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Caramelo do Teddy: Um Romance de Motoqueiro e Metamorfo

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intro-logo
Blurb

Carmen McCready sempre foi a princesinha mimada de seu pai, William “Billy” McCready, e de sua mãe, Mary McCready. Quando seu pai organiza uma fusão empresarial por meio de um casamento, Carmen se mostra irremediavelmente otimista, sonhando em ter o mesmo casamento amoroso que testemunhou entre seus pais durante toda a vida. Mas, após o acidente de carro deles, Arthur muda e, depois de ser deixada sozinha em seu quarto para morrer, Carmen finalmente consegue escapar das garras dele.

Com a ajuda de desconhecidos bondosos, Carmen foge do país e encontra uma comunidade nova e incomum em Jasper, Alberta. Os canadenses sempre tiveram fama de serem gentis e, em Jasper, Carmen começa a perceber o quanto isso é verdade.

Ela passa a usar um nome falso: Caramel. Depois de receber esse apelido de um desconhecido gentil, Carmen começa, aos poucos, a construir uma vida tranquila e pacífica em Jasper.

Teddy, vice-presidente do peculiar clube de motociclistas local, The Rogue Renegades, se interessa por aquela mulher intrigante e assustada, dona dos olhos cor de caramelo mais encantadores que ele já viu. Ao ver todos os seus irmãos e amigos mais próximos encontrando seus companheiros, formando casais e tendo seus filhotes, Teddy percebe que também deseja isso. E enxerga essa possibilidade sempre que olha nos olhos hipnotizantes de Caramel.

Bane, seu urso-pardo, ronrona sempre que estão na presença dela. Caramel desperta algo dentro dos dois, e eles entram na maior batalha de suas vidas para convencer aquela mulher deslumbrante de que estão dispostos a tudo por ela. De que não são como seu ex.

Mas, à medida que as semanas passam, algo começa a mudar dentro dela. Algo que nem Teddy nem Bane esperavam quando colocaram os olhos nela pela primeira vez e, silenciosamente, a reivindicaram.

Com o passado de Caramel ameaçando destruir tudo o que ela construiu, será que Teddy conseguirá convencê-la de que pode confiar nele e finalmente viver seu tão desejado felizes para sempre?

AVISOS DE GATILHO: violência doméstica, abuso, negligência, cárcere, linguagem vulgar, luto e perda.

Esta história é derivada de WOLF e a Herdeira Fugitiva, mas pode ser lida de forma independente.

© COPYRIGHT 2026 / T. MURPHY. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

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Capítulo 01
AVISOS DE GATILHO: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA/ABUSO/PRISÃO CARMEN POV A voz de Arthur estalou pela mansão como um chicote. — Carmen, tire essa b***a preguiçosa daí e venha aqui. Meu estômago se revirou. Uma reação aguda, imediata, instintiva. Meu corpo reagiu antes mesmo da minha mente. Meus dedos apertaram o cobertor fino, e minha respiração falhou enquanto eu encarava o teto rachado. Ele estava com raiva. Isso não era incomum. Arthur Nelson vivia com raiva — pelo menos quando se tratava de mim. Era como se tivesse veneno correndo nas veias. Mas aquilo não era mera irritação. Aquele tom significava perigo de verdade. Do tipo que terminava em sangue. Meu sangue. Tirei as pernas da cama estreita. O colchão rangeu, as molas gemendo sob meu peso. O quarto cheirava a poeira e detergente barato. Aquele pequeno quarto de funcionários, que um dia pertencera a uma empregada, agora era meu. Arthur deixara isso muito claro no dia em que me obrigou a me mudar para lá. O quarto não tinha quase nada: uma cama de solteiro, uma cômoda de três gavetas com um puxador torto e, acima dela, um espelho rachado que dividia meu reflexo toda vez que eu olhava para ele. Às vezes, eu me perguntava qual das duas metades era a verdadeira. Eu era a Carmen determinada a escapar daquela prisão? Ou aquela que, aos poucos cedendo à submissão, esperava que um dia ele finalmente fosse longe demais e, assim, eu pudesse me libertar dele e da dor? — Carmen! A voz dele rugiu novamente de algum lugar no corredor. Estremeci. Ele estava se aproximando. — Já vou — sussurrei, sabendo que ele não conseguiria me ouvir. Eu aprendera a não falar alto; agora, minha voz raramente passava do volume necessário para que apenas eu mesma pudesse ouvi-la. Era mais seguro assim. Abri devagar a porta do quarto e saí para o corredor de uma mansão decorada como uma casa de exposição, onde supostamente eu morava. O piso de mármore se estendia sob janelas altas. Paredes brancas, decoradas com obras de arte caras, completavam o cenário impecável. Uma casa perfeita. Uma prisão perfeita. Arthur me esperava no fim do corredor. Seu rosto estava vermelho, a mandíbula tensa, e o paletó caro havia sido jogado sobre o braço de uma cadeira próxima. Mesmo de onde eu estava, conseguia ver a veia pulsando em sua têmpora. Há muito tempo eu desistira de tentar entender o que despertava sua fúria. Foi cerca de dois anos depois do início daquele casamento arranjado que a verdade finalmente caiu sobre mim. Tudo o que eu fizesse estaria sempre errado aos olhos do meu marido milionário, Arthur Nelson. Cada palavra. Cada respiração. Cada passo. Baixei a cabeça e caminhei lentamente em sua direção, mantendo os olhos fixos no chão de mármore. Lembrei-me do dia em que o conheci. Ele estava no escritório do meu pai — alto, confiante, com um sorriso impecável. Parecia o tipo de homem em quem as pessoas confiavam. Era sócio do meu pai, William McCready. Para a maioria das pessoas, ele era William McCready, o empresário implacável que dominava salas de reunião e esmagava concorrentes sem piedade. Mas, para minha mãe e seus amigos mais próximos, ele sempre fora apenas Billy. William “Billy” McCready inspirava medo na maioria daqueles que ousavam enfrentá-lo em uma negociação. Mas, em casa, era uma pessoa completamente diferente. Gentil. Carinhoso. O tipo de pai que beijava minha testa antes de sair para o trabalho e levava flores para minha mãe todas as sextas-feiras à noite. Minha mãe costumava dizer algo que sempre me fazia rir. — É preciso uma mulher boa e paciente para domar seu homem fera. Ela ria toda vez que dizia aquilo, afastando uma mecha de cabelo de trás da minha orelha enquanto meu pai resmungava de brincadeira do outro lado da sala. Minha mãe era filha de um pastor antes de conhecer meu pai. Costumava dizer que os pecados dele a haviam desviado do bom caminho. Mas sempre dizia isso sorrindo. Agora, quando visito seus túmulos, não há mais risadas. Nenhuma lembrança leve e divertida pairando no ar. Agora, ajoelhada na grama diante de suas lápides, choro sozinha sobre a terra onde os dois descansam juntos. Eu nunca deveria ter sido moeda de troca em uma fusão empresarial, mas Arthur Nelson era um empresário astuto. Assim como meu pai. E, depois de alguns negócios ruins e de um mercado cada vez mais difícil, meu pai tomou a decisão que acreditava que protegeria a empresa. Ele me deu em casamento. Na época, eu era ingênua o bastante para acreditar que poderia fazer o mesmo que minha mãe fizera. Acreditava que conseguiria domar meu marido. Arthur poderia continuar sendo implacável nos negócios, mas nosso casamento deveria ser diferente. Meu pai negociara os termos: nada de violência, nada de amantes, nada de abusos. Meu marido deveria me tratar como uma rainha, assim como meu pai sempre me tratara como uma princesa. Arthur concordou. E, por algum tempo, eu acreditei nele. Todos nós acreditamos. As agressões só começaram exatamente uma semana depois da morte dos meus pais. O acidente de carro foi repentino. Violento. O tipo de tragédia que vira manchete por alguns dias antes que o mundo siga em frente. Mas o meu mundo nunca seguiu. No início, a violência começou de forma pequena. Um tapa. Algumas palavras cruéis. Um silêncio frio e constante. Naquela época, eu dizia a mim mesma que não era tão r**m. Agora, chamar aquilo de “pequeno” parecia ridículo. Nenhuma forma de abuso deveria ser considerada pequena. Mas, comparado a ossos quebrados, vergões inchados, pontos e cicatrizes, eu daria qualquer coisa para terminar o dia com algo tão “pequeno” quanto um tapa. No ano seguinte à morte dos meus pais, tornei-me literalmente uma prisioneira dentro da minha própria casa. Arthur parou de me permitir sair. Controlava todo o dinheiro. De alguma forma, conseguiu até assumir o controle da minha herança. Até hoje não entendo como fez isso. Além disso, tomou o controle da empresa da minha família. E então a desmontou. Pedaço por pedaço. Tijolo por tijolo. Em menos de um ano, o nome McCready desapareceu do mundo dos negócios. Apagado. E eu era a última McCready viva. A herdeira esquecida. Arthur parecia determinado a me destruir por completo antes do dia em que finalmente me descartaria por uma de suas muitas amantes. Sim. Havia amantes. Na maioria das noites, elas se sentavam com Arthur à enorme mesa de jantar no fim do corredor, bebendo vinho e rindo como se fossem donas daquele lugar. Enquanto isso, eu me escondia no meu quartinho, fazendo sanduíches com qualquer resto de comida que conseguisse encontrar. Depois do funeral dos meus pais, Arthur me expulsou do quarto principal. Nem sequer se deu ao trabalho de explicar. Voltei do cemitério e encontrei meus pertences jogados em caixas. E aquele quarto estava à minha espera — o quarto dos funcionários. As amantes de Arthur tinham acesso à casa inteira. Eu, em contrapartida, tinha uma fechadura na porta do quarto que trancava pelo lado de fora. Se não fosse pela governanta, Nancy, eu teria morrido de fome muito tempo atrás. Toda semana, ela me trazia escondido pão, manteiga de amendoim e geleia. Às vezes, até colocava algumas maçãs na sacola. Ela arriscava tudo para fazer aquilo por mim, mas as coisas mudaram quando Arthur levou sua amante mais recente para casa. Ela não gostava de Nancy. Disse que a governanta a deixava desconfortável. Então Arthur a demitiu. Assim, sem mais nem menos. E agora eu estava completamente sozinha. Todas as manhãs, o médico de Arthur aparecia. Ele me entregava um pequeno comprimido branco e mandava que eu o tomasse. Eu não sabia o que era. Mas sabia o que fazia comigo. Deixava-me cansada, confusa, fraca e submissa. Todas as noites, eu adormecia com a ajuda dos punhos de Arthur. Às vezes, acordava e percebia que um dia inteiro havia passado enquanto eu estava inconsciente. Ninguém vinha ver como eu estava. Ninguém cuidava dos meus ferimentos. Ninguém se importava se eu vivia ou morria. — Finalmente resolveu dar as caras? — A voz de Arthur me trouxe de volta ao presente. Parei a poucos passos dele. — Você se acha muito esperta, não é? — perguntou friamente. Permaneci calada, de cabeça baixa, os olhos fixos nos meus pés como se fossem a coisa mais fascinante do mundo. Homens como Arthur não queriam respostas. Não queriam contato visual. Só queriam submissão. E era isso que eu lhe dava, torcendo para que talvez doesse menos daquela vez. Amanhã seria o único dia em que eu tinha permissão para sair de casa. Era o aniversário dos meus pais. Marcaria o terceiro ano desde que eles me deixaram aqui, sozinha com aquele monstro. Eu nunca deixava aquela data passar. Era o único dia do ano em que podia colocar os pés para fora de casa, e eu não podia correr o risco de perder isso. O tapa veio sem aviso. Minha cabeça virou bruscamente para o lado quando a dor explodiu em minha bochecha. Cambaleei um passo para trás. — Eu disse — Arthur rosnou —, você se acha muito esperta, não é? Outro tapa. O calor se espalhou imediatamente pelo meu rosto. Ainda assim, permaneci em silêncio. Ele pegou o celular e o enfiou diante do meu rosto. — Olha isso, sua v***a do c*****o! A manchete ocupava a tela. “A Herdeira Perdida dos McCready — Desaparecida ou Prisioneira do Próprio Marido?” Meu coração parou. Mal tive tempo de ler qualquer coisa antes que Arthur arrancasse o celular da minha frente, mas vi o suficiente. O artigo questionava o que havia acontecido depois da morte dos meus pais. Sugerindo que Arthur desmontara a empresa McCready com uma rapidez suspeita e que talvez estivesse por trás de tudo. Também mencionava que ninguém me via em público havia anos. Algumas fontes não identificadas afirmavam que havia algo errado. Sugeriam que eu poderia estar presa ou, pior, morta. Não havia nenhuma citação ou declaração minha. Apenas rumores. Suspeitas. Perguntas. Mas, para Arthur, aquilo bastava. O punho dele atingiu meu rosto, e a dor explodiu pelo meu crânio quando desabei sobre o piso de mármore. — Sua v***a estúpida! Outro soco. — Você acha que pode me fazer passar vergonha desse jeito?! Tentei me encolher, proteger a cabeça, mas as botas de Arthur atingiram minhas costelas. Um estalo ecoou pelo meu corpo. Não havia como nem ele ter deixado de ouvir. Foi alto. Ou, pelo menos, pareceu alto para mim. Gritei. O ar desapareceu dos meus pulmões enquanto uma agonia dilacerante atravessava minha lateral. Tentei rastejar para longe. Só alguns centímetros. Apenas o suficiente para conseguir respirar. Mas Arthur agarrou meu tornozelo. Seus dedos se fecharam como ferro ao redor da minha pele enquanto ele me arrastava pelo corredor. Minhas unhas rasparam inutilmente contra o mármore. Então ele me jogou dentro do meu minúsculo quarto. A porta bateu atrás de nós, e a surra continuou. Socos. Chutes. Os golpes caíam mais rápido do que eu conseguia processar. Meus gritos preencheram o corredor, mas eu já sabia que ninguém viria. Os funcionários da casa nunca interferiam. Não depois que Nancy fora mandada embora. Por fim, o mundo começou a ficar indistinto enquanto a dor queimava cada centímetro do meu corpo. Minha visão escureceu nas bordas, mas eu acolhi aquilo. A escuridão. O silêncio se aproximando. Talvez, daquela vez, eu não acordasse. Talvez, daquela vez, eu finalmente pudesse ficar com minha família de novo. Porque, mesmo que isso significasse morrer, qualquer lugar seria melhor do que ali com Arthur.

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