Larissa Acordamos no dia seguinte sob um céu cinzento. O tempo estava nublado, pesado, como se a própria natureza estivesse de luto, embora a chuva torrencial da noite passada tivesse dado uma trégua. Tomamos um café da manhã rápido, silencioso e mecânico. O sabor do café m*l chegava ao meu paladar; minha mente estava fixa no que viria a seguir. Seguimos para o cemitério, onde o solo úmido e o cheiro de terra molhada me faziam recordar, a cada passo, que eu estava ali para me despedir definitivamente da minha avó. Apresentei meus amigos — minha rede de segurança improvável — à tia Lúcia, ao tio Ricardo e aos meus primos, Carlos e Carina. Entre abraços de pêsames e sussurros de consolo, vi Diogo aparecer. Ele veio com os pais, com aquele olhar de quem conhece cada cicatriz da minha alma.

