capítulo 1- O contrato absurdo
A sala inteira cheirava a poder.
Poder caro. Poder frio. Poder que esmagava quem respirasse errado.
Luna parou diante da mesa de mármore n***o, sentindo o peso daquele lugar como se tentasse empurrá-la de volta para a porta. Mas ela não recuou. Pelo contrário — ergueu o queixo com teimosia.
Adrian Vale estava sentado, impecável, sem uma única dobra fora do lugar na camisa branca. Ele não olhou para ela de imediato. Continuou assinando documentos como se sua presença fosse tão irrelevante quanto o som distante do ar-condicionado.
— Está atrasada. — ele disse, sem erguer os olhos.
— Eu sei — Luna respondeu, cruzando os braços. — Fiz de propósito.
A caneta dele parou no papel.
Somente então Adrian levantou o olhar — e a intensidade dos olhos dele quase a fez engolir seco. Ele não parecia irritado. Parecia… analisá-la. Como quem avalia um produto.
— A rebeldia pode ser um problema — ele disse calmamente. — Mas não muda nada. Você veio porque não tinha escolha.
Luna cerrou os dentes, sentindo a raiva subir.
— Eu vim porque você ameaçou o hospital da minha mãe.
Ele inclinou a cabeça.
— Eu apenas apresentei alternativas. Você escolheu a que salva a vida dela.
Luna deu um passo à frente, as mãos tremendo.
— Isso se chama chantagem.
— Isso se chama negócio.
O ar pareceu ficar mais gelado.
Ele gesticulou com a mão, e um advogado colocou um contrato grosso sobre a mesa, virando a página até um trecho marcado em vermelho.
— Leia. — Adrian ordenou.
Luna estreitou os olhos.
— Eu não vou—
— Leia. — Ele repetiu, desta vez com a voz baixa… perigosa.
Ela pegou o contrato, mais para provar que não tinha medo do que por obediência. Seu olhar caiu sobre as linhas marcadas, e o estômago se contorceu.
CLÁUSULA 7 — A CLÁUSULA DE OBEDIÊNCIA
A parte contratante feminina se compromete a obedecer todas as instruções dadas pelo senhor Adrian Vale, enquanto durar o período matrimonial, sem exceções, contestações ou atrasos.
Luna sentiu o sangue ferver.
— Você só pode estar brincando.
— Eu nunca brinco, Luna.
— Isso aqui é escravidão moderna! Quem você pensa que é?
— Alguém que cumpre promessas. Sua mãe terá os melhores médicos do país amanhã de manhã. Basta assinar.
Ela apertou o contrato com força.
— E se eu não obedecer?
Os olhos dele brilharam com algo obscuro.
— Consequências imediatas. Financeiras, legais e pessoais.
Luna sorriu com ironia.
— É uma péssima ideia tentar me controlar.
Ele sorriu também — mas o sorriso dele era frio, calculado, perigoso.
— Não se preocupe. Eu planejo exatamente isso.
Ela estava prestes a rasgar o documento, quando algo chamou sua atenção. Uma linha pequena, quase escondida no rodapé.
"O senhor Adrian Vale fica proibido de tocar fisicamente na parte contratante feminina sem consentimento explícito."
Luna arregalou os olhos.
— Você… — ela encarou ele, surpresa genuína. — Você colocou essa regra?
Ele recostou-se na cadeira, cruzando os dedos.
— É uma garantia. Para que você saiba que meu controle sobre você será… apenas verbal.
— Por quê? — ela perguntou desconfiada. — Acha que eu teria medo de você encostar em mim?
Adrian a encarou como se pudesse quebrá-la com o olhar.
— Não. Acho que eu poderia querer.
O coração dela deu um salto indesejado.
Ele continuou:
— E desejo é uma fraqueza que eu não posso me permitir. Então essa cláusula protege nós dois.
A garganta de Luna secou.
— Você é doente.
— Sou prático. Assine.
Ela o encarou com ódio. Com repulsa. Com tudo que tinha dentro dela.
Então assinou.
A caneta m*l tocou o papel quando Adrian puxou o contrato para si com rapidez — como se tivesse vencido um jogo.
— Perfeito. — ele disse. — Agora, sua primeira ordem.
Luna ergueu o queixo, desafiadora.
— Eu não vou obedecer.
Ele se levantou pela primeira vez — e a presença dele era imensa, sufocante, controlada demais.
— Vai sim. — Adrian disse, aproximando-se a passos lentos. — E vai começar agora.
Ela sentiu o coração acelerar.
— O que você quer?
Adrian parou à frente dela, tão perto que ela podia sentir o perfume dele, caro e intenso.
— Quero que você venha morar comigo imediatamente. Hoje. Agora.
O choque dela foi imediato.
— O quê? Não! Eu tenho coisas para—
— Não é um pedido, Luna.
É uma ordem.
Ela respirou fundo.
— E se eu disser não?
Ele inclinou o rosto, tão perto que ela sentiu a respiração dele tocar sua pele.
— Então você vai descobrir, no seu primeiro dia como minha esposa, o que acontece quando alguém tenta quebrar a Cláusula da Obediência.
Silêncio.
Tensão.
Raiva.
Desejo proibido.
E então…
— Vamos. — Adrian disse, virando-se e dando o primeiro passo.
Luna ficou parada por um segundo, sentindo a fúria tremer dentro dela.
Isso era apenas o começo.
Muito antes do fim, um dos dois iria desmoronar.
E ela rezava para que não fosse ela.
— Eu não vou facilitar a sua vida. — Luna sussurrou.
Adrian olhou por cima do ombro, com um meio sorriso c***l.
— Eu sei.
Por isso escolhi você.