07h00 – Apartamento de Dona Néia (escondida no morro)
Bruna acorda assustada com gritos ao longe.
Ela recebe um recado de Nanda por bilhete:
“Se quiser fugir, é hoje. 20h. Viela 13. Mas se ficar, se prepara pra guerra.”
Bruna olha pela janela. O morro não é mais o mesmo.
— Presídio Bangu 1 – 10h12
R.P. escuta tudo pela “rádio cadeia”.
— "Subida da Serrinha no Vidigal. Teu povo tá na mira."
Ele aperta a grade. Ódio nos olhos.
— "Se encostarem na Bruna, nem mil muralhas me seguram."
20h00 – Viela 13
Bruna chega, capuz cobrindo o rosto. Nanda já tá lá com uma moto escondida.
— "A gente pode sumir. R.P. vai te encontrar depois. Mas se ficar... tua vida corre risco de verdade."
Bruna encara a escuridão da ladeira.
— "Se eu fugir agora, eu morro de arrependimento."
Ela tira o capuz. Respira fundo.
— "Eu fico."
Nanda sorri, surpresa.
— "Então se prepara. Porque agora, cê tá oficialmente do lado de dentro."
Planos da favela vistos do alto.
Fogos estourando não por festa — mas por guerra.
Bruna em silêncio.
R.P. na cela, orando.
O destino dos dois: marcado a bala.
é adrenalina do início ao fim. O morro vira zona de guerra. Os rivais subiram. Bruna se esconde, mas a bala não escolhe destino. E lá de dentro da cadeia, R.P. mostra que comando de verdade não precisa estar armado — só precisa ser respeitado.
03h27 – Alto do Vidigal
Gritos. Rajadas. Fogos avisam: os caras da Serrinha subiram.
Bruna tá escondida com Nanda e duas crianças num barraco de madeira.
— "Fica abaixada. Nada de celular. E se ouvir porta batendo, corre sem olhar pra trás." — diz Nanda, com a pistola no colo.
Lá fora: o barulho das granadas assusta.
Paredes tremem. Os gritos se misturam com sirenes.
Presídio – Bangu 1
R.P. é acordado por um bilhete passado discretamente.
“Os da Serrinha invadiram. Bruna tá lá.”
Ele levanta, chama Jorjão.
— "Preciso do telefone. Agora."
— "Tu vai falar com quem?"
— "Com quem ainda me respeita mais que a morte."
04h00 – Em algum beco do Vidigal
Cabelo recebe a ligação.
— "Alô?"
— "É o patrão. Segura o morro. Não é por mim. É por ela."
— "Pode deixar, R.P. Nós vai virar noite em sangue se for preciso."
Dentro do barraco
As crianças choram. Bruna tenta manter a calma.
De repente: barulho de passos no corredor. Três, quatro homens armados.
— "Vasculha tudo. A garota tá aqui em algum lugar."
Nanda engatilha.
— "Eles querem você, Bruna. Só você."
— "Então deixa eu sair. Melhor uma só morrer do que todos aqui."
Nanda segura firme no braço dela.
— "Tu não vai sair. Porque tu é o coração dele. E coração a gente não entrega."
Lá fora, de repente:
Cabelo e mais dez homens surgem pelas laterais do beco. Fuzil em punho.
— "Serrinha vai sair no caixão daqui!"
TIROTEIO PESADO.
Becos em chamas. Gente gritando.
Bruna protege as crianças com o corpo.
05h30 – Primeiros clarões do dia
Silêncio. Corpo no chão. Sangue escorrendo pela ladeira.
Bruna sai, coberta de poeira e fuligem.
Viva. Mas diferente. Muito diferente.
Na cadeia, R.P. escuta a notícia pelo rádio clandestino.
“Bruna sobreviveu. A Serrinha recuou.”
Ele fecha os olhos, sussurrando:
— "Ela é mais forte do que eu pensava."
Bruna ohando a favela destruída ao amanhecer.
O sol nasce tímido entre fumaça e silêncio.
Ela tira do bolso a carta de R.P.
Lê uma frase que não tinha visto antes, rabiscada no fim:
“Se você sobreviver por mim… eu prometo viver por você.”
Onde o barulho dos tiros dá lugar ao silêncio pesado das consequências. Bruna começa a sentir a dor que não sangra: o peso do nome, o julgamento nas redes, a dúvida dentro do peito. E lá de dentro, R.P. recebe uma proposta tentadora: entregar tudo em troca da liberdade. Mas o preço é alto — e tem nome.
09h00 – UPA da Rocinha
Bruna sentada, mão enfaixada, arranhões no rosto.
A médica limpa os machucados.
— "Você teve sorte. Podia ter morrido."
Bruna desvia o olhar.
— "Às vezes, morrer parece mais fácil do que aguentar o que vem depois."
—
Na sala da recepção, TV ligada:
“Ela é filha de um coronel, mas escolheu o lado do crime. Conhecida agora como a Primeira-Dama do Tráfico, Bruna M.”
Ela fecha os olhos. O celular vibra.
Mensagem anônima:
“Que vergonha pros teus pais. Seu lixo.”
Outra:
“Tomara que acabe igual ele: atrás das grades ou debaixo da terra.”
Ela joga o celular no chão. Silêncio.
Presídio – Sala de Visitas Restritas
R.P. é levado algemado, olhar firme.
Do outro lado da mesa, um promotor e um delegado.
— "Você quer sair daqui? Quer viver com ela de verdade? Então nos dá o nome dos fornecedores. Dos contatos políticos. Em troca: liberdade, proteção... e até redução de pena."
R.P. não responde. Olha pro teto.
— "Cê quer viver com ela ou morrer aqui dentro?"
Ele dá um sorriso irônico.
— "Vocês acham que me oferecendo liberdade compram minha palavra?"
— "Ela vai sofrer muito por sua culpa."
Ele responde seco:
— "Ela é mais forte do que vocês."
18h00 – Morro do Vidigal
Bruna caminha pelas vielas como se fosse outra pessoa.
Todo mundo olha, mas ninguém fala.
Até que uma senhora para ela:
— "Você ainda ama ele, né?"
Bruna assente, com os olhos marejados.
— "Então vai ter que aprender a amar carregando cicatriz."
R.P. na cela, sozinho, olhando pra foto de Bruna colada na parede.
Ela, na laje, olhando pro mesmo céu.
Ambos tocam o próprio peito, sentindo a dor da escolha.
"O amor sobrevive. Mas ninguém sai ileso."
Bruna desafia tudo e todos pra manter seu amor vivo. Vai visitar R.P. em segredo, mas o cerco tá fechando. O coronel Álvaro já sacou, e a fúria de um pai traído pode ser mais perigosa do que a de qualquer inimigo do tráfico. E pra piorar… dentro do presídio, o caos começa a ferver.
09h15 – Fórum Criminal do Rio
Bruna coloca um casaco largo, boné e óculos escuros.
Está prestes a visitar R.P. como “namorada oficial”.
Usou o nome da mãe falecida pra entrar no sistema.
Na sala de espera, nervosa, mãos suando.
Funcionária chama:
— "Maria Eduarda Campos?"
Ela levanta. Coração disparado.
10h03 – Sala de Visitas
R.P. entra. Ao vê-la, trava.
Fica um tempo só encarando. Quase não acredita.
— "Cê ficou maluca de vir aqui."
Ela sorri, com lágrimas nos olhos.
— "E você ficou mais bonito preso, sabia?"
Eles se abraçam. Apertado. Verdadeiro.
— "Tô aqui porque te amo. E porque eu sou livre. Livre pra escolher você."
R.P. segura firme no rosto dela.
— "Então se prepara. Porque isso aqui... vai piorar antes de melhorar."
—
14h40 – Quartel Geral da PM
Coronel Álvaro assiste imagens de câmeras externas do presídio.
Vê Bruna saindo. Disfarçada, mas ele reconhece. O sangue some do rosto.
— "Ela foi visitar ele."
Ele joga o copo de café na parede, se levanta.
— "Eu vou acabar com isso. Nem que eu tenha que enterrar os dois."
Presídio – Ala D
R.P. volta pra cela. É recebido com olhares.
Jorjão chega perto.
— "Ela veio, né?"
R.P. apenas assente.
— "Então protege ela. Porque o clima aqui vai virar inferno. Tem rebelião sendo armada pra dentro de dois dias. Os caras da facção rival querem queimar tudo."
R.P. olha pro alto. Fecha os punhos.
— "Se a guerra vem, então eu vou lutar do jeito que sei."
20h00 – Morro do Vidigal
Bruna sentada na laje. Recebe uma ligação de número desconhecido.
— "Alô?"
— "Aqui é da PM. Bruna, seu pai sabe que você esteve com Rodriguinho. Você precisa sair do Rio. Agora."
Ela desliga. Fica em choque.
Olha pro céu e sussurra:
— "Não vou embora sem ele."
Dentro da cadeia, R.P. rasga o colchão e puxa um celular escondido.
Digita uma mensagem pra Cabelo:
“Se algo acontecer comigo, protege ela. Com a vida.”
Do lado de fora, Bruna acende um cigarro, o olhar perdido, determinado.
Entre grades e lajes, o amor deles ainda respira. Mas a guerra tá só começando.