D A N D A R A
Os dias foram se passando e a cada dia minha barriga crescia mais. Comecei a trabalhar bastante aqui em Portugal como modelo, meu irmão teve que voltar para o Rio de Janeiro e todos os dias recebo ligações dele e da minha mãe. Estava terminando de pranchar meu cabelo quando ouvi batidas na porta do quarto.
Abri e dei de cara com Nayra que me encarava sorridente.
— E aí, já está pronta mamãe? — Ela perguntou sorrindo.
Hoje iremos descobrir o que estou esperando, se é um menino ou uma menina. Confesso que eu estou muito ansiosa e triste ao mesmo tempo, queria que ao menos a minha mãe estivesse presente.
— Vou só me vestir e já desço, Nayra. — Respondi sorridente.
Assim que sair do médico irei em umas lojas infantis para comprar tudo e fazer uma surpresa para Diego e minha mãe.
Vesti um vestido longo florido e nos pés uma rasteirinha mesmo. Peguei um casaco e coloquei dentro da bolsa, passei hidrante, perfume e já estava pronta. Peguei todos os meus documentos, colocando dentro da bolsa e sai do quarto levando o celular na mão.
Desci as escadas e dei de cara com Nayra já pronta no meio da sala, em pé. A ansiedade dela provavelmente já estava incomodando.
Ela tem sido uma boa companhia depois que meu irmão se foi. Aqui em Portugal ela me ajudou com muita coisa, tanto com os idiomas deles, quanto com a relação das consultas de pré natal. Inclusive, tratamos de encontrar um médico brasileiro mesmo.
Entramos no carro e eu fui dirigindo enquanto Nayra dava várias ideias para a surpresa que eu faria para minha família. Assim que chegamos na clínica eu dei meus documentos e não demorei para ser chamada. Entrei na sala, levantei meu vestido e o doutor começou o exame.
— Dandara agora eu vou passar um gel friozinho na sua barriga para poder ver como seu bebê está, tudo bem?! — Ele falou sorrindo.
— Sem problemas, doutor Sérgio! — Falei.
Ele passou o gel sobre a minha barriga e começou o exame enquanto me fazia várias e várias perguntas. Eu já estava ficando completamente agoniada com esse mistério dele.
— Vou colocar o coraçãozinho do seu bebê pra você escutar. — Ele avisou e o som logo ecoou na sala. — Parabéns, é um menino! — Ele falou sorrindo.
Ali eu senti toda a felicidade do mundo, pois já esperava que fosse realmente um menino.
Meu Nicolas.
Pegamos todos os exames, ele me passou mais algumas vitaminas e saímos juntas da clínica. Dali passamos no shopping, compramos algumas coisas e quando voltamos, havia um carro parado com um homem na porta nos esperando. Descemos do carro pegando as sacolas e nos aproximamos do homem.
— Bom dia! Você que é a Dandara? — Ele perguntou.
— Sim, pois não? — Perguntei estranhando.
— Me chamo Juan, sou amigo do seu irmão! — Ele falou sorrindo. — Ele me disse que estaria em Portugal e pediu para eu vim te visitar, nos conhecemos do quartel! — Ele falava entusiasmado.
— Ele não comentou comigo sobre, eu estou chegando agora da consulta. Vamos entrar, está ficando frio aqui fora! — Falei apontando para o portão.
Ele me ajudou com as sacolas e juntos entramos, eu conversei com ele e ele me falou de vários e vários momentos que teve com meu irmão no quartel. Sinto muitas saudades dele.
Juan nos acompanhou para o almoço e se despediu, dizendo que só queria notícias minhas para dar ao meu irmão. Disse a ele que sempre que ele voltasse, seria bem-vindo e assim, ele se foi.
Logo ao anoitecer eu liguei para minha mãe na chamada de vídeo e anunciei que estava esperando um menino, ela e Diego ficaram tão felizes que pularam de alegria! Tadinha, no final ela caiu no choro e eu também. Sinto falta do colo de mãe, do abraço de irmão, ainda mais agora durante essa fase da gestação, estou tão chorona ultimamente.
Ficamos em ligação durante um bom tempo, falei do Juan para meu irmão e ele disse que estava aguardando o Juan para se divertirem no Rio de Janeiro.
Minha mãe me contou sobre meu irmão inaugurar mais uma escolinha de jiu-jitsu, fiquei muito feliz com mais essa conquista dele. Quando ele saiu do quartel ficou arrasado por ser dispensado, mas logo investiu na área do esporte e com certeza, tinha que ser o jiu-jitsu.
Depois que desliguei a chamada, eu subi para o meu quarto, gostaria de aproveitar mais a minha companhia também. Tomei um banho aconchegando, vesti meu pijama quentinho e assim que deitei, escutei meu celular tocando. Era uma ligação desconhecida, atendi imediatamente, preocupada com que fosse alguém da minha família.
— Alô? — Falei ao atender a ligação, encostando o celular próximo ao meu ouvido.
— Oi, eu falo com Dandara? — A voz da mulher ecoou.
— Sim, é ela mesma! Quem fala? — Perguntei.
— Dandara, minha querida, aqui quem fala é a Cátia, a mãe do Dante. Eu estou te ligando para saber sobre você, se está precisando de alguma coisa e como anda sua gestação. — Ela se explicou. — Aquele dia aconteceu tudo tão rápido e eu não pude deixar de chamar a atenção do Gabriel, pois não achei certo a atitude dele! Mas, isso não condiz com a família, viu? — Ela falou amigável.
— A senhora quer saber sobre o sexo do bebê, né? — Perguntei sorrindo.
— Sim, estou ansiosa para saber! — Ela falou rindo do outro lado da linha.
— É um menino, Nicolas será o seu nome. — Falei alisando minha barriga.
— Lindo nome, querida! Fico muito feliz em saber que será um menino, raramente ter um menino na família, geralmente é sempre uma menina! — Ela comentou. — Soube que se mudou para Portugal, isso é sério? — Ela perguntou.
— Sim, vim a trabalho e também, para aproveitar a gestação. Estava tendo muito estresse no Rio. — Expliquei.
— Peço desculpas pelo Gabriel, ele não teve a presença paterna e obviamente isso não é motivo, ensinei ele a ser um homem mas foi o contrário! — Ela falou.
— Não precisa me pedir desculpas pelo seu filho, dona Cátia. Minha mãe sempre diz que os filhos nem sempre são idênticos aos pais. — Falei sorrindo, mesmo sabendo que ela não poderia ver.
— Vejo que você tem uma mentalidade maravilhosa, Dandara. Gostaria muito de te conhecer, mas agora com você morando em Portugal fica difícil. Pretende voltar para o Rio? — Ela perguntou.
— Pretendo sim, mas agora só depois que o neném nascer. — Expliquei.
— Assim que voltar para o Rio, por favor, me avise. Pretendo te conhecer melhor e claramente, conhecer o meu neto! — Ela falou com animação.
— Aviso sim, dona Cátia. — Respondi.
Era estranho estar conversando com a mãe do cara que renegou o meu filho.
— Mas uma coisa, Dandara. Vai me dando notícias, me mande fotos suas e das coisas do meu neto, estarei entrando em contato com você sempre! — Ela pediu, parecia realmente querer manter esse contato.
Ficamos na ligação por mais um tempo e depois, ela desligou. Não demorou muito para que eu pegasse no sono, mesmo com o pensamento na minha vida daqui pra frente.
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