Miguel Acco
1 ano e meio depois
Às vezes creio que é assombroso demais ser um Mafioso,ou pior ainda,Cappo da máfia italiana. Cappo é praticamente sinônimo de chefe,líder.
Você mata e machuca pessoas. Acaba destruindo os seus inimigos, mesmo certas pessoas sendo máse merecedoras,creio que não cabe a mim julgar se devem ou não viver.
Até onde vai o preço a ser pago? A vida conta como pagamento de dívidas? Talvez aqui custe uma,duas,três ou mais vidas.
Mudei muitos aspectos quando fui nomeado o novo líder desta máfia. Eu quero impor presença, mas não como aquele monstro que aterrorizava os outros,e tinha prazer em estuprar mulheres e m***r crianças. Eu quero ser um ótimo líder,assim como desejo que me respeitem,e isso não por medo e sim por merecimento.
A Máfia Acco é poderosa o suficiente. Nós dominamos a Itália, sul do Brasil e parte de outros países europeus como a Alemanha, por exemplo. Continuamos sendo temidos,e não quero que minha fama se espalhe. Isso tendo em vista que eu não posso dar brecha para os meus inimigos. Entretanto,hoje afirmo com convicção que a vida das pessoas melhorou muito por aqui só pelo fato de que atualmente elas têm poder de voz e não sou ameaçadas a todo instante. Eu estou disposto a ouvi-las,afinal de contas nós uma família,e devemos estar unidos independentemente dos acasos impostos do destino.
Agora eu e parte do grupo estamos voltando para o Brasil. Isso depois de 1 ano e pouco somente na Itália. Eu deixei o Brasil sob comando do meu braço esquerdo usando Mateo por esse tempo. Minha preferência foi não me revelar ainda para a ruiva bella Giulia. Eu sei que deixei Mateo de olho nela,e tudo o que foi privada durante todo esse tempo,está sendo recompensada gradativamente. Até porque ela não podia estudar nem nada,e o pior é que nem ela sabe que era para ser amante do Israel. Fora que quando ela era pequena,ele já havia até feito um ritual prometendo-a para si diante de todas da máfia. Agora sobrou tudo para mim e eu preciso resolver as merdas desse crápula. Além de que a maldita Beatriz ressurgiu dos mortos para nos atormentar. E o pior de tudo é que não localizaram ela ainda. Ela simplesmente apareceu e disse que tem gente querendo entregar nossa máfia.
Há um ano e meio atrás exatamente no dia do enterro daquele maldito,Timur me disse sobre o tal ritual que foi feito sobre a menina ser amante do Israel,só que eu preferi não assusta-lá contando que como ele morreu,ela acabaria tendo que ser a minha amante. Alem de que eu posso ter todo defeito,mas não sei se conseguiria obrigar ela a passar por mais essa na vida, sendo que já sofreu tanto durante esses anos todos. Claro que por mim eu aceitaria na hora,mas fugi. Isso foi uma covardia da minha parte,eu sei,mas voltei para a minha terra e tentei contornar a situação. O complicado é que praticamente todos daqui sabem sobre essa bendita promessa e estão me pressionado a respeito disso,esperando que eu tome a decisão de "reinvidicá-la".
A situação está insustentável e por mais que sejamos forte,não podemos perder o apoio de outros países que possuem as suas respectivas máfias também.
Horas e horas depois,finalmente 9 nosso jatinho pousa em solo brasileiro. Eu e o restante descemos e logo avistamos Mateo e o outro grupo. Eles vieram nos receber para assim podermos ir até a casa onde viverei durante esta temporada.
—Grande Miguel—Meu amigo me cumprimenta, sorrindo como sempre.
—Mateo,quanto tempo,cara?!-Cumprimento de volta em um audível português.
—Você sabe que não precisava ter sumido por esse tempo todo,não?-Diz. Sim,eu sei. Mas quem disse que tive coragem de jogar na cara de Giulia a verdade toda? Fugi na tentativa de deixá-la viver sem problemas passados por um período de tempo e aproveitar e aprender coisas novas. Deixei que ela se descobrisse,ou tentasse. Porque eu tentei e não consegui.
—Eu fiz o que achei que devia ter feito. -Falo por fale e ele faz uma careta,mostrando que não foi convencido com a minha fala. Ok,entendo que não sou muito bom com mentiras.
—Tudo bem,então! -Fala por falar também. —Vamo?-Chama imediatamente.
Após todos nos cumprimentarmos,fomos para os carros. Como éramos bastantes pessoas,não fomos todos juntos. Para começar que não caberia.
Finalmente chegamos. A casa continua como eu me lembrava. Eu mandei que fizessem apenas algumas alterações. É uma imensa e bela casa. A chamada sede é muito arborizada, possui dois andares,diversas suítes,piscina,área de lazer e assim vai. Nela há muito conforto a ser proporcionado.
Logo que entramos,minha querida vó Gio vem me abraçar calorosamente como sempre. Não nos vimos durante esse tempo,apenas por vídeo chamada quando Mateo mostrava-a para mim.
—Io non la penso così! Miguel, figlio!*—( não creio! Miguel,filho)—Vem ao meu encontro,amorosa como sempre.
—Ci scusiamo per tutto!*—(desculpe-me por tudo)
Como é bom se sentir acolhido em casa novamente. Juntamos-nos,conversamos bastante e como está no final da tarde,vó Gio traz o chimarrão e amendoim para eu,ela,Timur e Mateo que logo chega com a sua recém esposa. Sei do relacionamento deles até porque como contar a alguém que não era da máfia que você faz parte dela?Eles se amam,percebo isso. Se ele não fosse esperto,outro cara seria.
Estávamos conversando,rindo e aproveitando esse momento para esquecermos um pouco dos imbróglios que nos cercam. Até que uma voz suave nos chama a atenção.
—Nonna, hai visto la mia...?*—(vó,tu viu minha...?)
Não acredito nisso. Eu sabia que hora ou outra teríamos esse encontro,eu já tinha até previsto como seria mas nem em meus mais inimagináveis sonhos pensei que seria assim,de forma tão espontânea e surpresa.
Parece que nada mais existe nessa sala. Parece que só tem eu e ela ali,naquele momento,e como se fosse algo nosso,noque e meio estranho para um primeiro momento.
Encaramos-nos por longos instantes,eu percebo que está tão surpresa com minha presença quanto eu com a dela,até porque a nonna disse que eu veria-a apenas amanhã. Eu já tinha ensaiado em como eu abordaria-a quando a visse no outro dia mas não,tudo foi por água abaixo porque ela está aqui e agora na minha frente,como se fosse em 3D,com aqueles olhos analisando-me e avaliando-me assim como eu estou admirando-a como sempre faço. É como se tivéssemos uma conexão,que até para falar,falamos juntos,em uníssono.
—Você!