Capítulo 2

1188 Words
Frida Abreu Nem um cafezinho descia, desde que o senhor Hórus meu chefe disse que na segunda tinha uma grande novidade para mim. Mal dormi esses três dias. Quinta foi a despedida do senhor Abraão, ele se aposentou e a vaga de Gestor de Produção estava aberta. Não haveria outra novidade boa para mim, do que a vaga da gestão. Afinal, eu merecia, estava nessa empresa desde o estágio, cheguei a supervisão bem rápido por mérito e agora a gestão. — E aí, ficou good? — Tarsila entrou no meu quarto, perguntando se o terninho que ela me emprestou, serviu. — Bom, se tirar o fato de estar apertado, já que você é mais magra do que eu, dessa saia parecer uma sai de força, não me dá mobilidade e de me sentir ridícula, sim, serviu. — Stop, Frida, seja mais feminina! Saia lápis é para a mulher ter um andar gracioso, não passadas largas de um estivador. — Tudo isso para quê? A vaga já é minha mesmo, acho que irei com meu bom e velho jeans. — Você está nervosa, hein? Não sabe o que quer. Frida, ainda está no zero a zero? Precisa t*****r, irmã, liberar hormônios. — Sim, ainda estou no zero a zero, sete meses, estou subindo pelas paredes. — fiz cara de choro. — Os carinhas de agora são chatos, mais vaidosos do que as mulheres. Quero um surfista, descabelado, com a pele bronzeada e uma mão grande pra apertar o meu corpo. — Surfista, Frida? Para isso você tem de ir a praia, na fábrica Mut-Ísis e dentro desse quarto é que não irá conseguir. Precisa sair mais, irmã. — Eu sei, Tarsila, agora como uma gestora de produção, minha vida ficará mais fácil, quem sabe assim posso finalmente ir atrás do meu sufista cabeludo. Ela apenas assentiu e ajeitou o coque, visivelmente torto, que eu fiz no meu cabelo. (...) Finalmente eu estava pronta, o problema era que a ansiedade acabava comigo. Suava frio e nem sabia como iria dirigir assim. — Tchau, Tarsila! — falei com as chaves na mão e a bolsa no ombro. — Me deseje sorte. — Aguarda, Frida. — minha irmã saiu do quarto e veio até a mim na sala, com uma caixa na mão. — Não é melhor você chamar um carro por aplicativo? — Vai ficar tudo bem, o perigo resta para quem estiver fora do carro. — e nós duas rimos. — Toma um presente para você. — ela me entregou a caixa. — Mas só abre quando estiver dentro do carro. — Imagino o que está dentro dessa caixa, vou levar, mas fique sabendo que não irei usar essas coisas da empresa na qual trabalha. Sem me dar importância, Tarsila deu de ombros e retornou para o quarto e eu fui para o trabalho. (...) No trânsito, enquanto parei no sinal, abri a caixa que minha irmã me deu. Dentro, nenhuma novidade, era um dos utensílios no qual Tarsila era consultora da empresa g****a. No fundo da caixa, um bilhete. "Irmã, precisa relaxar. Enquanto você dirige, tira a calcinha, pega o vibra duplo, introduz a parte do pênis e encaixa o sugador íntimo no seu pontinho sensível. Não esquece de tirar o lacre, senão não vibra, garanto que chegará menos tensa no trabalho." — Louca! — Falei comigo mesma. — Tarsila, você é doidinha de pedra. Imagina eu atropelando e batendo em alguém enquanto tenho um orgasmo? Continuei a dirigir e tudo que eu não precisava era de um engarrafamento. Era só para aumentar minha pressão. Comecei a fazer a tal da direção ofensiva, quando parecia que o motorista estava sozinho no mundo e não se preocupava com os demais. Foi dessa maneira, egoísta e dispersa, que passei por uma cratera de água suja, jogando esgoto para todos os lados. Toda errada, deixei uma dupla em cima de uma moto, lotada de bosta, eles me xingaram e pus meu dedo médio esticado para fora. Ninguém mandou eles estarem andando feito lerdo no meio do esgoto. Cheguei na empresa e estacionei o carro. Fiquei na dúvida se iria para o refeitório tomar um café, já que não comi nada em casa. No entanto, estava tão ansiosa, que era capaz de regurgitar. Quando olhei para a caixa na minha mão, me perguntei porque que desci com aquilo e não deixei dentro do carro. Algum propósito tinha. Pensei se Tarsila não pudesse ter razão. Um orgasmo agora me deixaria mais leve, menos tensa. Mas porque eu estava tensa, se a vaga já era minha? Dentro da minha cabeça, algo poderia dar errado e por isso estava essa pilha. Queria testar se a teoria da minha irmã tinha razão, foi aí que me dirigi ao quarto do desestresse. Chegando até a porta de madeira, nos fundos da indústria, o local onde ficava o quarto era bem discreto, peguei minhas chaves na bolsa e abri a porta. O cheiro não estava muito bom, acho que o esgoto do banheiro estava com problema, depois pediria a alguém para ver isso. O que eu precisava no momento estava ali, a cama limpinha para eu testar esse negocinho. Logo após passar a trava de segurança, tirei a calcinha, me joguei na cama e levantei minha saia. Primeiro, o sem jeito me mandou lembrança, era muita informação. Eu tinha que encaixar o negócio no meu buraquinho e pôr o sugador no meu c******s. Quando estava conseguindo, sem sentir nervoso — afinal nunca tinha feito aquilo — ouvi um barulho que me assustou. — TEM ALGUÉM AÍ?! — desci a saia rapidamente. Tudo estava no mais perfeito silêncio. Era apenas minha mente me traindo. Voltaria a conversar com esse amiguinho de plástico. Não era o meu surfista, mas por hora, serviria. Finalmente introduzi e encaixei. O negócio era bom, claro que faltava uma boca gostosa, uma mão grande no meu corpo e o feromônio da testosterona. Mesmo assim, rapidamente eu me contorcia na cama e me segurava para não gemer alto, tendo meu c******s sugado por aquele objeto. — Mmmm… nossa… Mmmm… Ai, meu Deus! — arfei assim que tive o orgasmo. De olhos fechados, ainda no clima das sensações, continuei a falar comigo mesma. — Isso só fez aumentar a vontade de ir atrás do macho do meu desejo. Fim de semana irei à praia, caçar meu surfista. Meus olhos continuariam fechados, se não fosse um som de voz máscula, limpando a garganta, preencher meus ouvidos e o ambiente. Abri meus olhos devagar, apenas uma toalha cobria parte do seu corpo. Não sei se era um presente divino ou apenas uma alucinação demoníaca de quem estava há sete meses sem ter um orgasmo. Não tive reação, o homem à minha frente era bronzeado, tinha cabelo comprido e parecia ter os fios claros, mesmo estando molhados. Começaria acreditar em fada madrinha? — Quem é você? — perguntei tentando entender o que se passava ali. Com um sorriso sonso ele respondeu: — Não sei se sou o macho do seu desejo, mas amo surfar e posso fazer bem melhor do que isso aí que está no meio das suas pernas.
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