Andrew. Convidei Sophia para jantar como quem pede permissão para entrar em um território frágil. Nada grandioso. Nada que lembrasse aquele cativeiro terrível ou o peso do sobrenome Bonanno. Só nós dois. Um espaço seguro para conversar — ou simplesmente existir sem medo por algumas horas. Quando ela desceu as escadas, eu perdi o fôlego. O vestido azul abraçava o corpo dela com uma elegância silenciosa, marcando a barriguinha já evidente, o sinal mais concreto de que o tempo havia passado e de que a vida seguia seu curso apesar de tudo. O tecido acompanhava cada curva com suavidade, sem excessos, sem provocação — impecável. Os cabelos estavam soltos, caindo em cachos macios sobre os ombros, como se ela tivesse permitido, por um instante, ser apenas mulher. Mãe. Não refém. Não vítima.

