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A Nossa Verdade: Entre o Orgulho e o Amor

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Blurb

Miranda sempre acreditou que o amor era apenas uma ilusão. Filha de uma mulher traída que escolheu perdoar, ela aprendeu a nunca depender de ninguém além de si mesma. Até que Ethan Cavalcante aparece. Frio, distante e impossível de ignorar, ele é herdeiro de um império e marcado por uma traição que o tornou incapaz de confiar. O que começou com um encontro inesperado e uma conexão impossível logo se transforma em algo perigoso. Entre orgulho, medo e sentimentos que nenhum dos dois consegue controlar, Miranda e Ethan terão que enfrentar seus próprios fantasmas.Porque às vezes o amor não é sobre acreditar… É sobre ter coragem de sentir.

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A Lista
Miranda descobriu que poderia perder tudo em uma terça-feira comum. E o pior era que ninguém teve coragem de dizer isso diretamente a ela. Ela encarava a tela do computador como quem observa um horizonte distante. Números, gráficos e planilhas flutuavam borrados, como se pertencessem a outro mundo. O corpo permanecia ali, sentado à mesa, mas a mente vagava, presa a pensamentos que se recusavam a se organizar. O zumbido constante do ar-condicionado misturava-se ao clique ritmado dos teclados e ao eco abafado de passos sobre o piso de mármore. Entre um som e outro, o próprio coração se impunha, insistente, marcando um tempo que não parecia mais acompanhar o relógio. As memórias recentes voltaram como um sussurro incômodo. Mais cedo, no banheiro do andar, Miranda havia parado diante do espelho apenas para lavar as mãos quando as vozes surgiram atrás dela, abafadas pelo som da torneira. — Vai ter tantos cortes… eu acho isso um absurdo — disse uma mulher, em tom baixo, carregado de indignação. — Cala a boca, Hellen — respondeu a outra, seca. — Você só está reclamando porque vai ter que trabalhar dobrado por causa disso. Miranda prendeu a respiração, imóvel. — Verdade… podia ser pior se a gente estivesse na lista. Um silêncio curto se instalou, quebrado logo em seguida. — A Sofia está estranha desde que a lista saiu. — Claro que está. Um dos nomes é da melhor amiga dela. O nome não foi dito. Não precisou. Miranda saiu do banheiro sem olhar para trás, o coração batendo forte demais para um espaço tão pequeno. Lista de cortes. Ainda esta semana. Ela não precisava de confirmação oficial. Os olhares desviados, as conversas interrompidas à sua aproximação, os murmúrios abafados na copa — tudo apontava na mesma direção. O ar na CAVCOM estava pesado, denso, como o céu antes de uma tempestade que todos pressentem, mas fingem ignorar. O fundador, Roberto Cavalcante, havia deixado o cargo recentemente. A empresa agora estava sob o comando de Erika Montenegro, sua filha adotiva. Uma mulher alta, de postura impecável, cabelos loiros lisos repousando sobre os ombros, olhos castanhos sempre atentos. Respeitada. Admirada. Temida. Desde que assumira o novo cargo, uma correria silenciosa se instalara, como se ninguém quisesse ser o próximo a ficar para trás. No fundo, Miranda sabia que seu nome estava na lista. Sempre fora discreta, eficiente, quase invisível quando necessário. Crescera em uma família simples, onde cada conquista era arrancada com esforço. Sua mãe, Lurdes, sustentara a casa sozinha após a separação marcada pela traição do pai. As lembranças dele vinham em fragmentos: o cheiro de bebida, a voz alta nas discussões intermináveis, promessas que nunca se cumpriam. Amar, para alguns, significava desaparecer. Ela prometera a si mesma que nunca iria amar. O reflexo no monitor devolvia a imagem de uma jovem morena clara, de cabelos longos e ondulados presos de qualquer jeito, o rosto limpo, sem maquiagem — como sempre. Os olhos castanho-mel estavam atentos demais para quem tentava parecer tranquila. Aquele emprego não era apenas um salário. Era estabilidade. Era segurança. Era sobrevivência. Perdê-lo significava encarar fantasmas antigos — e ela não se sentia pronta. Foi então que ela sentiu. Não foi um som. Foi uma sensação. Como se estivesse sendo observada há algum tempo. Ergueu os olhos lentamente. Sofia estava ali. Parada ao lado da mesa, perto o suficiente para falar, mas em silêncio. As mãos estavam entrelaçadas à frente do corpo, os dedos pressionando uns aos outros em um gesto pequeno demais para ser notado por qualquer outra pessoa. Mas Miranda notou. Sempre notava. Havia algo diferente em sua expressão. Não era apenas gentileza. Era hesitação. Os olhos verdes, geralmente tão abertos e tranquilos, agora carregavam um peso estranho. Eles percorriam o rosto de Miranda com cuidado, como se procurassem sinais de algo que ainda não havia acontecido — mas que era inevitável. Sofia abriu a boca, como se fosse dizer alguma coisa. Então parou. O silêncio entre as duas durou apenas alguns segundos, mas pareceu mais longo. Miranda sentiu o estômago apertar levemente. Conhecia aquele tipo de pausa. Era o tipo de silêncio que vinha antes de uma verdade difícil. Antes de uma despedida. Antes de algo que mudava tudo. Por um instante, teve vontade de perguntar. De forçar as palavras a existirem. Mas não perguntou. Porque, no fundo, já sabia. E talvez Sofia também soubesse que ela sabia. Algo invisível passou entre as duas naquele momento — um entendimento silencioso, doloroso demais para ser nomeado. Ainda assim, Sofia respirou fundo, como quem toma uma decisão que não tem coragem de explicar completamente. E então, finalmente, falou: — Tem planos para hoje à noite? Miranda piscou, voltando à realidade. — Não exatamente. Sofia apoiou o quadril na mesa, observando-a com atenção demais. — Vai ter uma festa pequena. Música, comida, gente legal. Você devia ir. Eu preciso de companhia. Topa? Miranda franziu levemente a testa. — Por quê? Sofia hesitou por um segundo. — Porque você está triste e precisa distrair a cabeça. Nem tudo pode ser controlado o tempo todo. Miranda soltou um pequeno suspiro. — Acho que o acaso nunca foi muito gentil comigo. Sofia sorriu de lado, como quem desafia algo invisível. — Vai que ele só estava esperando você sair de casa para começar a trabalhar. Miranda desviou o olhar para a tela novamente. As planilhas continuavam ali, indiferentes ao fato de que sua vida poderia estar prestes a desmoronar. Ela poderia dizer não. Poderia ir para casa. Se esconder. Esperar o inevitável chegar. Seria mais fácil. Seria mais seguro. Mas também significaria aceitar, em silêncio, que já tinha perdido. Algo dentro dela — talvez o cansaço de ter medo o tempo todo — cedeu. — Tá bom — disse, quase em um sussurro. — Eu topo. O sorriso de Sofia surgiu de imediato, como um pequeno alívio em meio ao caos. — Eu passo na sua casa às oito. Quando Sofia se afastou, Miranda permaneceu imóvel por alguns segundos. Ela não sabia exatamente por que tinha aceitado. Talvez porque, no fundo, já estivesse perdendo tudo mesmo. Ao guardar os pertences no fim do expediente, percebeu sinais que tornavam a tensão mais real: pastas largadas às pressas, colegas evitando contato visual, frases interrompidas no meio. A lista não era boato. Era real. Da janela, a cidade se estendia abaixo, indiferente ao medo de quem vivia nela. Edifícios modernos misturavam-se a ruas antigas, enquanto o céu começava a escurecer lentamente. Tudo continuava normal. Exceto a sensação dentro do peito dela. Em casa, o vazio a recebeu sem cerimônia. Sua mãe ainda não havia chegado. O apartamento pequeno parecia suspenso no tempo. Sofá gasto, mesa com duas cadeiras, fotos antigas na estante. Silêncio. Miranda sentou-se na beirada da cama. Por um instante, pensou em desistir. Poderia mandar uma mensagem. Inventar uma desculpa. Ficar ali, onde nada poderia surpreendê-la. Onde nada poderia machucá-la. Mas também onde nada jamais mudaria. Ela fechou os olhos. Respirou fundo. E, pela primeira vez em muito tempo, decidiu não fugir imediatamente do desconhecido. Miranda ainda não sabia… Que, naquela mesma noite, conheceria o homem que mudaria sua vida — e destruiria todas as suas certezas.

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