O primeiro sinal não foi a dor. Foi o cansaço que não passava. Acordava exausta, mesmo dormindo horas seguidas. Meu corpo parecia sempre um passo atrás da mente, como se estivesse tentando acompanhar uma guerra silenciosa que só eu sabia que existia. Arthur percebeu antes de qualquer um. — Você está mais pálida — comentou, observando enquanto eu me vestia. — Vou ligar para o médico. — Não precisa. — Precisa sim. Ele já discava antes que eu terminasse a frase. A preocupação dele vinha sempre acompanhada de posse. Não havia cuidado sem controle. No consultório, o médico falou em repouso parcial, em evitar conflitos, em preservar o emocional. Arthur assentiu como um aluno exemplar. — Vou reorganizar tudo em casa — disse. — Ela não vai se preocupar com nada. Nada significava tudo. N

