Capítulo 4

898 Words
Larissa Fui até a sala e comuniquei a todos sobre o falecimento do meu pai. Alguns me diziam o quanto sentiam, outros me abraçaram e pude ver em um canto, Diogo e seus pais, o Sr. Olavo e a Sra. Lidia, mas com tantas pessoas querendo falar comigo já que minha mãe não se encontrava naquele ambiente, não consegui chegar até eles, porém pude notar a tristeza em seus olhares, principalmente nos do Diogo, por dimensionar a dor que eu passava naquele momento, já que me conhecia tão bem. Assim que mais pessoas começaram a chegar, resolvi ir para o meu quarto tomar um banho para relaxar e me preparar para o que estava por vir, a caixa que meu pai me deixou eu guardei no fundo do meu armário e com mais calma, mais tarde, olharia tudo que ali estava. No banho fiquei pensando em várias coisas, entre elas onde estaria esse possível irmão que eu tinha. Só o que sei que ele mora em outro estado, isso é muito pouco para tentar encontrá-lo. Mesmo que houvesse uma mínima chance de encontrá-lo, não sei se gostaria, é tudo muito novo para mim. Será que gostaria de conhecê-lo ou preferiria deixar as coisas como estão? Como ele seria hoje? Tínhamos uma diferença de idade não sei ao certo quantos anos. Será que se convivêssemos ele seria aquele irmão super protetor que nenhum garoto poderia chegar perto? Será que havia feito faculdade? Meu pai poderia se orgulhar dele hoje se não tivesse perdido a chance de reconhecê-lo. Seu erro, como ele mesmo intitulou na carta, poderia ter sido um acerto se pelo menos houvesse tido a chance de dar àquela criança a figura do pai que eu tive e porque não, uma a irmã para ver crescer e ter uma infância feliz e saudável conosco. Mas também não posso somente culpar meu pai por essa decisão, o receio de perder a mulher que amava deveria ser levado em conta, pois pensando bem, como meus avós reagiriam a essa notícia? Ainda permitiriam o relacionamento de sua filha com aquele homem que havia agido de forma inconsequente? Será que a história não seria escrita de forma diferente na vida do meu pai e da minha mãe? Será que eu estaria aqui? Por que meu pai não conversou comigo quando podia para falarmos mais sobre isso? Acho que ficou com medo de criticá-lo, julgá-lo ou condená-lo por seus erros. Mas vamos deixar bem claro que o erro foi nas atitudes tomadas e não naquele ser que foi concebido e que não teve culpa de nada. Espero que Deus tenha permitido ele ser feliz, que sua mãe tenha encontrado uma pessoa especial para que cuidasse dele como filho, mas de coração, não só financeiramente. E que essa pessoa possa ter sido o que meu pai foi pra mim, para que ele não tenha sentido falta do seu pai verdadeiro. Porém se ele tem essa pessoa, será que ele sabe que não é filho desse cara? Será que ele pensa que possa ter irmãos? Que guarda rancor por nosso pai não querer saber dele? E se eu o encontrasse, ele me odiaria ou me aceitaria como irmã? Poderíamos então ser amigos e recuperar o tempo perdido? Meu Deus! E pensando em tudo isso, hoje ele nem pode chorar a morte do pai por nem saber onde se encontra, nem tudo que passou. E eu, não posso dividir essa dor da perda com um irmão que poderia estar aqui abraçado a mim e nos confortando mutuamente. Como vou viver agora com essa informação, que caiu como bomba em meu colo e não poder dividir isso com ninguém? Vou tentar lidar o melhor possível com essa novidade pra mim. Tenho que me controlar, me acalmando em primeiro lugar, já que não sei o que poderei fazer e se vou conseguir fazer algo. Não tenho raiva do meu pai e sim pena, por ter desperdiçado momentos maravilhosos ao lado de um filho que poderia lhe dar muito orgulho, como sentia de mim. Ele não traiu minha mãe, pois nem se conheciam, ele traiu a si mesmo quando não se permitiu viver aquela consequência dos seus atos, que poderia ter sido boa, olhando pelo lado positivo da situação. Ele seria pai de um menino lindo pelo que vi na foto e curtir tudo ao lado dele. Mas por outro lado, como minha mãe lidaria com essa situação? Saí do banho, fui até meu guarda-roupa e peguei um vestido leve preto, já que estava quente. Senti uma tontura e com medo de acontecer algo comigo, sentei na cama respirando fundo e assim que meu m*l estar passou, coloquei um cinto caramelo em minha cintura e sandálias na mesma cor, não tendo vontade nenhuma de sair daquele quarto e enfrentar a realidade que ali estava. Olhar para minha mãe e avós, ter que encarar a morte do meu pai, somado ao conhecimento desse segredo seria pesado demais para uma menina de apenas dezesseis anos. Mas precisava manter a calma para não passar m*l e acabar desmaiando, como já havia acontecido algumas vezes pelo estresse e queda de pressão. Perguntei-me o que ia ser de nós agora que meu pai se foi. Se eu ia conseguir seguir em frente como me pediu e ir para faculdade em outra cidade e deixar minha mãe aqui. Meu Deus! Como crescer dói e cansa.
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