Cinco anos haviam se passado desde a noite chuvosa em que Gabriel veio ao mundo.
O tempo transformou não apenas Ana, mas tudo ao redor dela.
O Café do Luar já não era apenas um pequeno ponto no centro da cidade — era agora uma rede com oito unidades espalhadas pelo estado, cada uma mantendo o charme original e a marca registrada: cafés especiais, doces autorais e um atendimento caloroso.
Ana havia se tornado uma empresária respeitada. Revistas locais e programas de TV regionais disputavam entrevistas com ela, e seu nome era sinônimo de sucesso e inspiração.
Mas, apesar de todo o reconhecimento, sua rotina preferida continuava sendo o café da manhã com Gabriel antes de levá-lo à escola.
— Mamãe, hoje posso te ajudar no balcão? — ele perguntava, já vestindo um miniavental com o logo da cafeteria.
— Só depois da lição de casa, mocinho — respondia Ana, rindo, enquanto ajeitava o cabelo do filho.
Gabriel tinha os mesmos olhos de Miguel. Ana evitava pensar nisso, mas às vezes, ao encará-lo, o passado vinha como uma onda silenciosa. Ela respirava fundo e lembrava de tudo que havia feito para protegê-lo.
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Enquanto isso, em São Paulo, Miguel ainda estava noivo de Isabela Azevedo.
O casamento, porém, permanecia sem data marcada.
— Miguel, já se passaram cinco anos! — reclamou Isabela durante um almoço de negócios. — Até quando vamos ficar nesse noivado eterno?
Ele sorriu sem graça. — Isabela, você sabe que meu foco está na empresa agora. Casaremos no momento certo.
Na verdade, ele já não via sentido naquele relacionamento. Mas romper significaria enfrentar Helena… e Miguel não tinha ideia de como começar essa batalha.
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Naquela mesma semana, em um aeroporto, Miguel aguardava seu voo para uma reunião fora do estado.
Para matar o tempo, folheava uma revista de negócios. Até que parou na página central: “Rede Café do Luar: a história de Ana Clara, a mulher que transformou 2 milhões em um império gastronômico”.
A foto mostrava Ana de vestido branco simples, sorrindo atrás de um balcão, com Gabriel ao lado segurando um copo de chocolate quente.
O coração de Miguel acelerou. Ele tocou a imagem, como se o papel pudesse lhe responder.
Cinco anos. Ela estava viva. Linda. E tinha um filho…
Miguel fechou a revista lentamente, mas a imagem já estava gravada.
Naquele momento, uma certeza nasceu dentro dele: ele precisava vê-la.
Custasse o que custasse.