Capítulo 39 — O Menino do Balcão

362 Palavras
Ao sair do consultório, Helena estava animada, falando sobre enxovais e nomes de bebês. Isabela, sorridente, aproveitou a boa disposição da sogra. — Já que estamos todos aqui, que tal almoçarmos fora? — sugeriu. Helena concordou de imediato. — Podemos conhecer aquela cafeteria chique que está em todas as revistas? Miguel apenas assentiu, desejando chegar logo em casa… mas o destino tinha outros planos. --- A fachada de vidro da cafeteria refletia o movimento da rua. Lá dentro, Ana estava no caixa, conferindo pedidos, quando viu, pelo reflexo, um carro luxuoso estacionar. Reconheceu Miguel no mesmo instante. O coração disparou. Sem pensar duas vezes, chamou uma funcionária: — Assuma o caixa um momento, por favor — e desapareceu discretamente para os fundos, tentando evitar qualquer contato. --- Na porta, Isabela entrou de braços dados com Helena, seguida por Miguel, que olhou rapidamente em volta. O aroma do café gourmet o fez parar por um instante, observando o ambiente elegante. Ele se afastou da mesa, curioso para ver os detalhes do balcão enquanto as duas mulheres se acomodavam. Foi então que um garotinho se aproximou. — Oi! — disse Gabriel, com um sorriso espontâneo. Miguel se abaixou para ficar na altura dele. — Oi, campeão. Como você se chama? — Gabriel — respondeu, animado, segurando um biscoito que a atendente havia lhe dado. Miguel reparou nos olhos castanho-claros, no jeito de sorrir… algo naquela criança despertou uma sensação estranha, uma familiaridade que não conseguia explicar. — Quantos anos você tem? — Cinco! — respondeu, mostrando a mão aberta. Antes que Miguel pudesse continuar a conversa, a voz de Isabela soou do outro lado da cafeteria: — Miguel, venha logo! Estamos esperando. Ele lançou um último olhar para o menino antes de se levantar. A sensação incômoda permaneceu, mas ele a afastou, retornando à mesa. Gabriel, distraído, voltou a brincar com um carrinho que tinha no bolso — sem imaginar que acabara de falar com o próprio pai. --- Nos fundos, Ana respirava fundo, ouvindo de longe o som de vozes conhecidas. Sabia que não poderia se esconder para sempre… mas naquele dia, não tinha forças para enfrentar a tempestade que aquele encontro traria.
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