Lilian

4715 Palavras
Old at heart but I'm only 28 Velho de coração, mas tenho apenas 28 And I'm much too young E sou muito jovem To let love break my heart Pra deixar o amor partir meu coração Passava da uma da tarde e Harry pôs duas malas no carro, não parou pra pensar no que estava fazendo, provavelmente desistira da ideia se ponderasse sobre suas decisão. Havia falado com Gemma e estava rumo a Newcastle, não sabia exatamente por quanto tempo, mas não iria ser por pouco. Considerava o fato de que, se arrumasse um emprego lá, não voltaria a Londres. — Filho… — Anne, que sempre fora acostumada a ter Harry por perto, estava com o coração partido. — Por favor, pense melhor… — Mãe, eu preciso disso… — Harry respondeu fechando o porta-malas do carro. — Eu devia ter feito isso há muito tempo… — Ele disse abraçando a mãe por longos segundos. — Eu eu vê-lo, mãe… Eu não vou conseguir ir embora. Só de olhar pra ele, eu vou fazer qualquer coisa pra ficar com ele… — Mas é isso que seu coração quer, Harry… — Anne dizia desfazendo-se do abraço e acariciando o rosto do filho. — Mas não é o certo. — Harry respondeu respirando fundo, sentindo uma dor absurda dentro de si, mas convencido de que aquilo era o certo. — Você sabe que ele vai vir procurar por você… — Ela disse triste de ver o filho partir. — Eu sei. — Harry disse tirando as chaves do carro do bolso. — E a senhora não vai falar onde eu estou, mãe! — Harry! — Mãe, ele vai ir atrás de mim! — Harry dizia com um certo pânico ao imaginar a situação. — E ele precisa ficar com a mulher dele, ele vai ser pai… Ele tem uma família… Ele não sabe o que sente por mim, está confuso e está tomando decisões erradas. — Aquele homem te ama, Harry. — Anne dizia com uma sabedoria única. — Não, mãe… — Harry dizia não querendo mais ouvir aquilo, com medo de acreditar. — Ele não sabe o que está fazendo, eu o envolvi, deixei acontecer… Nos conhecemos há dois meses… Ele está com Eleanor há anos, isso não faz o menor sentido. E mesmo que fosse, ele precisa ficar com ela. Prometa que não vai dizer a ele onde estou! — Filho, eu… — Prometa, mãe! — Harry pediu sério. — Tudo bem, eu prometo. — Ela disse conformada. — Filho, eu admiro sua nobreza. — Anne disse olhando nos olhos bonitos de seu primogênito. — Sério, você sempre foi esse menino cheio de bondade, sempre abrindo mão das suas coisas para dar aos outros… — Ela sorriu triste, mas orgulhosa. Nem acreditava que tinha conseguido criar aquele menino sozinha sem transformá-lo num rebelde. — Da vez que voltou sem casaco pra casa porque havia dado ao seu colega de escola que sentia frio… Ou das vezes em que levou a culpa por coisas que a Gemma fez… — Mãe, pare com isso… — Ele sorriu ao ouvir aquelas coisas. — Você é um homem grandioso, Harry… Eu te amo muito, meu filho. — Ela dizia voltando a abraçá-lo. — E, por mais que eu admire essa qualidade em você, deixando que você se vá, é meu dever como mãe também dizer quando está errado… Harry respirou fundo, sentia-se uma criança protegida nos braços daquela mulher, mesmo que fosse muitos centímetros maior do que ela. Sentia seu coração doer por deixá-la, mas sabia que era temporário. Ele só precisava mostrar a Louis durante um tempo que não queria vê-lo, talvez ele recobrasse o juízo e voltasse para sua família. As coisas deveriam ser assim e, mais uma vez, Harry escolhia carregar a cruz sozinho, mesmo sabendo que sua mãe em parte estava sofrendo com aquilo. — Eu te amo, mãe. — Ele disse beijando a testa de Anne. — Espero que vá pra lá no final de semana. — Ele disse e ela apenas confirmou com a cabeça. — Conversaremos melhor, quando eu estiver mais preparado. — Também te amo, meu querido. Dirija com cuidado. — Ela disse fechando o casaco fino de lã para proteger-se do frio e observando Harry entrar no carro. Não era fácil pra ela ver aquela cena, mas sabia que não iria fazê-lo mudar de ideia quanto ao assunto. Styles precisava daquilo e nada o convenceria naquela hora do contrário, ele iria até o fim, tentaria o máximo, aquele era seu limite. No fundo, Anne até estava interessada em saber como aquilo se desenrolaria, até porque sabia que aquilo não era o fim, tinha certeza que ainda veria Louis muito em breve aparecendo por ali, atrás de Harry. Viu poucas vezes aquele homem, mas os olhos dele falando com seu filho ou simplesmente olhando pra ele, eram impossíveis de não serem notados. Anne voltou à floricultura conforme o carro ia se afastando, rumo à estrada que deixava Londres.  x.x.x So nobody ever told us baby Então ninguém nos disse, amor How it was gonna be Como seria So what'll happen to us baby Então o que acontecerá conosco, amor Guess we'll have to wait and see Acho que teremos que esperar pra ver Louis estava diante de uma situação em sua vida que nunca pensou que estaria. Na verdade, se alguém tivesse contado a história de sua vida pra ele em seu passado, como uma visão do futuro, ele não teria acreditado. Nunca pensou que estaria visualizando toda sua existência sendo colocada à prova, questionando o que antes achava serem certezas e verdades absolutas. Enquanto subia o elevador do prédio onde morava com Eleanor, sabia que provavelmente seria a última vez que faria aquilo e, talvez, por um bom tempo, seria a última vez que falaria com ela. Já passavam-se das seis da tarde e ele havia falado com Liam, que lhe contou o que houve com Eleanor. Antes, tentou durante algumas horas falar com Harry, mas o celular dele continuava dando sinal de desligado. Pensou em suas prioridades e no quanto seria melhor mesmo que ele se resolvesse com Eleanor antes de procurar Harry. Era estranho se imaginar tendo que bater naquela porta, mas preferiu assim, ao invés de simplesmente entrar. Eleanor demorou alguns minutos para atender a porta, mas quando o fez, Louis m*l conseguia reconhecê-la. Estava abatida, claramente havia chorado muito, seus olhos estavam vermelhos, mas ela não quis olhar muito para Louis quando o viu na porta. Apenas abriu dando passagem para que ele entrasse e, mesmo que não soubesse exatamente o que pensar sobre a conclusão daquela conversa, ela sentia-se triste a ponto de achar que nunca mais conseguiria ser feliz. Tentava agarrar-se em sua maternidade, naquele milagre da vida para tentar seguir em frente, mas era muito triste para ela ver o amor de sua vida partir. — Desculpe não atender o celular, eu tomei remédio pra dormir ontem a noite. — Louis explicou inseguro, com medo, envergonhado. — Prometo que isso nunca mais vai acontecer. — Está tudo bem, Louis. — Ela disse cansada, fazendo um gesto sutil com a mão. — Eu estou bem, só tive uma crise de nervos e Alice insistiu para me levar ao hospital, estava preocupada… — Ela fez bem. — Ele comentou mais firme dessa vez. — Mas não se preocupe, eu só queria avisar que estava bem. — Ela disse suspirando e finalmente sentando-se no sofá da sala, como se estivesse cansada demais para ficar em pé. Ela encarava a varanda com a porta de vidro um pouco aberta. O vento fazia as cortinas dançarem e ela percebeu que até mesmo aquele lugar a fazia sentir-se m*l, com lembranças, aquela decoração toda havia sido escolhida por ela e Louis, todos os momentos lembravam os dois, ela sabia de todas as histórias por trás da escolha de cada vaso, cada vela e cada quadro. Era perturbador olhar para tudo aquilo sem imaginar que tudo havia sido uma enorme perda de tempo. Cada detalhes de seu planejamento para festa de casamento, cada flor no altar, cada centímetro do tapete vermelho, cada música escolhida… Tudo em vão, tudo para acabar daquele jeito… Os votos, a cumplicidade, as promessas que ouviu de Louis… Nada daquilo era verdade e, parte dela, duvidava que um dia qualquer coisa que ele tenha dito era verdade. — El… — Ele disse diante do silêncio dela, como se quisesse a trazer de volta para a realidade. Ele sentou-se ao lado dela e ela apenas piscou os olhos como se quisesse acordar de algum pesadelo. — Eu sinto tanto por tudo isso… — Eu também, Louis. — Ela respondeu num sussurro, já sentindo as lágrimas novamente. — Eu quero que saiba que, mesmo com tudo isso e sem ter o direito de querer que você acredite nisso, mas eu vou estar com você durante essa gravidez toda. — Louis dizia com cuidado, mas ela simplesmente não olhava pra ele. — Eu quero participar, quero ir em todas as consultas médicas, quero acompanhar o crescimento dela… Nada mudou quanto à minha responsabilidade e meu amor por essa criança! — Isso chega a ser engraçado de tão ridículo. — Ela risse limpando as lágrimas do rosto e finalmente olhando pra ele. — Agora, você está aí, todo empolgado, querendo participar… Eu diria que até ansioso com a ideia de ser pai… Mas você não parecia nenhum pouco feliz no dia que contei a notícia e nem nas semanas seguintes. — Ela disse e Louis suspirou baixando os olhos. — Eu achei que estava com medo apenas, talvez esse tipo de coisa seja diferente para os homens, não sei… Mas agora eu entendo… — Ela sorriu triste. — Aposto que eu engravidar foi um gatilho no seu medo de perder Harry. — Não, não foi isso. — Louis disse sem ter certeza. — Foi, Louis, é claro que foi. — Ela disse convicta. — Mas tudo bem, eu não quero ficar pensando em coisas ruins, em negatividades… Eu estou me conscientizando que nada disso foi minha culpa. — Não foi, El, não foi. — Tomlinson dizia ávido, segurando em uma das mãos frias dela. — Em nenhum momento você fez nada de errado. A culpa é inteiramente minha, eu estou errado e se nunca me perdoar, eu vou entender perfeitamente. — Seu tom de voz era decidido. — Eu não quero falar sobre isso agora, Louis. — Ela disse respirando fundo. — Não me peça nada, por favor… — Não pedirei. — Ele disse afastando-se dela um pouco no sofá. — Só quero que saiba que estarei sempre disponível pra você, a qualquer hora do dia, da noite, do mês, do ano… Quero que continue contando comigo, El. — Ele dizia olhando pra ela com tanta tristeza em seu rosto, que ele realmente nunca pensou que fosse sentir uma dor tão grande ao ver alguém sofrer por sua causa. — Eu preciso de um tempo longe de você, Louis, mas não se preocupe… — Ela disse ajeitando a postura e tentando agir racionalmente. — Não pretendo te afastar de Lilian, vai saber tudo dela… — Lilian? — Louis perguntou confuso. Logo em seguida, viu Eleanor colocar a mão sobre o vente, acariciando a saliência de não mais que seis semanas de gravidez. — Sempre dissemos que, se fosse menina, eu escolheria o nome, mas se fosse menino, seria você. — Ela disse e finalmente viu um sorriso se abrir no rosto de Louis, como se aquilo iluminasse a penumbra daquela sala. — Lilian… Certo… — Ele disse percebendo a cada momento o quanto aquilo ia se tornando mais e mais real. — Gostei. — Ele sorriu e não resistiu em abraçá-la. Mesmo sabendo que era cedo demais pra aquele tipo de afeto, ela correspondeu. Não havia nada no mundo que fosse capaz de separá-los por completo, tinham uma conexão, um laço que os prenderia até mesmo além da vida, especialmente agora que aquele laço tinha um nome. Estava sentindo-se culpado e não merecedor de nada daquilo, achando que Eleanor era dona de uma honradez absoluta, por manter-se racional e não pensar em simplesmente vingar-se dele por tudo aquilo. Olhou nos olhos dela e lembrou-se imediatamente de todos os motivos pelos quais havia se encantado por aquela mulher desde a primeira vez que a viu. Ela não era apenas bonita, ela era a única pessoa no mundo capaz de encontrá-lo numa época em que ele queria se esconder do mundo. Num ato de despedida, ele puxou o rosto dela e beijou os lábios dela com carinho, doçura, como se não conseguisse encontrar palavras que demonstrassem todo respeito que sentia por ela embora não tivesse demonstrado muito nos últimos meses. Sabia que a amaria para sempre, mas agora de um jeito diferente, sabia que nunca iria conseguir substituí-la em sua vida e que ela ocupava um lugar em seu coração que jamais ninguém tomaria. — Eu te amo, Eleanor. — Ele disse sincero, olhando nos olhos dela cheios de lágrimas. — E eu quero que você seja muito feliz. Sempre. — Eu também quero que seja, Louis. — Ela disse enquanto ele limpava as lágrimas dos olhos dela. — Mesmo que não seja comigo. — Ela concluiu e ele novamente a abraçou. Não imaginou que fosse sofrer tanto por deixá-la. Arrependia-se amargamente de não ter tido uma conversa franca com ela, sabia que aquilo entraria para sua lista de erros que ele jamais repararia, mas faria seu melhor o resto da vida para não repetir. Foi um dos momentos de sua vida que sentiu que alguma coisa entre eles havia se quebrado e ficaria sem conserto por um bom tempo, talvez para sempre. — Me ligue se precisar de qualquer coisa. — Ele disse após um longo silêncio entre eles. — Tudo bem. — Ela disse limpando o rosto enquanto ele se levantava. — Cuide-se também. Ela concluiu e, extremamente arrasado, Louis deixou o apartamento. I'll never find anyone to replace you Nunca encontrarei alguém que te substitua Guess I'll have to make it through, this time Acho que vou ter que passar por isso sozinho dessa vez Oh this time Oh dessa vez Without you Sem você Sentia que aquela tristeza toda o purificava de alguma forma. Por mais que soubesse que, assim que bateu a porta, Eleanor iria voltar a chorar e faria aquilo por alguns dias, ele sentia que tinha feito a coisa certa apenas pra variar. Mesmo sabendo que era livre para estar com Harry agora, ele sabia que ainda assim não seria tão fácil, mas parte de si não conseguir conter a felicidade. Finalmente poderia olhar nos olhos dele e dizer que, finalmente, ele pertencia somente a ele e que não precisariam mais se esconder de nada e nem de ninguém. Aguentaria as consequências de seus atos, como já deveria prever que viriam. Entrou no carro e andou rumo à floricultura de Harry, ainda não conseguindo encontrá-lo pelo telefone depois de tentar o dia inteiro. Não sabia bem o que dizer, mas estava finalmente deixando aquela felicidade tomar conta dele, como se as coisas estivessem certas pela primeira vez em meses. Agora podia simplesmente beijar e abraçar seu amor sem medo ou culpa, era o começo de algo novo para Louis e ele iria aproveitar cada segundo de forma diferente a partir daquele dia. Sentia-se preparado e confiante no futuro que o aguardava. Estacionou o carro em frente à floricultura depois de alguns minutos dirigindo até o centro de Londres, e desceu, quase saltitando. Esperou ver Harry no caixa, mas Anne estava lá, despedindo-se de alguns clientes que saíram com buquês bonitos e arranjados, pensou que poderia mesmo ter trazido um presente para Harry, para marcar aquele momento, mas sua cabeça estava ocupada demais pra sequer lembrar daquilo. — Boa tarde, Anne. — Louis disse sorridente, mas a mulher não retribuiu na mesma intensidade. Ao mesmo tempo que esperava mesmo que aquele momento fosse acontecer, ela não queria ver o olhar de decepção de Louis quando ela dissesse que Harry não estava ali. — Harry está por aí? — Ele apoiou-se no balcão. — Olá, Louis. — Ela disse pegando as chaves da porta da loja e fechando-a em seguida, mudando a placa para “Fechado”. — Me desculpe, mas o Harry não está. — Ela comentou sem graça, voltando a olhar pra ele e o vendo com o cenho franzido. — E onde ele foi? Eu preciso muito falar com ele. — Ele disse com um sorriso um pouco nervoso ao notar a expressão daquela mulher, como se não estivesse nada confortável com aquilo. — Ouça, Louis… — Ela começou com cuidado, não queria se envolver naquilo e agora tinha se dado conta de que deveria ter insistido para o próprio Harry ter dado um fim aquilo e não simplesmente fugir. — Harry precisa ficar um tempo longe, ele não se sente bem com essa situação e… — Eu e Eleanor não estamos mais juntos. — Louis a interrompeu, achando que Harry simplesmente havia cansado de esperar que ele falasse com a esposa. — Conversamos e… Bem, as circunstâncias não são as melhores, mas infelizmente tinha que ser assim. — Harry sabe. — Anne disse e Louis pareceu bastante surpreso ao ouvir aquilo. — Alice esteve aqui e, bem, desconfio que ela andou dizendo coisas demais, que mexeram com a cabeça dele. — Ela explicou e nem era necessário dizer muito, Louis conhecia bem Alice pra imaginar o que ela tinha dito. Toda aquela devoção pela melhor amiga fazia Louis tremer só de pensar no que Styles escutou. — Essa mulher não sabe cuidar da própria vida. — Tomlinson baixou os olhos imaginando o estrago que aquilo tinha causado. — Só diga onde ele está, Anne, eu vou conversar com ele. — Ele me fez prometer que não diria. — Anne disse sem graça e Tomlinson respirou fundo. Aquilo era tão típico de Harry que ele teve vontade de matá-lo. Sempre fazendo o que era certo para outros, menos pra ele. — Ouça.. — Louis se aproximou dela e falou olhando nos olhos dela. — Eu sou completamente apaixonado pelo seu filho, Anne. — Eu sei, querido… É que… — Olhe nos meus olhos e me diga se isso é apenas passageiro. — Ele disse como se soubesse exatamente o que ela ia dizer. Era, afinal, o que todos diziam, que aquilo passaria, que era só algo novo, que ele voltaria ao seu senso a qualquer momento. Mas Anne realmente viu aquele homem decidido, sabendo exatamente o que queria. Não o conhecia bem, mas saberia reconhecer as coisas mais complexas nas pessoas apenas pelo seu tempo de vivência. Sabia que Louis estava disposto a ir até as últimas consequências para viver aquele amor e, deixar sua mulher, fora apenas a prova que ele precisou dar ao mundo. A escolha havia sido feita e, mesmo que fosse a errada, era a escolha dele, apenas por sua vontade, não para agradar as pessoas. — Eu não vou permitir que faça meu filho sofrer. — Anne disse séria. — Então preste muita atenção no que está envolvendo-o, Louis. — Ela parecia a mãe do próprio Louis falando, ele reconheceu aquele tom maternal de quem protegeria sua cria de tudo e todos, e ouviu calado. — Meu filho já sofreu demais por várias coisas e o admiro por nada disso tê-lo transformado numa pessoa odiosa… Confio nos instintos dele. — Eu entendo… — Louis dizia respirando fundo. — Então ele está aqui, te dando a oportunidade de fazer a coisa certa. — Anne continuou relaxando os ombros. — Da forma que ensinei a ele, sempre dar escolhas às pessoas… Não só ele, mas também à Gemma. — Ela disse a última frase de forma sugestiva e Louis entendeu perfeitamente o motivo de ela ter citado a caçula dos Styles. — Ele está em Newcastle? — Louis abria o sorriso aos poucos ao entender bem a dica. — Ele está, não é? — Como eu disse, Louis… — Anne respirou fundo, com um sorriso contido. — Ele me fez prometer que eu não diria nada. — Obrigado. — Ele riu entendendo o recado e abraçando-a por alguns segundos. — Sério… Ela pegou um pedaço de papel em cima do balcão e escreveu o endereço de Gemma em Newcastle e entregou a ele que m*l podia acreditar na adrenalina que corria em suas veias. Ela apenas riu o vendo deixar a loja com pressa, provavelmente iria dirigir as seis horas até Newcastle sem nem pestanejar. Talvez ela soubesse que, no fundo, Harry tinha certeza que aquilo aconteceria e, só de ver o rosto apaixonado de Louis, nem mesmo Anne foi capaz de resistir, Harry realmente não teria a menor chance. Ela fechou a floricultura e até pensou em avisar Gemma ao menos, mas conhecia sua filha a ponto de saber que ela não seguraria a língua e contaria a Harry que Louis estava a caminho. Preferiu deixar as coisas correrem seu curso, talvez seria muito mais fácil para ambos se resolverem sem a interferência de ninguém. Já haviam pessoas demais com opiniões para aquele romance que, no fundo, só dizia respeito aos dois. 'Cause I see the storm getting closer Porque vejo a tempestade se aproximando And the waves they get so high E as ondas estão ficando altas Seems everything we've ever known's here Parece que tudo que sempre soubemos está aqui Why must it drift away and die Por que isso deveria se perder e morrer? x.x.x Louis chegou em Newcastle de madrugada. Pagou uma noite num hotel barato apenas para poder descansar depois de horas dirigindo, porque, claro, ele não conseguiu dormir. Só conseguia pensar em Harry, em estar com ele e não iria planejar nada o que dizer, sabia como convencê-lo a perder aquele medo. De manhã cedo, por volta das sete e meia, ele estacionou o carro em frente ao prédio modesto em que Gemma morava com a filha e o marido. Encostou-se no carro e, no momento em que se perguntou se estava no lugar certo, viu a moça saindo de mãos dadas com a pequena Grace. A menina tinha uma mochila da Barbie nas costas e carregava um urso de pelúcia de maneira adorável, enquanto andava com a mãe pela calçada. Ela sorriu ao ver Louis parado em frente à sua casa, mas não estava surpresa. — Por que demorou tanto? — Ela dizia aproximando-se com a filha, em tom de brincadeira. — Trânsito. — Ele respondeu sorrindo no mesmo tom. — Vou levar Grace à escola e depois vou trabalhar, mas… — Ela recomeçou ainda brincando. — Talvez possamos almoçar todos juntos. — Assim que ela concluiu, Louis percebeu mesmo que tinha o apoio dela também. — Também espero. — Ele comentou e, em seguida, viu Grace olhando curiosa pra ele. — Ele está lá em cima. — Ela disse referindo-se obviamente a Harry. — Pode subir, é no 415. — Gemma realmente parecia extremamente feliz com a presença de Louis ali, como se realmente reavivasse sua esperança no amor que imaginou que havia entre os dois. — Obrigado, sério. — Ele disse tocando-a no ombro e, de leve, acariciando os cabelos da pequena. As duas saíram e, depois de respirar fundo para acalmar a ansiedade, Louis subiu até o quarto andar, onde o apartamento indicado por Gemma ficava. Subiu as escadas de dois em dois e simplesmente torcendo para que conseguisse convencer Harry a não desistir dos dois. Bateu na porta e apenas aguardou. Pela primeira vez desde que tinha colocado os pés naquela cidade, ele se sentia inseguro. Mas, depois de alguns segundos, bastou que ele olhasse nos olhos de Styles, que atendeu a porta segurando uma caneca de café, ele teve certeza que estava exatamente onde deveria. Harry levou alguns segundos para ter certeza de que não estava vendo uma miragem. Piscou os olhos algumas vezes para se certificar de que não estava ainda dormindo e sonhando com aquilo. — O que está fazendo aqui? — Harry perguntou com um pouco de medo. — Acha mesmo que eu não iria vir atrás de você? — Louis disse entrando mesmo sem ser convidado. — Não acredito que teve coragem de me deixar. — Louis, eu… — Harry dizia fechando a porta e deixando seu café de lado, mas Tomlinson não iria deixá-lo falar primeiro. — Eu te amo, Harry! — Ele interrompeu o outro chegando perto dele e falando enquanto olhava em seus olhos. — c*****o! Como que você não vê isso? Como deixa Alice te convencer do contrário depois de ter passado dias e noites comigo? — Ele dizia e Harry estava paralisado demais, com medo demais para responder. — Você foi pra cama comigo, dividiu todos os momentos de vulnerabilidade que eu tive… Me beijou, olhou pra mim, conhece meu sorriso quando olho pra você… E realmente acredita que eu não te amo? — Louis, não é isso, é que… — Olhe pra mim e diga o que vê. — Louis o interrompeu novamente. — Porque se você não conseguir ver, eu vou lutar até o último segundo da minha vida para te provar que eu te amo sim! Não vou descansar até que acredite! — Eu acredito, Louis, eu acredito. — Harry respondeu m*l conseguindo respirar perto daquele homem. — O problema é que isso…. Nós dois… Juntos, isso não é certo! — E por que não? — Louis olhou realmente curioso com aquela resposta. — Porque… Bem, você tem Eleanor, que é uma mulher incrível… — Sim, Harry, ela é mesmo maravilhosa… — Louis concordou enquanto ouvia o outro falar. — Ela tem tudo que você precisa… — Sim, ela tem mesmo… — Ela é linda… — Perfeita… — Inteligente, tem uma carreira… — Realmente uma mulher espetacular. — Então… — Harry não entendia. Por mais que Louis parecesse entender e concordar com tudo. — Por que você… — Porque ela não é você! — Louis disse de uma vez e o outro finalmente se calou. — É isso que precisa entender! Eu amo você e apenas você, Harry! O problema não é Eleanor, o problema sou eu que estou apaixonado por outra pessoa! Exaltar as qualidades dela não vai adiantar nada, o coração não obedece à razão, poxa! Não é uma equação matemática, um jogo de palavras cruzadas onde tudo se encaixa… — Louis, eu… — Já chega, pare de inventar desculpas, você não vai se livrar de mim. — Louis disse mais alto e enroscando-se no pescoço de Harry, que não conseguia resistir àquilo. Sentiu-se quase perder as estruturas, ele tinha certeza que Louis o teria a hora que quisesse. — Eu te amo, seu i****a. — Ele sussurrava roçando seu nariz no dele, ficando na ponta dos pés quando Styles o amparou pela cintura, erguendo-o levemente por causa da diferença de altura. — Não me deixa, por favor… — Não vou deixar… — Harry respondeu, rendido àquele momento, sabia que não iria mesmo conseguir nem que tentasse. — Eu também te amo, meu amor, meu anjo, meu príncipe… Os dois cederam ao beijo mais apaixonado de suas vidas. Até aquele momento, todas as juras de amor não necessitavam de palavras e nem muito menos um altar. Aquela era a forma mais pura que encontraram de mostrar sua dedicação um ao outro e, naquele pacto silencioso, prometiam se amar e colocar aquele amor acima de todas as coisas, especialmente agora em que ambos sentiam-se merecedores daquilo, de finalmente estarem juntos após tantas adversidades. Corações partidos e mágoas fizeram sim parte daquele processo, e nem um dos dois tentaria esconder as partes feias daquele processo, pois de alguma forma, aquilo também fazia parte da sedimentação e consolidação de uma história que m*l tinha começado, mas já impactou a vida de tantas pessoas ao redor deles.
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