NARRADO POR KEVÃO Uma semana. Sete dias vendo ela se esquivar de mim como se meu toque fosse veneno. Desde aquele beijo na calçada, a Rebeca virou fumaça. Dá aula na quadra, ensaia com as meninas, passa pelo morro… mas por mim, é como se eu nem existisse. A p***a da janela do quarto dela? Fechada todo santo dia. Cortina puxada. Nem sombra. E eu? Eu tô aqui. Na boca. Com o coração latejando e a raiva fervendo igual panela de pressão sem tampa. — “Patrão…” — o Rato veio se encostar do meu lado, com aquele jeitão dele. — “Tá tudo no esquema pro baile, viu? Iluminação, DJ, grade de cerveja, segurança…” — “E ela?” — cortei seco. — “Vai colar?” Ele coçou o queixo. — “Acho que vai. A Josi disse que ela tá tensa, mas vai.” — “Tensa?” — “É. Meio caladona, meio pensativa. Mas não é ódio

