Capítulo 2 - Pergunta indecente, mas tentadora

1049 Words
Fiquei o resto da noite trancada no quarto, como uma prisioneira na própria casa. O som abafado do videogame ainda chegava do corredor, misturado com risadas ocasionais de Lucas e Ian. Cada explosão distante parecia zombar de mim. Enquanto isso, eu não tinha quase nada. Lucas possuía computador gamer, videogame último modelo, um celular top de linha e até uma moto que meu pai lhe dera de presente. Meu celular, por outro lado, travava a cada dois minutos, a tela rachada e a bateria inchada. Era humilhante. Com as mãos ainda tremendo, fui até o pequeno espelho rachado do armário. Limpei o rosto borrado de maquiagem com lenços umedecidos, vendo a marca rosada do tapa ainda visível na bochecha. Guardei as lentes de contato com cuidado no estojo e tirei o vestido preto, deixando-o jogado no chão. Fiquei apenas de calcinha e sutiã de algodão simples, sentindo o ar fresco do quarto tocar minha pele exposta. O quarto era pequeno, com paredes pintadas de rosa desbotado, uma cama de solteiro encostada na parede e uma escrivaninha velha onde eu fazia lição. O cheiro de baunilha do meu perfume ainda pairava no ar, misturando-se ao aroma de roupa limpa guardada na gaveta. Me deitei na cama, puxando o lençol fino até a cintura. A frustração, a raiva e a excitação reprimida durante anos borbulhavam dentro de mim. Peguei o celular e, após várias tentativas frustrantes por causa do travamento, consegui abrir o aplicativo de livros. Escolhi um romance erótico que vinha lendo escondido. As palavras na tela me envolviam: descrições detalhadas de toques firmes, bocas quentes explorando pele, corpos se entregando sem pudor. Meu coração acelerou. Senti um calor subir pela barriga. As pernas se abriram lentamente por conta própria. Escorreguei a mão direita para dentro da calcinha, sentindo os dedos tocarem a pele macia e já úmida. Comecei a me tocar devagar, circulando o c******s inchado enquanto imaginava as cenas do livro acontecendo comigo. Um homem forte, experiente, me segurando pelos quadris, penetrando devagar no começo, depois com mais força. Minha respiração ficou ofegante. Um gemidinho baixo escapou dos meus lábios quando aumentei a pressão, os dedos deslizando mais fácil com a umidade crescente. O colchão rangeu levemente com o movimento sutil dos meus quadris. Estava tão concentrada, perdida nas sensações e nas palavras na tela, que quase não ouvi os passos se aproximando pelo corredor. O assoalho de madeira antiga rangeu do lado de fora da porta. Congelei. Duas batidas firmes. — Entra — falei, a voz rouca e curiosa, ainda tentando recuperar o fôlego. Para minha surpresa completa, não era minha mãe nem Lucas. Ian estava parado na porta, alto, com os ombros largos preenchendo o batente. Ele entrou e, com um movimento casual, trancou a porta atrás de si. O clique da fechadura soou alto no silêncio do quarto. Sentei-me rapidamente, puxando o lençol até o peito. — O que você quer aqui? Esse não é o quarto do Lucas. Saia, estou ocupada. Ele não respondeu de imediato. Seus olhos escuros percorreram o quarto e pararam na tela do meu celular, que ainda estava acesa sobre a cama. O título do livro erótico e a cena explícita que eu lia eram visíveis. Um sorriso lento se formou nos lábios dele. Ele havia entendido exatamente o que eu estava fazendo. — Só vim te desejar um feliz aniversário — disse ele, a voz baixa e rouca. — Você? Me desejar feliz aniversário? — soltei uma risada amarga. — É uma piada, só pode. O Lucas te mandou aqui pra zoar com a minha cara, não foi? — Não. Não foi isso — respondeu ele, dando um passo mais perto. — Só queria ter certeza do que acabei de ver lá embaixo. Ele se aproximou da cama. Sua mão grande subiu devagar e tocou de leve o lado do meu rosto, exatamente onde minha mãe havia me dado o tapa. A pele ainda estava quente e sensível. O toque dele era surpreendentemente gentil. — Deve ter doído — murmurou. Tirei a mão dele com um gesto brusco, o coração disparado. Foi nesse momento que o lençol que eu segurava escorregou, revelando o sutiã simples e o colo arfando. Puxei a coberta rápido o suficiente. Ian não escondeu o desejo que tomou conta dos seus olhos — pupilas dilatadas, respiração mais pesada. Ele não desviou. Pelo contrário, encarou sem vergonha. Puxei o lençol de volta quase imediatamente, o rosto queimando de vergonha e outra coisa que eu não queria admitir. — Não foi a primeira vez que minha mãe me bateu na sua frente. Por que só agora você vem ver como eu tô? Ian mordeu o lábio inferior, um gesto que fez algo apertar dentro de mim. Ele se sentou na beira da cama, o colchão afundando com seu peso. O cheiro dele — sabonete, suor leve e um perfume amadeirado — chegou até mim. — Porque antes você era só a irmãzinha desajeitada do meu melhor amigo — confessou ele, a voz baixa. — Mas agora… c*****o, Cloe. Por que você escondia esse corpo todo com aquelas roupas largas? Olha pra você… Aposto que se mostrasse mais um pouco, não precisaria ir num puteiro no dia do seu aniversário de 18 anos pra alguém querer te comer. As palavras dele foram diretas, cruas. Senti um misto de raiva e excitação. Meu corpo ainda estava sensível do que eu fazia minutos antes. — Que diferença isso faz? — respondi, a voz tremendo um pouco. — Falta pouco mais de uma hora pra esse dia acabar e eu continuo virgem. Não tô num puteiro. Ele se inclinou um pouco mais, o olhar fixo no meu. — Nisso eu posso te ajudar. O silêncio que se seguiu foi carregado. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir. — Como presente de aniversário… quer que eu te f**a aqui e agora? — perguntou ele, sem rodeios. — É bem melhor do que ser com um desconhecido. Ele pausou, observando minha reação. — Sei que não somos amigos nem nada, mas aí é que fica tudo mais gostoso. Sem sentimentalismo. É mais cru, mais real. Essa é uma dica preciosa que venho aplicando na vida e dá super certo. E aí? Topa t*****r comigo nessa noite?
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