CAPITULO 7
Pedro Parker
As dores nas pernas são terríveis, dormi na poltrona do quarto, enquanto pensava em quem poderia estar por trás de tudo isso. Quem quer tanto ver a minha família toda morta e porquê!
Pego o meu celular e ligo para o meu detetive:
— Bom dia!
— Chefe?
— Como andam as investigações? Encontraram o funcionário que eu iria conversar no dia do acidente? — Pergunto.
— Sim e não! Descobrimos que ele também sofreu um acidente no mesmo dia chefe! Mas infelizmente não teve a mesma sorte que o senhor teve! — Diz.
— Entendo! Já procurou a família dele?
— Já estamos à procura sim! Mas inexplicavelmente eles desapareceram de Nova York! — Diz.
— Precisam encontra-los Sérgio! Precisamos achar a esposa dele para saber mais detalhes, e também pretendo ajudar financeiramente estas pessoas! Tem alguém ameaçando eles, ou apenas ficaram com medo!
— Fico com a primeira opção, senhor!
— Ok! Fico no aguardo então!
No meu escritório, tenho muito trabalho acumulado, o meu administrador vem esta semana para buscar todas as assinaturas que estavam pendentes. O meu primo assumiu temporariamente a empresa de Nova York, mas tudo ainda precisa da minha autorização, então resolvo muitas coisas aqui da fazenda.
Gostaria de ter acompanhado a Dra. Rodrigues, mas se impossibilitou com todos os trabalhos pendentes que eu tinha. Pedi a Fred para ficar à frente e resolver tudo, mas sinto uma sensação esquisita quando encontro a Doutora com Júlio, um capataz da fazenda, eles parecem felizes, ou animados, que seja! E faz-me lembrar, que isso é algo que nunca terei.
Prefiro ser imparcial, ignoro quanto aos custos da Doutora também. Suponho que se ficar isolado será melhor. A aproximação com esta mulher causa-me sentimentos que desconheço, e eles doem!
Mas pra a minha surpresa, encontro um Fred completamente apavorado e com um telefone na mão. Ele anda de um lado para outro tentando ligar para alguém e parece não conseguir.
— Está tudo bem Fred? Para quem está a ligar? — Pergunto.
— Senhor! Estou tentando falar com a Dra. Rodrigues, mas ela não atende, e estou muito preocupado, pois um dos nossos cavalos se machucou a tentar pular a cerca, e tenho quase certeza que quebrou alguma coisa.
— Precisamos encontra- la imediatamente Fred! Pode ser muito perigoso! Vamos à casa dela! — Digo.
Saímos rapidamente da fazenda a procura da Doutora, mas chegando lá, quem aparece é uma mocinha, deve ter uns 15 anos no máximo.
— Olá! A Doutora Gabriela Rodrigues está? — Pergunto à ela.
— Não senhor! Ela saiu as pressas com os meus pais e foram para o hospital Central! O meu pai estava desmaiado, o seu Luiz os levou! — Diz.
— Certo! Quando ela chegar peça para que vá com urgência na fazenda Parker! E obrigada senhorita...
— Isabela Senhor! Sou irmã da Gabriela e a Beatriz! — Responde.
Agradeço mais uma vez, e volto para fazenda. Espero que ela não demore muito.
Decido tomar um banho para relaxar, quando o meu celular toca:
— Alô!
— E aí cara! Já esqueceu da gente?
— Matt! Nunca! Sinto muita falta de vocês! Mas aí como está cara?
— Do mesmo jeito! Muitas baladas, mulheres e claro... Muito trabalho! Mas e aí? As brasileiras são bonitas?
— Matt...Matt! Você não muda não é? Não vi muitas brasileiras aqui não, mas as que vi são bonitas sim! — Ri.
— Não pegue todas! Separe umas para mim! (Riso).
— Engraçadinho! Você é muito mulherengo cara! Quando vai criar juízo?
— Não pretendo! — Ri alto! — Mudando de assunto Pedro, liguei por um motivo bem importante! Precisamos conversar!
— Fala logo cara! Oque houve? — Pergunto.
— Os acionistas têm me dado trabalho, com a sua ausência eles estão na cola! Já conversei muitas vezes com eles, mas está ficando complicado. Eles pensam que você está desinteressado pelas empresas Parker's. Principalmente pelo fato de ir para o Brasil! — Explica Matt.
— Mas o que eles realmente querem? Sempre fiz tudo que podia! Você sabe Matt! — Digo.
— Falaram que deveria se casar! Que precisa agora de mais responsabilidades, e também... Comentam da sua dificuldade com as pernas... Diz meio sem graça.
— Que desgraçados! Garanto que estão de olho na presidência! E agora irmão! Oque eu faço? — Pergunto.
— Não encontrou nenhuma brasileira gata aí?
— Sério que está a ponderar isso? — Pergunto incrédulo.
— Bom! A melhor opção é casar! Nem que seja sobre um contrato!
Ele fala esta última frase, e não sei porquê vem-me Gabriela na cabeça.
— Se fosse para fazer um contrato gostaria que fosse com Gabriela, pode ser atrevida, mas é uma mulher responsável pelo que me falaram, e incrivelmente linda naturalmente. Mas não posso iludir-me, ela jamais se casaria comigo, mesmo que por contrato — Falo pensando alto, mas acredito que Matt ouviu.
— Ual! Quer dizer que então já temos a noiva?- Matt perguntou.
— Quê? Não ouviu o que falei? Ela nunca aceitaria, é muito orgulhosa para isso! — Falo.
— Mas nada te impede de conquistá-la também! Não precisa ser um contrato! Ou precise descobrir o que ela queira em troca deste contrato! Talvez ela precise de algo, não sei cara! Não conheço a moça. Mas já lhe adianto que não tem muito tempo, e desde já aconselho que se for se casar, a melhor opção seria fazer isto aqui em Nova York, para que todos vejam que é verdade. E também o contrato pode ter uma validade de uns 2 anos, por exemplo! — Matt diz e eu fico pensando.
— Não sei Matt! Preciso pensar! É muita informação para mim! Preciso de um tempo, ok? Quando eu decidir eu aviso? Só lhe peço que não conte nada disso para o tio Jackson e a tia Jhuly, tá?
— Tranquilo cara! Mas ainda penso que esta seja a melhor saída! Melhor do que casar com a Maria! Não sei se é do seu interesse, mas ela tem perguntado muito de você, e implorou para eu passar o seu novo número e o local onde está! Mas não passei não! — Responde Matt.
— Obrigado Matt! Não quero mais saber dela! Ela simplesmente deixou-me lá no hospital e não se importou comigo, ou ficou com vergonha das amiguinhas dela saberem que está com um cadeirante! Tô fora! Prefiro pagar por um contrato, que pelo menos eu vou saber o resultado, e não vou iludir-me! Pois, no final você tinha razão quanto a ela! Bom... Vou jantar agora, depois falamos! Tchau, meu irmão!
— Tchau! Pedro!
Desligo e fico pensando em tudo o que conversamos. Oque eu farei agora! Esses acionistas podem trazer-me muitos problemas se eu não atingir as suas expectativas!
E de que forma eu poderia convencer Gabriela a aceitar esta proposta sem cabimento! Preciso descobrir tudo sobre ela! Quem sabe eu não encontre algo?
Desço para jantar e ver se a atrevida apareceu. E para minha surpresa vejo que ela está na minha sala... Mas ela não me vê, então resolvo escutar a conversa dela com Fred... "Hoje eu descubro algo a meu favor… ", penso.