PONTO DE VISTA ERICK WALTON
— Bom dia, Sr. Walton. O meu guarda-costas e motorista me cumprimentaram enquanto abria a porta para eu entrar no carro.
— Bom dia, Hugo. Eu respondi.
Hugo era mais que meu guarda-costas e motorista de confiança, era meu amigo em algum momento e até pesquisador, trabalhou na inteligência militar, era soldado aposentado do exército, foi para a guerra e às vezes eu pedia a ele certas favores relativos a alguma informação especial sobre meus clientes.
Ele trabalhava para mim há alguns anos, então me conhecia bem o suficiente para saber o quanto sou reservado.
— Senhor, para o escritório ou para o café da manhã? Ele me perguntou enquanto me olhava pelo retrovisor central do carro.
— Para o escritório, tenho algumas coisas para terminar considerando que hoje é sexta-feira e você sabe o que isso significa. Eu disse a ele.
Sexta-feira era o dia em que todos do escritório saíam para beber no Bar Katana, embora eu só fosse para agradá-los, não conseguia parar de ir, era um hábito. Minhas equipes de engenheiros e arquitetos eram as melhores, mas não podia negar que gostavam de sair e se divertir.
Enquanto estava no carro verifiquei alguns e-mails da empresa no meu celular, consegui deixar o gerenciamento do meu e-mail para minha secretária Lisa, mas eu era um maníaco por controle, preciso estar no controle de tudo ao meu redor e isso sempre foi assim. Assim que cheguei, entrei no prédio de quinze andares.
— Bom dia, Sr. Walton. A recepcionista e todos os funcionários que estarão no meu perímetro me cumprimentaram.
Não costumo interagir com os funcionários, estava habituado a que cada saudação só fosse respondida com um olhar ou um aceno de cabeça, era o mais fácil para mim e o mais rude para eles.
Sei que sou considerado um chefe insensível, duro, apático e intimidador, mas isso simplesmente fazia parte da minha personalidade nefasta e egocêntrica.
***
— Então, a que horas nos encontramos hoje no Katana? Disse meu amigo Frank, entrando em meu escritório sem bater.
— Você pode bater antes de entrar. Repreendi ele sem parar para olhar os documentos que estavam sobre minha mesa.
— Por quê? Conheço você há anos. Ele me disse enquanto se sentava na cadeira em frente à minha mesa.
— O que você quer? Eu rosnei, ele estava olhando para mim há vários minutos.
— Preciso que você chegue cedo ao bar hoje à noite. Frank me disse de forma um tanto estranha.
— Você sabe que tenho muita coisa pendente, esse projeto é importante para mim. Eu disse a ele, enfatizando cada uma das minhas palavras, olhando os papéis na minha mesa.
— Quantos hotéis esta empresa já construiu? Nem mesmo o primeiro. Ele resmungou.
— Sim, mas meu pai não investiu em nenhum deles, agora este terá o sobrenome Walton no nome da empresa, portanto também é meu hotel. Eu disse a ele, um tanto irritado.
— Hoje vou pedir Meghan em casamento. Frank deixou escapar sem mais delongas.
Meghan era a consultora jurídica da minha empresa há dois anos, o que começou como um flerte por parte de Frank se transformou em um caso de amor no escritório, embora eu tenha recusado, mas era Frank. A garota era muito bonita e desde que o relacionamento deles não afetasse seu desempenho no trabalho, por mim tudo bem, só que pedir ela em casamento me pareceu um pouco precipitado.
— Peça a ele para morar com você. Eu aconselhei.
— Por que eu faria isso? Ele questionou.
— Por que quem se casa hoje? Respondi com sinceridade.
— Ah, eu e milhões de pessoas por aí, vocês acham que quero ficar atrás de uma mesa pelo resto dos meus dias. Ele defendeu-se.
— Ok, mas não serei seu padrinho. Fui em frente para dizer a ele, ele sorriu.
— Eu também não ia te pedir, será alguém que é a favor do casamento, não quero suas más vibrações no dia do meu casamento. Disse ele, divertido.
— Vamos ver o que temos aqui. Disse Frank, levantando-se e indo até o armário estreito encostado na parede do meu escritório. Eu tinha encomendado para os meus ternos, às vezes não tinha tempo de ir ao meu apartamento me trocar quando tinha uma reunião, então sempre procurava ter alguma roupa disponível aqui.
— Temos uma calça jeans, uma camiseta branca, acho que é perfeita para a noite. Ele disse enquanto passava a mão pelas minhas roupas.
— Não vou usar isso na sua festa de noivado. Eu disse, olhando para ele.
— Não é festa de noivado, só vou pedir ela em casamento em um bar. Ele esclareceu.
— Então será uma festa de noivado em um bar e pare de mexer nas minhas coisas. Rosnei enquanto o observava procurar por outra coisa.
— Vista a jaqueta de couro, fica bem com jeans. Ele me disse, fechando finalmente o armário para sair do meu escritório.
Esperei o idi*ota sair do meu escritório, e liguei para minha secretária pelo interfone.
— Lisa, por favor, peça um buquê de flores. Pedi à minha secretária.
— Tudo bem, Sr. Walton. Ela respondeu instantaneamente.
Neste dia eu tinha muitas coisas para fazer, precisava finalizar os últimos acertos para iniciar o projeto do hotel, estava mentalmente exausto, minha equipe e eu trabalhamos muito para isso e eles realmente mereciam sair e se divertir esta noite.
As horas haviam passado e eu não tinha percebido que já era nove da noite, m(aldito Frank vai me matar. Peguei meu celular para ligar para o Hugo, precisava chegar rápido ao bar, então enquanto esperava o Hugo me arrumei para sair.
Abri o meu pequeno armário e olhei as poucas roupas que tinha, não consegui vestir uma simples calça jeans e uma camiseta, Frank devia estar maluco se pensou que eu chegaria naquele lugar assim, na minha vida, os funcionários da Walton & Walton me veriam vestida assim. Ser CEO de uma empresa significava namorar seus funcionários, mas não ficar com eles, aprendi isso com o meu pai.
Então resolvi levar o jeans e uma das camisas casuais que eu tinha, vi meu celular tocar, era o Hugo, isso significava que ele já estava do lado de fora da empresa me esperando.
PONTO DE VISTA DE ALLISON FOSTER
— Allison, você pode desligar tudo, vamos fechar. Ordenou o Sr. Davis.
Sr. Davis era meu chefe, consegui esse emprego depois que fui demitida de outros dois empregos, havia sido demitida do restaurante e também de uma padaria, nenhum dos chefes anteriores aguentou os dias em que cheguei extasiada. Eu não o julgo, eu teria feito o mesmo.
Consegui esse emprego depois de ver o anúncio colado na vitrine do estabelecimento, era uma pequena lanchonete de café da manhã e sobremesas. Até agora foi um dos melhores empregos que eu poderia ter, o Sr. Davis nunca me tratou como outros chefes fizeram, talvez porque ele tinha duas filhas lindas e de certa forma ele tinha gostado de mim, ou talvez ele sentisse pena de mim. Já que eu havia chegado duas vezes ao seu estabelecimento para trabalhar drogada.
— Allison, este é o seu pagamento. Disse-me o Sr. Davis enquanto estendia o envelope na mão.
— Obrigado. Eu disse, pegando-o e depois recolhendo minhas coisas e saindo do local às pressas.
— Por favor, não desperdice seu dinheiro, ok? Ele me aconselhou antes de eu partir.
Eu sei por que ele disse isso. Ele disse isso porque no fundo ele sabe que agora vou ao bar Katana, para comprar entorpecentes.