Capítulo 3

1042 Palavras
D A N T E É doido como as coisas só acontecem quando não é o momento. Conheci uma amiga da minha prima, começamos a ficar, mina fechamento, linda pra caramba e toda inteligente. Confesso que enlouqueci desde a primeira vez que ficamos, pensei até em assumir! Mas isso não dá pra mim, é muita responsabilidade, o estado em cima direto e pra piorar, os trabalhos do dia a dia. Sou o gerente de frente dessa comunidade desde quando o anterior faleceu, já vai completar seis anos. Tenho vinte e nove anos, ou seja, comecei ainda novo nessa vida do crime. Minha família sempre foi contra, comecei vendendo as "paradinhas", nunca usei não. Somente meu verde e mais nada, acho feio e errado. Um bom empreendedor não usa a mesma mercadoria que se vende. Nessa vida é assim, hoje você confia e amanhã já não tem mais ninguém. Ao contrário do que pensam eu terminei o ensino médio e até comecei a cursar faculdade de administração, mas tanta coisa começou a acontecer que foi difícil manter. Minha avó adoeceu, dona Marlene foi a mulher da minha vida, minha rainha! Era um câncer complicado, um tratamento doloroso que precisaria de dinheiro. Fiz o possível e o impossível para manter ela viva, por isso entrei para essa vida. Ela não sabia não, e eu nem queria que soubesse, seria o maior desgosto para ela. Fui juntando meus pagamentos e com isso, fui pagando os tratamentos, os remédios e tudo que ela precisava. Quando ela faleceu eu desabei, parecia que meu mundo havia caído, desmoronando completamente. Nunca mais fui o mesmo, me tornei frio, calculista, rancoroso e cheio de ódio. Acabou que eu nunca mais sai dessa vida do crime, permaneci nisso! Hoje, com vinte e nove anos eu sou o gerente daqui. Não me arrependo de nada do que fiz, fui e sou bom com quem merece e quem não merece, recebe o castigo conforme as regras. É comunidade mas não é bagunça! Tudo isso, uma história massa, uma caminhada doida pra a amiga da minha prima dizer que está grávida. Me desliguei real disso, queria acreditar não, sério mesmo! Não posso ser pai, não tenho estrutura, não sei nada sobre paternidade. Mas é aquilo, né? Família é fogo! Clara contou para minha mãe que obviamente, já veio falando que queria conhecer Dandara de qualquer jeito. Foi um desenrolo voltar atrás e pedir para ver ela, já que ela estava cismada e com certeza, chateada. Como eu sabia que ela trabalhava, dei um tempo para que ela pudesse trabalhar com tranquilidade. Logo em seguida eu fiquei nervoso, todo minuto eu olhava para o relógio, olhava o celular e nada dela ligar ou mandar mensagem. Dandara é uma mulher incrível e se ela estiver grávida mesmo, vai ser uma mãezona. Quando deu dez horas ela me mandou mensagem. "Já estou na entrada". — era o que estava escrito na mensagem. Passei o rádio para que deixassem ela entrar e não demorou muito para ela estar no portão de casa, estacionando seu carro. Dandara era alguém que eu via como uma mimada, sabe? Até conhecer ela direito e saber que tudo que tem foi com o próprio suor. Ela é muito inteligente! — Demorou abessa, hein! — Falei assim que ela saiu do carro. — Tive problemas no trabalho. — Ela falou parando na minha frente. Seus cabelos cacheados são apropriados para seu rosto e suas curvas sempre bem marcadas. Dandara além de esforçada e guerreira, vai ser uma mãe massa abessa. — Entra. — Falei dando passagem, a vendo passar pelo portão e entrando em casa. Assim que entrei vi ela em pé, me encarando. — Olha só, eu não entendo o porquê de ter me chamado até aqui se já disse tudo o que tinha para dizer. Li sua mensagem tantas vezes só hoje e confesso que até me arrependi de ter tido algo com você! Não quero seu dinheiro, não quero seu amor e nem nada desse tipo. Apenas te contei para que você soubesse que você será pai, e se quisesse assumir tal responsabilidade seria de seu direito. Mas você já deixou claro que não quer. Eu não vim para te escutar e nem nada assim, vim de longe pra dizer tudo isso olhando nos seus olhos. E olha Dante, essa criança terá família, terá amor, e eu garanto que não farei questão nenhuma de enfiar você na minha família! — Ela falou andando até a porta em passos largos. — Eu não falei o que tinha pra falar, Dandara! Eu quero um exame pra ter a certeza de que esse filho é meu mesmo, vai que nesse meio tempo tu não tenha s*ntado em outro! — Falei e senti minha cara arder, levantando minha mão pra revidar. — Gabriel! — Ouvi o grito de minha mãe ecoar pela sala. Dandara olhou para ela e saiu as pressas de casa, corri atrás para tentar me acertar com ela e não consegui alcançar ela, mas já era tarde. Entrei dentro de casa novamente e vi minha mãe me esperando na porta. — Eu não criei filho para ficar batendo em filha dos outros, você se dê o respeito pois tu nasceu foi de uma mulher! — Ela falava brava enquanto me dava tapas. — E você vai assumir esse filho, sim! Do jeito que essa mulher tava falando rápido e com tanta raiva, impossível contrariar do que ela fala! — Ela virou as costas, finalmente. — Você não conhece ela! - Falei alto. — Fale baixo comigo! — Ela se virou, ameaçando partir para cima de mim. — Nem você conhece a mulher com quem se envolveu, Clara já me falou tudo sobre essa menina. Trabalhadora, guerreira, esforçada, gerente de uma loja importante e agora, mãe. Você deveria era arrumar alguém assim, parar com alguém. Já está velho, não basta ser bandido, tem que ser galinha né Gabriel!? — Ela perguntou me deixando sem graça. Dona Cátia quando quer ela arrasa mesmo, não importa se é filho, amigo, parente ou família. Ela arrasa sem pensar duas vezes, e já era de se esperar que Clara abrisse o bocão dela. Dandara vai acabar conquistando a família se essa criança for mesmo minha. -
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