Miguel não conseguiu dormir na mansão. O silêncio parecia gritar em seus ouvidos, os corredores se tornaram longos demais, e cada sombra parecia carregada de lembranças. Às três da manhã, levantou-se, vestiu o casaco e decidiu ir para sua cobertura. Precisava respirar longe das amarras da família. O carro estacionou diante do prédio luxuoso, e ele entrou pela portaria. O que não esperava era dar de cara com ela. Ana. Vestia um casaco claro, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, e segurava o celular como quem acabara de enviar uma mensagem. Seus olhos se arregalaram ao vê-lo, mas não houve tempo para reações. Ele avançou um passo, firme, e segurou seu braço com suavidade, mas sem permitir fuga. — Precisamos conversar. — disse, a voz grave, carregada de urgência. Ana respirou fundo

