A MELODIA QUE IRRITA O MONSTRO
Amália não chorou, não gritou, não quebrou nada, ela não era assim. Ela foi treinada arduamente, tanto física como mentalmente, então conseguia se conter mais, e o seu o silêncio era pior. Muito pior. Amália planejava, não aceitava perder. Ainda mais por algo que esperou tantos anos
Ela saiu da casa de seu pai com a cabeça erguida, o salto ecoando firme pelo mármore, mas por dentro…
Era puro ódio.
A imagem do lençol manchado não saía da mente.
Virgem.
Olivia Dante era virgem. Nem ela era quando fez amor com Eros a primeira vez, e aquela garota, que por mais que Amália destes tava admitir, era bonita. E a raiva subia ao pensar que Eros a tocou, foi tão dificil ter uma noite de sexo com ele. Eros tem traumas por causa da cicatriz, embora ele não admita. Era nojenta, era. Amália sempre evitava olhar, mas seu objetivo era Eros, mesmo com ele deformado.
E aquilo não fazia sentido, Eros nunca se importou com sexo. Nunca.Sexo sempre foi apenas… necessidade.
Frio, sem emoção, sem apego, sem cuidado, ele nunca poupava ninguém, nunca suavizava nada. E mesmo assim… Ele tinha poupado aquela garota.
Amália entrou no carro com o maxilar travado.
As unhas pressionando a bolsa com força.
Ela conhecia Eros melhor do que qualquer pessoa, cresceram juntos treinaram juntos, tobreviveram juntos. Ela sempre soube que o lugar ao lado dele era dela.
Sempre foi.
E então aparece uma garota… Loira, olhos diferentes, frágil, mas com aquela maldita coragem irritante. E de repente…
Eros muda. Pouco. Quase imperceptível. Mas muda.
E isso… Era inaceitável. Amália não perderia, não para uma menina, não para uma Dante.
O celular vibrou em sua mão, uma mensagem, um dos funcionários da casa Capón. Um que lhe informava tudo, o que acontecia la dentro. Ela sorriu, frio, perigoso.
— Então é assim que vamos jogar…
Ela murmurou, e Olivia Dante queria sobreviver naquela casa… Ia aprender rapidamente que existiam destinos piores que a morte.
•••
Eros voltou para a mansão ao entardecer, o céu de Madrid estava tingido de dourado escuro, a cidade vibrava lá fora, mas dentro dos muros Capón… Tudo permanecia imóvel, controlado, silencioso como sempre.
Ele tirou o paletó ao entrar, entregou a um funcionário, como uma rotina maçaneta que sempre acontecia, nem sequer olhou ao redor.
A mente ainda estava irritada, confusa, desorganizada, e isso o deixava furioso. Nunca aconteceu antes, por isso era tão difícil para ele.
Ele subiu os primeiros degraus da escada principal e então ouviu.
O piano.
Uma melodia suave, triste, delicada, o som ecoava pelo grande salão como algo vivo, algo que não pertencia àquele lugar, Eros parou, imóvel, o som era… incrivelmente lindo, preciso, cheio de emoção, daqueles que tocavam a alma.
Não era apenas técnica, era sentimento. Ele desceu lentamente o degrau que havia acabado de subir, virou o rosto na direção do salão e viu.
Olivia.
Sentada ao piano de cauda n***o, apostura delicada, os dedos se movendo com leveza sobre as teclas, os olhos fechados, como se aquele fosse o único lugar onde ela ainda existia o único lugar onde não era prisioneira, o único lugar onde ainda era… livre, a música era melancólica, mas bonita demais.
Eros não se aproximou ficou parado na sombra do corredor, observando, o vestido simples que ela usava agora a deixava ainda menor, mais frágil, mas ao mesmo tempo mais real. Linda ela era até se estivesse usando sacos de lixo como roupas, mas a delicadeza do vestido azul claro combinava com ela.
Ela não estava chorando, não estava implorando, não estava fugindo, estava apenas, sendo, por alguns minutos…
O tempo pareceu parar, o som preenchia o espaço de uma forma estranha, algo apertou no peito dele, irritante, inoportuno, perigoso.
Ele odiava aquilo, odiava o efeito que aquela garota causava, odiava que a mente voltasse sempre para ela, odiava lembrar da pele dela molhada do olhar dela, do modo como não desviava, do modo como dizia não, mesmo sabendo que não tinha escolha.
Mas odiava ainda mais, como nunca odiou nada na vida, ela ter pedido a Santiago um beijo, p***a. Aquilo feria ele de um modo que não conseguia entender, muito menos explicar.
Aquilo…
Aquilo não deveria importar, mas importava, eisso o irritava ainda mais, Olivia pressionou uma nota mais forte, o som ecoou, ela abriu os olhos lentamente, como se estivesse voltando de algum lugar distante, então viu.
Eros.
Parado, observando, imponente como sempre, sua presença era algo difícil de não notar, ele dominava qualquer ambiente sem esforço, apenas estando ali, ja era o dono do lugar.
O corpo dela tensionou imediatamente, os dedos pararam, osilêncio caiu, pesado, oolhar dela mudou, a expressão fechou, a barreira voltou, e Eros não gostou disso.
Ea se levantou, devagar, sem dizer nada, como se já esperasse que ele fosse destruir aquele pequeno momento de paz, mas ele não disse nada, não mandou parar, não criticou, não humilhou, ele apenas ficou ali, observando, por segundos longos demais.
Até finalmente dizer.
— Continue.
A voz saiu baixa, controlada, não queria assustar ela, não nesse momento, ela franziu levemente a testa, surpresa, mas não discutiu, voltou a sentar, as mãos voltaram às teclas, a música recomeçou.
Eros se encostou levemente na parede, os braços cruzados, observando, o som era… perigoso, porque fazia algo dentro dele desacelerar, fazia o caos diminuir, e ele não gostava de nada que tivesse esse efeito.
Ele precisava de controle, não de paz. Paz era fraqueza, Eros fechou os olhos por um segundo, a melodia continuava, suave, triste, linda, e pela primeira vez desde que aquela garota entrou na vida dele, o silêncio não parecia um campo de guerra. Parecia apenas… silêncio, mas isso…
Era exatamente o problema.
Seus olhos percorriam pela garota linda, seus olhos desceram até as mãos pequenas, delicadas, deslizando suavemente, pelas teclas do piano, fazendo aquela musica entrar em Eros com tanta força, que ele quase podia sentir o mesmo que ela sentia ao tocar, era incrível, como isso tocava ele de uma forma que nem sabia ser possível, Eros nunca foi amante de musicas, mas agira queria ouvir ela tocar para ele sem parar.