Capítulo cinco.

1088 Palavras
Diga-me com quem andas... — E então Jerry, você aceita? — encaro o garoto que pensa. Seus cotovelos estavam apoiados no balcão enquanto ele mexia o suco de laranja, Winnie e seus companheiros ainda estavam lá, depois de eu ter lhe entregue o suco de morango. Margot estava na cozinha preparando algumas torradas. — Para que você quer fazer isso mesmo? Quando vou responder Ruby me chama. Caminho com passos rápidos até a mesa, se o Sr. Flyn chegasse e eu estivesse batendo papo com Jerry, ele me colocaria na forca. — Pois não? — tiro a cadernetinha do bolso já com a caneta posicionada. — Tem algo no meu suco — diz Winifred. Vou até ela. — Está vendo? Essas coisas pretinhas? — Sim, se chamam sementes — lhe encaro — não costumamos tirar as sementes do morango. Todos riem dela. — Por favor, me traga um suco sem sementes Anne — ela diz com arrogância. — Farei isso. Reviro os olhos e saio com o copo até a cozinha. — O que houve com o suco? — Margot encara o copo — não está bom? — Aparentemente está ótimo, mas a Queen Bee quer um suco sem sementes. Margot da uma risada irônica. — Não esperava menos, aquela lá só vai nos dar problemas. Assim que termino de coar o suco, respiro fundo e saio. — Não quer que eu leve? — Margot se oferece. — Obrigada Margot, acho que ela não vai mais reclamar disso. Vou até ela e lhe entrego o suco. — Aqui está. — Ainda tem resquícios da semente, garçonete — ela morde o lábio inferior — acho que você precisa fazer o seu trabalho melhor. Sem nenhuma clemência, a jovem loira de curvas sinuosas a qual eu referia como Queen Bee, se levanta e joga todo o suco no meu avental. — Não seja burra Anne, eu pedi um suco sem sementes. As garotas que estão com ela dão risada. Somente Gilbert e Roy, ficam sérios, encarando-me. Observo o copo, ainda faltava um pouquinho de suco a ser derramado. Seguro o vidro, encaro Winifred, respiro fundo. Eu poderia muito bem me vingar fazendo o mesmo, mas eu preferi guardar o rancor e segurar as lágrimas daquela humilhação pública. Eu teria minha vingança. — Deseja algo mais? Ela revira os olhos e torna a se sentar. O esquadrão loiro cochicha, e Ruby diz sem nenhuma descrição: — Isso foi desnecessário Winnie. O que me dava a entender que mesmo Ruby Gillis sendo somente a marionete mais inocente de Winifred, poderia ser facilmente convencida a abandonar a sua rainha. Um ponto para mim. — Certo Anne — Jerry me puxa antes que eu entre na cozinha. — mesmo não sabendo com clareza o que é, eu topo. Tudo estava dando certo. Mais um ponto para mim. . . . Todos os dias eu carregava um avental reserva caso o meu sujasse. Justo hoje que fui o alvo das gozações ridículas de Winifred, eu não estava carregando nenhum extra. Assim que deu a hora do meu almoço, eu corri para a lavanderia, que por sorte ficava ao lado da lanchonete. Deixo o avental, e peço para Mary deixar ele pronto até o meu horário de almoço terminar; após lhe contar tudo que Winnie fez comigo, ela garantiu que faria o possível para passar o meu na frente. Ando nas ruas de Carmody, observando as vitrines das lojas, e desejando para que meu almoço estivesse pronto. Jane Andrews apesar de ser uma Andrews, costumava ser gentil comigo. Seus pais tinham uma padaria que fazia Marmitex, e sempre que eu podia, solicitava uma. — Eai Jane. — Eai Anne — ela falou me entregando a embalagem — fiquei sabendo que minha irmã e suas amigas ridículas fizeram maldades com você. — Nada do que eu não possa superar. Sorrio, pago a marmita e vou em direção à lanchonete. Assim que chego dou de cara com a imagem de Gilbert, parado apoiado sobre o pé direito, com os braços cruzados e feição séria, observando a calçada movimentada do centro enquanto possivelmente procura alguém. Seus olhos semicerrados e cabeça movimentando de um lado para o outro indica isso. Passo por ele, como se ele fosse apenas um poste, e uma coisa que eu não faria nunca em minha vida seria cumprimentar um poste. Imagine a cena: "Oi poste" Antes que eu pudesse fazer a volta completa e entrar no estabelecimento ele segura meu braço na região do bíceps. Me sinto incapacitada de sair, afinal homens são muito mais fortes. "Por que os homens são mais fortes que as garotas?" Por um segundo questiono a Deus e a minha mente, me esquecendo completamente de que o garoto ainda está me segurando. — Espero que isso não seja um presságio r**m — lhe encaro com ira. Ele me solta. — O que você quer? — Pedir desculpas pelo que aconteceu hoje aqui — seu masseter contrai, evito admirá-lo. Tal perfeição fariam meus neurônios colapsarem, e dos meus ouvidos saírem a fumaça de todo meu sistema nervoso central em curto circuito. Pisco para retomar minha atenção. — Não preciso das suas condolências, muito menos depois de debocharem de mim. — Eu não fiz isso. — Uma garota má, é uma garota má, Gilbert — encaro seus olhos — Winifred é má e não são suas desculpas que vão mudar isso. Ele pisca confuso. Olhos verdes com manchas castanhas Altamente tóxico e sedutor. Desvio o olhar. — Eu sei que ela não é assim. — Talvez com você não seja. — Só saiba que eu não fiz parte disso. — Isso não muda o fato de que você estava lá e nem sequer lhe repreendeu. Se você não diz nada, para mim, significa que concorda. E por favor me dê licença, o ar está ficando poluído com essa melancolia enjoativa. — Você não tem esperança que as pessoas possam mudar? — Tenho, um cemitério inteiro de esperanças enterradas. — tento passar — você não é Jesus para mudar algo da água para o vinho, um milagre assim só Ele mesmo, o máximo que você vai conseguir meu amigo, é ser enganado. — Eu não sei o que vim fazer aqui — ele ergue os ombros perplexo — pensei que você fosse diferente. — Ah nossa — dou uma risada cínica — como se o que você pensa fosse importar para mim. — Mas importa para mim. Um nó se forma em minha garganta. Essa não era a sensação que eu esperava, muito menos a resposta. — Legal — sorrio ainda cínica, como se aquilo pudesse atingi-lo. — agora me de licença, eu preciso almoçar e depois buscar meu avental na lavanderia, sabe como é né? Trabalhar com o público é sempre difícil, principalmente para aqueles que querem fazer o m*l a você. Ele me olha com indignação. — Não fiz parte daquilo. — Isso não muda nada.
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