Katy sentou-se no banquinho da praça, com o jornal que lhe custara seus últimos centavos. Era sua última esperança de conseguir um emprego naquela cidade. Estava em uma cidade pequena, dessas onde todos se conhecem e se ajudam, mas Katy não conseguia se familiarizar com lugar algum e com ninguém. Sempre se sentia assim, uma estranha, uma intrusa, que não fazia parte de lugar algum. Sentia um vazio. Sempre se apanhava em busca do desconhecido. Até quando podia se lembrar, fora criada em orfanatos. Algumas famílias até tentaram adotá-la, mas quando a descobriam nula de sentimentos, demonstrando total desafeto por seus gestos e tentativas de aproximação, devolviam-na, sentindo-se felizes por se livrar de sua presença. Não que ela fosse rebelde, mas desprovida de qualquer sentimento afetivo.

