O vento da rodovia soprava poeira fina pelo ar. Miguel estava imóvel, o coração em guerra, mas o rosto gelado como pedra. Lobo mantinha Gabriel perto, a arma oculta sob a jaqueta, enquanto seus olhos avaliavam cada detalhe da cena. — Coloque a maleta no chão. Devagar. — ordenou, a voz baixa mas cortante. Miguel obedeceu, ajoelhando-se lentamente. Ao apoiar a maleta no asfalto, pressionou com o polegar o botão minúsculo escondido no fundo falso. O rastreador ativou-se sem som, sem luz. Nada que pudesse denunciar o plano. Levantou-se e deu dez passos para trás, como Lobo exigira. Seus olhos nunca deixaram os de Gabriel. — Papai… — murmurou o menino, a voz embargada. — Vai ficar tudo bem, filho. — Miguel disse, firme, mas o peito queimava. Lobo avançou, curvando-se sobre a maleta. Abriu

