Bruno O gosto dela ainda estava na minha boca quando percebi que tinha ido longe demais. E, pela primeira vez em muito tempo, isso não me fez recuar. Júlia continuava encostada na mesa, o peito subindo e descendo rápido, os olhos escuros, brilhando com raiva e alguma coisa muito pior. Desejo. O mesmo que já estava queimando em mim fazia tempo, o mesmo que eu vinha tentando disfarçar de curiosidade, de proteção, de controle. Mas não havia mais disfarce possível. Não depois daquele beijo. Não depois da forma como ela me devolveu cada segundo dele. Minha mão ainda estava firme na cintura dela, sentindo o calor do corpo por baixo do tecido fino da blusa. O polegar roçou a curva da cintura num movimento involuntário, e Júlia fechou os olhos por um segundo tão curto que qualquer outro home

