Isabela não conseguia dormir. O contrato assinado estava gravado em sua mente, e toda a situação parecia um pesadelo do qual ela não conseguia acordar. Embora Dante tivesse sido educado durante a assinatura, ela sabia que o pior ainda estava por vir. Ele havia cumprido sua promessa de que seria um "jogo", mas ela não sabia até onde ele estava disposto a ir para garantir que tudo saísse como ele planejara.
Quando ela chegou ao hospital naquela manhã, sua mente ainda estava envolta na confusão de tudo o que acontecera. Ela passou o dia tratando dos pacientes, mas a cada momento, um pedaço de sua atenção se voltava para a vida que agora estava irrevogavelmente conectada à de Dante Valentini. A ideia de estar vinculada a ele por três anos parecia insuportável, e ela não sabia como conseguiria sobreviver a tudo isso.
Mas Dante não era o único que tinha planos. Ele podia ser poderoso e manipulador, mas Isabela não era uma mulher qualquer. Ela não ia ceder facilmente a tudo o que ele queria. A única coisa que ela tinha certeza era de que o casamento não mudaria quem ela era ou o que ela queria para sua vida. Ela apenas precisava ser mais forte que ele.
Ao fim do expediente, quando ela saiu do hospital, mais uma vez se deparou com o carro de Dante estacionado à sua porta. Ele estava recostado no banco, aparentemente tranquilo, mas seus olhos a observavam como se soubesse exatamente o que ela pensava.
— Pronta para ir para casa? — ele perguntou, com um sorriso enigmático.
Isabela não o respondeu. Ela simplesmente entrou no carro e se sentou ao lado dele, tentando ignorar a tensão que surgia no ar sempre que ele estava por perto. Dante parecia gostar disso — da maneira como ela o desafiava sem sequer dizer uma palavra.
— Está pensando em como fugir de mim, não é? — perguntou ele, quebrando o silêncio.
Ela olhou para ele, surpresa com a pergunta direta, mas não respondeu. Sabia que, se falasse, as palavras seriam um sinal de fraqueza, e ela não queria mostrar isso a Dante.
— Eu sou mais persuasivo do que você imagina, Isabela — disse ele, com um sorriso suave. — Você vai perceber que este casamento tem muito mais a oferecer do que você imagina. E em breve, você vai me agradecer por ter tomado essa decisão por nós dois.
Ela não acreditava nas palavras dele, mas o silêncio entre eles foi carregado de tensão. A cada dia, Dante parecia se aproximar mais de sua alma, e isso a assustava. Ela estava determinada a não ceder, mas ele tinha o poder de desestabilizá-la com apenas um olhar.
Quando chegaram à sua casa, Dante se recusou a sair do carro. Isabela olhou para ele, desconfiada.
— Não vai entrar? — perguntou ela, embora soubesse a resposta.
Dante apenas sorriu. Ele parecia se divertir com o jogo mental que estava criando.
— Não, não ainda. Mas amanhã, você verá — ele respondeu, antes de fechar a porta do carro e se afastar.
Isabela ficou em pé por um momento, observando-o se afastar. Ela sabia que o que estava por vir não seria fácil, mas estava disposta a lutar.
Na manhã seguinte, Dante apareceu no hospital com um sorriso arrogante, sem avisar. Ele parecia ter o controle da situação, mas Isabela não estava disposta a deixar isso acontecer.
— Como chegou aqui? — ela perguntou, irritada, ao vê-lo parado na recepção, como se fosse o dono do lugar.
— Eu tenho meus contatos — ele respondeu, sem se apressar em dar explicações. — Precisamos conversar.
Ela o conduziu até uma sala de descanso dos médicos, onde podiam ter um pouco de privacidade.
— Eu não pedi para você aparecer aqui — ela disse, claramente frustrada. — O que você quer, Dante?
Ele se aproximou da mesa e se inclinou um pouco, como se fosse compartilhar um segredo.
— Quero que comece a entender que este casamento não é só sobre nós dois. Ele envolve muitas coisas — disse ele, de maneira séria. — Sua família, meu império, os nossos negócios.
Isabela suspirou e olhou para ele com um misto de raiva e desespero.
— Não me venha com isso. Não sou sua aliada, Dante, e não vou me deixar manipular por você.
Ele não se deixou abalar. Dante sempre tinha uma resposta para tudo.
— Não se trata de ser sua aliada. Trata-se de sobrevivência. Não vou esperar para que você me aceite de boa vontade. No entanto, vou fazer você perceber que ser minha esposa pode ser mais vantajoso do que você imagina.
Ela olhou para ele, desafiadora.
— Não sou sua esposa. Não até que eu decida que sou. E isso pode nunca acontecer.
Dante ficou em silêncio por um momento, observando-a com um olhar intenso.
— Pode acreditar, Isabela. Você vai mudar de ideia.
Ele se virou para sair, mas, antes de abrir a porta, olhou por cima do ombro.
— E quando isso acontecer, será porque você vai perceber que estou fazendo isso por nós dois. Não só por mim.
Ele saiu da sala e deixou Isabela sozinha. O que ele disse ficava ecoando em sua mente, mas ela estava decidida a não ceder. Ela sabia que Dante não a conhecia, e muito menos entendia a força que ela tinha.
A luta estava apenas começando.