação e excitação, um sorriso surge em seu rosto e sua mão acaricia minha bochecha.
— Você é a primeira a me desfiar em séculos, sabe quantos tentaram me matar nesses últimos mil anos? Você não faz ideia, querida. – Klaus sussurra em meu ouvido. – Você pode tentar, mas jamais vai conseguir.
— Pague pra ver. – Um sorriso diabólico surge em meu rosto.