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Naquela manhã, enquanto Elara tentava fingir que nada tinha acontecido, o destino já estava trabalhando para colocar os dois frente a frente novamente.
Ela passou o dia inteiro tentando esquecer aqueles olhos intensos que tinha encontrado no meio da floresta. A força daquele homem, mesmo ferido, a forma como ele a olhava como se ela fosse algo raro… tudo aquilo parecia um sonho estranho.
— Eu nem sei o nome dele… — murmurou Elara, passando a mão no rosto.
Bruna cruzou os braços, observando a amiga andar de um lado para o outro.
— Você realmente tem um talento para se meter em situações impossíveis. Primeiro some na floresta à noite, depois aparece na manhã seguinte toda confusa porque encontrou um homem misterioso.
Elara ficou vermelha.
— Para, Bruna. Eu só ajudei alguém que precisava.
— Ajudou tanto que fugiu da mansão dele sem nem perguntar o nome?
Elara suspirou.
— Eu fiquei com vergonha. Quando acordei e percebi onde estava… parecia loucura.
Enquanto isso, na enorme mansão Lockwood, Zack caminhava pelo corredor com um sorriso raro no rosto. Seus homens nunca tinham visto o alfa daquele jeito.
Ele era conhecido por ser frio, poderoso e impossível de se aproximar. Mas aquela mulher desconhecida tinha atravessado todas as barreiras que ele construiu durante anos.
Simon entrou no escritório.
— Alfa, encontrei algumas pistas.
Zack levantou o olhar.
— Fale.
— A floresta onde ela apareceu pertence às terras próximas à vila. Estamos tentando descobrir quem é ela.
Zack ficou em silêncio por alguns segundos.
— Ela não tinha medo de mim.
Simon abaixou a cabeça.
— Isso é raro, alfa.
Zack passou a mão pelo rosto, lembrando da noite anterior.
— Ela cuidou de mim quando eu estava vulnerável. Não tentou tirar vantagem da minha fraqueza.
O olhar dele ficou sério.
— Encontre-a, Simon.
— Sim, alfa.
Antes que Simon saísse, Zack completou:
— E tenha respeito. Ela não é uma qualquer.
Simon assentiu.
— Entendido.
Na vila, Elara tentava continuar sua rotina, sem imaginar que o homem que ela acreditava nunca mais ver estava procurando por ela.
Mas a lua cheia daquela noite não tinha sido apenas uma coincidência.
Ela tinha despertado algo antigo.
Algo que nem mesmo Zack Lockwood, o alfa mais temido da região, conseguiria ignorar.
E quando ele encontrasse Elara novamente, ela descobriria que fugir de um homem como ele não seria tão fácil.
Meses se passaram, e Elara tentou seguir sua vida como se aquela noite na floresta fosse apenas uma lembrança distante. Mas seu corpo começou a mudar.
Primeiro vieram os enjoos, depois o cansaço constante. Até que um dia, enquanto ela trocava de roupa, percebeu uma pequena curva em sua barriga.
Ela ficou parada em frente ao espelho, sem conseguir acreditar.
— Não… não pode ser…
Naquele mesmo dia, Bruna percebeu que havia algo diferente.
— Elara… espera.
A amiga se aproximou devagar, olhando para a barriga dela.
— Meu Deus… você está grávida?
Elara arregalou os olhos.
— Eu… grávida?
Bruna assentiu, ainda surpresa.
— Sim, Elara.
O silêncio tomou conta do quarto.
Elara levou a mão até a barriga, sentindo o coração acelerar.
— Ai, meu Deus… e agora?
Mil pensamentos passaram pela cabeça dela. Ela nem sabia o nome completo do pai da criança. Não sabia onde ele estava. Não sabia como contar que, daquela noite na floresta, tinha surgido uma vida.
Bruna segurou a mão dela.
— Amiga, você não está sozinha. Vamos descobrir o que fazer.
Elara olhou para a janela, lembrando do homem de olhos intensos que a protegeu naquela noite.
— Eu nem sei se ele vai querer saber…
Enquanto isso, na mansão Lockwood, Zack sentiu uma mudança estranha. Desde aquela noite, sua ligação com a mulher misteriosa parecia incompleta.
Simon entrou no escritório com uma expressão séria.
— Alfa… encontramos algo.
Zack levantou o olhar.
— Fale.
— Descobrimos quem é a mulher da floresta.
Pela primeira vez em meses, o coração do poderoso alfa acelerou.
— O nome dela?
Simon respirou fundo.
— Elara.
Zack ficou em silêncio.
Aquela mulher que tinha fugido dele carregava agora um segredo que mudaria tudo.
E ele ainda não sabia que dentro dela crescia o herdeiro da sua linhagem.