Capítulo 06 - Desafio.

1055 Words
Dom Castilla 22/09| Barcelona, ES O olhar de Atena tinha algo de selvagem — felino, intenso, impossível de desviar. Azul profundo, cortante, brilhando sob as luzes da boate como uma arma silenciosa. Ela parecia feita para ser olhada, desejada, e ainda assim inalcançável. Como pode alguém carregar tanta beleza e, ao mesmo tempo, tanto mistério? — Seria muito m*l da minha parte querer tirar você daqui agora? — perguntei, a voz mais rouca do que pretendia. A verdade é que eu queria levá-la comigo naquele instante. Queria senti-la sob minhas mãos, descobrir o gosto da sua pele, o som do seu prazer. O simples fato de imaginá-la já fazia meu autocontrole vacilar. Ela arqueou um sorriso lento, provocante. — Talvez fosse... mas não somos mais adolescentes, e sexo não é exatamente um problema — respondeu, firme, sem rodeios. Soltei um riso baixo, surpreso com a ousadia. — Sempre tão direta nos seus objetivos? — A vida é curta demais pra perder tempo com enrolação — disse, e havia algo sombrio por trás da calma dela. Aquele olhar não era só de uma mulher confiante. Era o olhar de alguém que já conheceu o inferno e sobreviveu. E, de alguma forma, isso só me fez querer ainda mais descobrir quem diabos era Atena. Mas antes que eu pudesse responder, senti meu celular vibrar no bolso da calça. Aquele tipo de vibração curta, insistente, que não era de alguém querendo conversar. Era aviso. Era problema. Peguei o celular, e o nome de Eva piscou na tela como um alerta vermelho. Senti meu semblante mudar imediatamente, a leveza que Atena provocava em mim se dissolveu em segundos. Claro que alguma merda tinha acontecido. Me virei de frente para Atena. Ela me observava com aquele olhar atento, curioso, como se conseguisse perceber que eu tinha acabado de atravessar uma porta invisível entre dois mundos. Entre o homem e o monstro. — Me desculpe, preciso atender — falei, e minha voz saiu mais dura do que eu queria. Ela apenas assentiu, sem drama, sem perguntas, sem pressionar. Isso me surpreendeu mais do que deveria. Me afastei, caminhando até a saída da boate, onde a música se tornava apenas um borrão distante e abafado. — Alô? — atendi, já esperando o pior. — Dom, tivemos uma carga roubada — Eva disse. Sua voz estava firme, mas rígida, o tipo de rigidez que vem quando se está segurando a própria raiva nos dentes. Fechei os olhos por um segundo. Era o suficiente para sentir meu sangue começar a ferver. O tipo de calor que sobe do peito até o maxilar. Massageei minhas têmporas, respirando fundo como se isso fosse servir de algo. — Estou chegando aí. Quero a localização dessa carga em um minuto — falei. Não gritei. Não precisava. Raiva de verdade é silenciosa. — Pode deixar, senhor — ela respondeu, antes da ligação cair. Voltei para dentro da boate. As luzes piscavam em tons de roxo e vermelho, a música explodia, risos, copos, perfume caro — e tudo parecia tão absurdamente distante do meu estado mental que por um segundo eu quase ri. Como alguém podia estar dançando enquanto alguém tinha acabado de declarar guerra a mim? Encontrei Leandro perto do bar, com uma mulher pendurada no pescoço dele, sorrindo como se tivesse ganhado o mundo. Puxei ele pelo braço. Ele reclamou, até olhar meu rosto. A mudança foi instantânea — postura reta, olhar sério. — O que aconteceu? — perguntou. — Roubaram uma carga — respondi, simples. Não precisava de mais. Ele assentiu. Se virou para a mulher. Sussurrou algo no ouvido dela. Ela sorriu, meio ofendida, meio encantada, e se afastou. — Encontra o Kevin e me vê no galpão — falei. Ele já estava se movendo antes mesmo de eu terminar a frase. Respirei fundo. Tentei deixar a raiva num canto do meu corpo. Mas então meu olhar encontrou Atena novamente. Ela estava encostada no balcão, conversando com a amiga. Ria, mas de forma leve, contida, como quem está sempre observando antes de se soltar. E, mesmo no meio da multidão, era impossível não vê-la. Era como se existisse luz própria ao redor dela. Me aproximei. Ela virou o rosto e, quando nossos olhos se encontraram, um sorriso surgiu em sua boca. Não doce. Não inocente. Um sorriso perigoso. Um convite. E eu sorri de volta, sem perceber. — Achei que você tinha me dado um bolo — ela disse, brincando, mas havia algo curioso nos olhos dela. Algo atento. — Nem nos meus piores pesadelos eu faria isso com você — respondi. E foi a mais pura verdade, mesmo que eu não entendesse por quê. Meu sorriso desapareceu aos poucos. — Mas preciso resolver um problema agora. Seu sorriso diminuiu levemente. E foi ridículo como isso fez meu peito apertar. Ela assentiu, sem perguntar nada. Sem pedir justificativas. Sem drama. Eu estava fodido. — Porém… eu só saio daqui com o seu contato — falei, entregando meu celular para ela. Atena arqueou uma sobrancelha. Negou com a cabeça. — Vamos ver o quanto você realmente está interessado — disse, bebendo um gole de vinho. — Se quiser me ver de novo… terá que me encontrar. Considere isso sua punição por me deixar aqui. Eu quase ri. Essa mulher era feita de fogo. — Adoro um desafio — falei, pegando sua mão e levando aos meus lábios sem desviar o olhar. — Até breve, diabla. Ela sorriu, e aquele sorriso poderia incendiar a cidade inteira. Me inclinei, meus lábios tocaram sua orelha, senti ela estremecer. — Eres la fantasía que quiero hacer realidad — sussurrei. A risada que ela soltou foi quente, leve, perigosa. Me afastei dela, sentindo seu cheiro diminuindo e a falta dele aumentando. Minha mente oscilava entre a ligação de Eva e a conversa com Atena. Parte minha queria caçar o desgraçado que tivesse me roubado e fazer ele sentir cada gota da minha raiva. Mas, outra parte queria que essa carga se explodisse, para que eu pudesse levar aquela maldita mulher para um quarto e mostrar a ela meu nivel de interesse sobre ela. E de uma coisa eu tinha absoluta certeza: Eu iria encontrar essa mulher e mostrar isso a ela. . . . "Eres la fantasía que quiero hacer realidad" - Você é a fantasia que eu quero transformar em realidade.
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