Capítulo 1 — O Homem que Não Se Devia Encarar
O salão estava iluminado como um palácio antigo, lustres de cristal refletindo tons dourados sobre vestidos caros e ternos sob medida. Tudo ali exalava poder. Não era apenas um casamento — era uma declaração silenciosa de alianças, respeito… e medo.
Elisa estava deslumbrante. Sua melhor amiga. Quase uma irmã. O sorriso dela parecia firme, mas você, que a conhecia como ninguém, percebia a rigidez em seus ombros. Casar-se com um homem perigoso tinha um preço, e aquele salão estava cheio de pessoas que cobravam dívidas invisíveis.
Você ajustou o vestido de madrinha e respirou fundo.
Chefes da máfia conversavam em grupos discretos. Capangas observavam cada movimento com mãos próximas demais dos paletós. Senhores mais velhos bebiam calmamente, mas seus olhos carregavam histórias que jamais seriam contadas em voz alta.
Você tentou ignorar tudo isso. Aquela noite era sobre Elisa.
Até que aconteceu.
O choque foi seco, inesperado. A taça escorregou da sua mão no mesmo instante em que seu corpo colidiu com outro — sólido, imóvel, como uma parede.
O vinho tinto se espalhou.
— Merda… — você murmurou, o coração disparando.
Quando ergueu os olhos, encontrou ele.
Alto. Imponente. O terno preto perfeitamente ajustado agora manchado de vermelho. O rosto era bonito de um jeito perigoso — traços firmes, mandíbula marcada, olhos escuros e frios como gelo.
O tempo pareceu parar.
Ele não disse nada. Apenas te analisou lentamente, da cabeça aos pés, como se estivesse decidindo algo que poderia mudar destinos.
Você engoliu em seco.
— Eu… me desculpe, foi um acidente — disse, a voz saindo mais baixa do que pretendia.
Um dos homens atrás dele deu um passo à frente, mas o desconhecido ergueu a mão, sem sequer tirar os olhos de você.
— Não foi — ele respondeu, finalmente. A voz era baixa, controlada, carregada de autoridade. — Mas acidentes também revelam coisas.
Você franziu a testa, confusa.
— Como assim?
Um canto mínimo da boca dele se curvou. Não era um sorriso. Era um aviso.
— Coragem, por exemplo. A maioria não conseguiria me encarar depois disso.
Seu estômago revirou.
— Eu não sabia quem o senhor era.
— Agora sabe?
Antes que você pudesse responder, Elisa surgiu ao seu lado, pálida.
— Domenico… — ela disse, tensa. — Ela é minha melhor amiga.
O nome caiu como um peso.
Domenico Moretti.
Chefe da máfia italiana.
Irmão mais velho do noivo.
O homem mais temido naquele salão.
Ele desviou o olhar para Elisa por um segundo, depois voltou a você.
— Então é você — murmurou. — A madrinha.
Você sentiu um arrepio estranho. Não era medo puro. Era algo mais confuso, mais profundo.
— Vou mandar limpar o terno — você disse rapidamente.
— Não precisa. — Ele deu um passo para mais perto, invadindo seu espaço com facilidade. — Vermelho combina com certas verdades.
Seu coração batia rápido demais.
— Aproveite a festa — ele continuou. — Mas cuidado onde pisa. Este não é um lugar gentil com pessoas… diferentes.
Ele se afastou, deixando para trás um silêncio pesado.
Você só percebeu que estava prendendo a respiração quando ele sumiu entre os convidados.
Elisa segurou seu braço.
— Fica longe dele — sussurrou. — Domenico não olha para ninguém sem motivo.
Mas já era tarde demais.
Você tinha a estranha certeza de que, a partir daquele momento, ele também não tiraria os olhos de você.
E na máfia, quando um homem como Domenico Moretti escolhe observar alguém…
não é por acaso.