TOM MARTINEZ

1021 Words
Tom Martinez não acreditava em coincidências. E muito menos em mulheres que apareciam no meio do dia com propostas absurdas como se estivessem oferecendo café. Ele largou o tablet sobre a mesa de reunião e encarou a mulher à sua frente. Loyane Johnson. Claro. Quem mais teria coragem de entrar no escritório dele sem hesitar, como se o lugar fosse dela? Vestida como se tivesse saído de uma capa de revista de negócios, impecável demais para ser casual, perigosa demais para ser ignorada. Tom a analisou em silêncio por alguns segundos. — Você é engraçada — ele disse por fim, recostando na cadeira. Loyane nem piscou. — Não. Eu não sou engraçada. Sou objetiva. Ele soltou um sorriso curto. — Objetiva. — Sim. Ela cruzou as pernas com calma, colocando uma pasta sobre a mesa dele como se já tivesse sido convidada a sentar ali. — Eu preciso de alguém para fingir ser meu namorado por pelo menos cinco meses. Silêncio. Tom arqueou uma sobrancelha. — Cinco meses? — Sim. — ela confirmou sem emoção. — Nós vamos a eventos sociais, reuniões familiares, jantares de negócios. Você vai atuar como meu namorado. Ele riu, inclinando a cabeça. — E por que eu? Loyane finalmente o olhou direto nos olhos. — Com uma condição. — Qual? — Não pode ter contato íntimo. Tom soltou uma risada mais longa agora, genuinamente divertido. — Você está se sentindo muito segura de si, Johnson. Ela inclinou levemente a cabeça. — Eu não estou me sentindo nada. Você sabe muito bem o tipo de mulher que eu sou. Ele a observou com interesse crescente. — E que tipo seria? — O tipo que não perde tempo. Ela respirou fundo e continuou, firme: — Eu não preciso de um namorado de verdade. Preciso de um namorado de mentira. Tom passou a mão pelo queixo, estudando-a como se estivesse avaliando um risco financeiro alto demais. — Então vamos direto ao ponto. — Sempre vou direto ao ponto. — Percebi. Ela ignorou o tom dele e continuou, fria e precisa: — Cinco meses é o essencial. Mas pode se estender. No máximo um ano, se necessário. Eu aviso. Tom inclinou o corpo para frente. — E o que eu ganho com isso? Loyane sorriu de leve — não era simpatia, era cálculo. — Você será muito bem recompensado. Ela abriu a pasta e deslizou alguns documentos sobre a mesa. — Alguns contratos com empresas da minha rede. Posso fazer sua empresa subir algumas posições no mercado com uma única ligação. Ele soltou um “hm” baixo, como se aquilo fosse curioso… não suficiente. Ela não perdeu o ritmo. — Quando estivermos em público, você vai agir como meu namorado. Ela começou a enumerar com os dedos, como se estivesse definindo regras de um negócio milionário. — Beijos rápidos, apenas se necessário. Toque na cintura, apenas se necessário. Abraços, mesma coisa. Tom a interrompeu, divertido: — E eu posso respirar livremente ou isso também é controlado? Ela não sorriu. — Depende do contexto. Ele riu de novo. — Isso está ficando cada vez melhor. Ela ignorou. — E claro… — sua voz ficou mais baixa, mais séria — eu não quero saber do meu namorado sendo fotografado com outra mulher. Tom apoiou os cotovelos na mesa. — Interessante. — Não estou sendo possessiva — ela cortou imediatamente. — Estou sendo estratégica. Ele ergueu uma sobrancelha. — Explique. Loyane respirou fundo, como se estivesse explicando algo óbvio para alguém lento. — Eu não me importo com quantas mulheres você tenha fora disso. Não me importo mesmo. Ela deu de ombros. — Mas isso fica fora da mídia. Fora de restaurantes. Fora de qualquer situação onde um paparazzi possa transformar isso numa manchete dizendo que a bilionária está sendo feita de i****a. Tom soltou um riso baixo. — Então você não quer um namorado… quer um acordo de reputação. — Exatamente. Silêncio. Os olhos dele ficaram mais escuros, analisando cada palavra dela. — E se eu aceitar? Loyane se inclinou um pouco para frente agora, firme, dominante. — Então você vai agir como meu namorado perfeito em público e inexistente em privado. Ela cruzou os braços. — E você vai ser muito bem recompensado por isso. Tom sorriu de canto. — Muito bem recompensado… sempre envolve dinheiro. — Dinheiro, influência e oportunidades. — ela respondeu sem hesitar. — Você não vai encontrar um acordo melhor. Ele ficou alguns segundos em silêncio. Depois soltou, ainda sorrindo: — Você sempre fala como se estivesse comprando pessoas. — Não. Ela inclinou levemente o rosto. — Eu estou comprando resultados. Tom a observou por mais um momento… e então soltou uma risada baixa, mais genuína. — Você é impossível. Loyane franziu a testa. — Eu não sou impossível. — É sim. Ela respirou fundo. — Então você aceita ou não? Tom recostou na cadeira novamente, os olhos presos nela. O silêncio entre os dois ficou mais pesado do que qualquer contrato assinado. Ele finalmente respondeu: — Tenho um evento em duas semanas. Loyane não reagiu, mas os olhos dela ficaram mais atentos. — Toda minha família vai estar lá. Ela assentiu. — E você precisa de uma acompanhante. — Um namorado — ele corrigiu, provocando. Ela revirou os olhos levemente. — Tanto faz. Tom sorriu. — Interessante… então você realmente vai aparecer como minha namorada. Ela respondeu sem piscar: — Claro que vou. Ele se levantou devagar, pegando o paletó. — Tem certeza que consegue manter isso? Ela já estava de pé também, firme, alinhada com ele sem recuar um centímetro. — Eu não só consigo. Eu sou a única que consegue fazer isso dar certo. Tom riu baixo, passando por ela. — Vai ser interessante, Johnson. Ela cruzou os braços, encarando ele enquanto ele caminhava até a porta. — Eu não sou interessante. Ele parou na porta, olhou por cima do ombro e sorriu. — Vamos ver isso. E saiu. Loyane ficou parada por alguns segundos. Imóvel. Controlada. Perfeita. Mas algo dentro dela — algo irritante, novo e fora de lugar — já tinha começado a se mover. E isso… ela não tinha planejado.
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