@naosei.evc
— Anne olha o i********: — Diana disse me cutucando — você viu que cordeliafornow já está com mil seguidores?
— O que? Mas eu acabei de criar, tipo na madrugada. Não é possível — falo para Diana que gesticula em um sim.
Puxo o celular do bolso. +999 notificações.
— Temos uma famosinha anônima no nosso meio — disse Cole se sentando ao meu lado. — eita menina mil seguidores da noite para o dia, literalmente.
— Vocês viram que o i********: bateu 1k? — diz Margot com um sorriso vitorioso.
Cole me cutuca quando vê o esquadrão das loiras caminhando no meio do corredor. Elas fiscalizam, cada mesa e encaram cada garota de cabelos escuros. Sinto um arrepio. Elas caminham até nós, e Prissy encara Diana com os olhos semicerrados.
— Seus olhos não são azuis — diz com sarcasmo — tire ela da lista.
— Vocês estão procurando a mulher gato? — diz Margot.
— Isso não é da sua conta — responde Josie — não seja uma garota intrometida.
— Não seja ridícula Josie — Margot revira os olhos — todo mundo sabe que é isso que procuram.
Josie mordisca o lábio inferior e sai da mesa.
— Anne, hoje tem ensaio às 11h30 — avisa Ruby.
— Obrigada Ruby — respondo e as meninas a encaram sádicas.
Prissy movimenta a cabeça em negação enquanto Josie cutuca o esmalte aparentemente tensa, o silêncio torna-se constante, até sermos interrompidos pelo sinal de mais uma aula.
— Salvos pelo gongo — falou Diana se erguendo — acha que estão em uma busca incansável para descobrir quem é a certa garota que conseguiu tirar os suspiros mais minuciosos dos garotos de Avonlea?
— Obviamente — Margot segurou o caderno — vou para a aula, até mais.
Ela foi sentido oposto, Diana seguiu em frente e eu deveria encarar o professor Philips, que me odiava apesar de eu ser a sua aluna mais eficiente em gramática.
Entro na sala, todos já estão em suas cadeiras, exceto eu que por um acaso, sempre acabo chegando atrasada nessa aula.
— Anne Shirley — ele diz enquanto ajeita os finos cabelos levemente inclinados para o lado — é a última vez que você vai chegar atrasada nessa aula.
— Eu prometo que vou ser a primeira a chegar, Sr. Philips.
Me sento, ele inicia a aula. Os minutos passavam devagar, e eu precisava de alguma ideia criativa para poder iniciar o meu canal, como eu iniciaria?
"Olá eu sou a garota que todos vocês querem descobrir quem é?"
Elevo meus pensamentos, o que uma garota misteriosa diria?
Qual seria o primeiro assunto da mulher gato?
O que o garoto misterioso diria se a encontrasse pessoalmente e descobrisse sua verdadeira personalidade?
Qual o motivo plausível para essa minha brincadeira infantil?
Enquanto o professor Philips está de costas, aperto o botão central do celular e vejo um direct no i********:.
@naosei.evc deseja enviar um direct.
Sinto o ar ser expelido de meus pulmões com força. Puxo minha garrafinha e molho os lábios, minhas mãos tremem. Torno a olhar para o celular e finalmente aceito a solicitação.
Talvez esteja se perguntando, quem é:
Naosei.evc mas posso dizer, garota misteriosa, que desde que nossos lábios se encontraram naquela bela noite em meio a uma festa a fantasia, você é a única pessoa que pode definir de fato quem eu sou.
Sinto um breve sorriso se formar em meus lábios, mas logo, obrigo-me a desfazer a expressão "b****a" e me concentrar nos números que estavam sendo lançados na lousa.
Você é o garoto misterioso o qual me beijou em uma festa a fantasia e agora está exposto a um grande feitiço de amor que não pode ser quebrado.
Encaro os números. O celular vibra.
Ótimo, o que a obriga a quebrar esse feitiço com mais um beijo.
Sorrio involuntariamente.
— Anne Shirley — o professor chama minha atenção.
No mesmo instante o sinal toca. Salva pelo gongo mais uma vez.
. . .
Onze e meia. Corpo alongado, mente treinada para enviar os comandos aos meus músculos. Percorro os olhos em toda extensão da quadra, nada de garotas loiras, muito menos Queen Bee. Espero mais alguns minutos, elas chegam exatamente meio dia.
— Desculpe a demora, Anne — Winnie chega dando algumas estrelinhas — nos atrasamos pois estávamos esperando a Josie.
— Você disse que era porque... — Ruby tenta dizer mas é interrompida por Josie que a puxa bruscamente.
— Não ligue, Ruby às vezes fala mais do que deve — responde Winnie enquanto penteia os cabelos com os próprios dedos. — certo, às posições — ordena.
Todas se posicionam, opto por ficar atrás.
— Alongando.
Elas começam a se alongar, fico para observando-as.
— Eu disse, se alongando — a alta me encara com uma expressão ameaçadora.
— Estou me alongando há meia hora — lembro que estava lá a mais tempo que elas.
— Não importa — diz com irrelevância — você poderia estar aqui a dias, se eu mandei se alongar, você deve se alongar, Anne Shirley.
Concordo. Ser uma líder de torcida era importante para a admissão da faculdade, eu precisava de um bom histórico. Dane-se se isso, me deixaria parecendo uma c****a acorrentada de Winifred Rose.
Encaro o relógio, meio dia e quinze. Sinto um nó se formar em meu estômago, precisava entrar no serviço exatamente às 13h (isso se, eu não almoçasse, certo, um dia não me faria m*l).
— Agora que já estamos alongadas, vamos mostrar a nossa coreografia principal para Anne.
Elas começam a dançar, observo cada uma. Precisão, tempos, locomoção, sincronismo, espaço, transferências, elevações.
— Vocês mesmas se elevam? — questiono — lembro-me do campeonato municipal e tinham garotos também.
— Aparecem quando necessário — responde Prissy enquanto flexiona seu joelho pressionando-o contra suas nádegas.
— O campeonato municipal foi uma brincadeira b***a — desconversa Winifred — queremos ir muito além, queremos ganhar o campeonato regional da ilha do príncipe Eduardo.
— Isso nos levaria a Nova York, para participar das oitavas de finais de melhores líderes de torcida do mundo.
— Wow — digo surpresa — querem seguir carreira?
— Você não?
— Só quero ser admitida em um boa faculdade - tirando o fato de querer destruir vocês, penso - isso é o meu único objetivo.
— Sei lá, deveria fazer um trabalho de cuidadora de velhinhos — sugere Winifred — bom, seria perfeito para o seu processo de admissão.
— Obrigada pela sugestão.
— Eu fui da equipe de escoteiros da minha antiga cidade — diz Ruby — isso conta?
Uma hora.
"Anne daqui dez minutos o Sr. Flyn chega, onde você está? - Margot.
— Tenho que ir. — levanto-me — bom eu entro às 13h no serviço e se eu atrasar o Sr. Flyn ficará furioso.
Pego a mochila, estou com a roupa das líderes de torcida, mais amarelo que azul, parece que estou sofrendo de desidratação. Pego minha bicicleta. Ótimo, pneu furado. Encaro o relógio.
13h10.
— Isso só pode ser brincadeira Anne Shirley — me castigo enquanto ofendo-me — sua vida já é boa o suficiente para o pneu da bicicleta furar.
Passo a corrente e a amarro no estacionamento da escola.
— Hora de colocar sua caminhada matinal em dia.
Enrolo os cabelos em um coque, amarro os tênis brancos.
Certo, só alguns minutos de corrida não vai me deixar tão cansada.
Começo a correr. A correr... A correr...
O caminho, por mais que não fosse tão longe, naquele momento estava longe.
— Ei ruivinha — Gilbert me segue com a moto — quer uma carona?
Encaro Roy que encara Gilbert.
— Está atrasada, não está Anne?
— Tudo graças ao esquadrão de loiras... Maravilhosas que se atrasaram no ensaio de líderes de torcida.
— A propósito, está um verdadeiro veneno com essa roupa.
— Você é ridículo Gardner — sinto os meus cabelos se soltarem do coque.
Gilbert me encara, ainda na pista, com a moto acompanhando minha corrida não programada.
— Roy, desce — ele para a moto.
Paro imediatamente.
— Vai cara desce.
— Você não está falando sério — ele tira o seu corpo atlético da moto — Gilbert!
— Da o capacete para ela — ele fala.
Só consigo enxergar seu lindos olhos.
Olhos verdes com manchas castanhas
Altamente tóxico e sedutor.
— Eu não consigo acreditar.
— Segue o caminho Roy, eu vou deixar ela lá e volto pra te buscar.
— Não precisa eu consigo chegar lá em dez minutos. — falo.
— Seu patrão acabou de passar por nós e daqui uns cinco minutos chegará lá, Anne. Deixa de ser teimosa. Sobe logo nessa moto.
— E a questão do "e você, acreditou em mim?" — ironizo.
— Eu não me lembro de nada, você se lembra?
Naquele momento eu não poderia me lembrar disso, muito menos da bipolaridade de Winifred em sugerir algo que acrescentaria em meu currículo de admissão depois de eu ter lhe dado uma resposta bastante calorosa.
— Eu não me lembro. — pego o capacete e sento na moto.
— Terá que segurar em mim, se você não segurar, vou ter que parar para socorrer o seu corpo que ficou na pista.
Ele arranca com a moto, por pouco, meu corpo não fica estirado na pista. Posiciono a palma da mão em sua cintura, sentindo o vento chiando por dentro das brechas do capacete, meu corpo arrepia, e meu cérebro entra em estado de alerta.
Talvez Gilbert Blythe não fosse tão i****a assim.