A mansão estava silenciosa, iluminada apenas por abajures dourados. Helena estava sentada na poltrona da sala, bebendo seu vinho favorito, como se o mundo ao redor ainda girasse em torno dela. Quando a porta se abriu, não se levantou. Apenas ergueu os olhos e disse, com desprezo: — Demorou. Miguel entrou, os passos firmes, a expressão dura. Ele não parecia o filho que ela conhecia. Parecia um juiz pronto para dar a sentença. — Sabe de onde eu venho, mãe? Da delegacia. Helena arqueou a sobrancelha. — E? Miguel avançou, apoiando as duas mãos sobre o braço da poltrona, inclinando-se até que seus olhos estivessem a centímetros dos dela. — Lobo me pediu dois milhões para não dizer quem estava por trás do sequestro do meu filho. Helena não piscou, mas sua respiração falhou por um instant

