PATY
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Cae chega em menos de meia hora suas mãos estão trêmulas segurando o teste, Ele está visivelmente nervoso. Apavorado, na verdade. Tanto quanto eu. Sei que isso pode acabar com as nossas vidas, temos planos que não envolvem um bebê aos 17 anos. E se for verdade, tudo muda, por um pequeno deslize tudo pode acabar, nossos sonhos planos tudo vai por água a baixo.
- Vamos para a minha casa. Os meus pais saíram, foram a um jantar de negócios, devem voltar tarde. - ele diz dando um beijo na minha testa.
Não digo nada, apenas pego a minha bolsa e saio com ele. Fomos todo o trajeto, calados, a tensão é bem grande, o meu choro estava preso na garganta, que queimava e doida demais por conta do nervosismo, não dá para falar nada nesse momento, eu não tenho o que falar, na verdade. Queria só que esse teste de negativo. E tudo não passa de uma grande piada, um susto bobo
Chegamos na casa dele, finalmente, essa viagem foi mais longa do que de costume, fomos direto para o seu quarto. Deixo a minha bolsa na cama dele, vou em direção ao banheiro. Senhor, que seja negativo!
- Você quer ajuda? - ele pergunta nervoso.
- Para fazer xixi num palito Caetano. - respondo irritada, acabo me exercendo na rispidez com ele sem necessidade.
- Não sei! Eu não sei o que pensar agora, Paty. Estou meio perdido. Não sei como essas coisas funcionam. - ele quase chora.
- E você acha que eu sei? Acha que eu estou contente com essa situação? - acabo por explodir.
- Não estou te culpando, tá legal! É só que eu vou fazer 19 anos. Vou para a faculdade. Você tem 17. O que vamos fazer? Os nossos pais vão nos matar. - Ele senta na cama leva as mãos ao rosto. - Como isso foi acontecer, estamos sempre usando camisinha. - me sinto culpada por estar stressada com ele, Café tem tanta experiência quanto eu, não sabíamos das consequências assim tão rápidas.
- Na primeira vez... Não tinha camisinhas, estávamos empolgados e rolou sem. - digo agora mais calma.
- Mas... Foi uma única vez, essas coisas não são assim. Bom eu acho que não, a prima da minha mãe está tentando a 10 anos ter um bebê. - está frustrado.
- Olha vamos fazer o teste, pode ser que eu só esteja doente mesmo, e esses sintomas não sejam nada de mais. - me ajoelho na sua frente - Vamos só confiar que nada disso é real e seguir.
- É, essas coisas acontecem o tempo todo. A prima da minha mãe todo mês achava que estava grávida. Mas nunca estava. Essas coisas demoram. Ela tentou por anos. Fez um monte de exame e procedimentos médicos para conseguir. E ainda não tem um bebê. - ele se anima um pouco, eu queria estar tão confiante também.
- É... Vai ser só coisa da minha cabeça. E finalmente vamos esquecer esse assunto. - um fio de esperança também pode ser percebido na minha voz.
Vou para o banheiro fazer o bendito xixi no palito. Assim que termina, Cae já lê as intrusões de como o exame funciona.
- Então? - eu pergunto.
- Temos que esperar 5 minutos, se aparecer duas barrinhas, positivo, uma só é negativo. - ele fala rapidamente.
- Ok, vamos esperar então. - coloco o exame na mesa e sento na cama.
Foram os 5 minutos mais longos da minha vida, a minha boca estava seca, meu coração acelerado. Cae pega o pálido.
- Então? - ele não diz nada. - Caetano fala logo. O que deu aí? - Eu estava quase estérica.
- Duas linhas... - a sua voz sai baixinha.
O choro que estava preso na minha garganta finalmente saiu de forma escandalosa. Eu estava desesperada os meus pais vão me matar, os pais dele com toda certeza vão me culpar por isso, a culpa e sempre dá mulher, o que eu vou fazer. Como vamos criar um bebê estudando fora, todos os meus planos vão ser perdidos. tudo que eu planejei vai ser substituído por fraldas e mamadeiras.
- Meu Deus, eu não posso fazer isso. Cae não dá, não podemos. Cae me perdoa eu não sabia que podia acontecer assim dessa forma, eu não fiz isso de propósito, que drog@ meus pais vão me matar! Não... - eu fico descontrolada.
- Calma bebê, tudo vai ficar bem, as coisas vão ficar bem. Nós, nos amamos, não é verdade? - apenas balanço a minha cabeça positivamente - Então é isso que importa eu te amo. Você me ama. Tudo vai ficar bem. - ele me abraça.
- Não, não vai Cae eu tenho 17 anos. Não posso ser mãe agora. - digo chorando.
- Eu sei bebê, mas aconteceu e não podemos fazer nada. Agora é aceitar. Eu confesso que estou apavorado, mas eu sei que te amo. E que vamos ser o casal mais feliz desse mundo com a chegada do nosso bebê. - ele tenta me acalmar.
Ficamos por mais algum tempo conversando, Cae conseguiu me acalmar um pouco, por incrível que pareça depois do susto estávamos até aceitando melhor a situação. Eu sei que parece loucura, mas eu sei que Cae é o amor da minha existência. Nada vai ser fácil principalmente com os nossos pais. Mas eu sei que vamos conseguir. Porque o principal é o nosso amor.
- Vai ser um menino. Filipe. - estávamos deitados na sua cama abraçados. Ele com as mãos sobre a minha barriga brincando com ela.
- Por que você acha que vai ser um menino? - dou risada.
- Porque os meninos têm que vim primeiro para poder cuidar das irmãs depois. - ele dá um beijo na minha testa.
- Que irmãs Cae? - empurro ele.
- A nossa filha. Você não acha que vamos ter apenas um não é? Eu quero no mínimo dois. Um casal está ótimo, primeiro o nosso garotão Felipe. Depois nossa princesa, que vou deixar você escolher o nome. - dou risada. - Mais a nossa menina só vem depois que terminamos os estudos daqui a alguns anos. Não vai ser fácil com um imagina com dois. - ele fala acariciando a minha barriga.
- Você só pode ser louco. - eu me afasto dos seus braços para olhar para ele.
- Não. Bebê eu te amo. Às coisas fugiram do nosso controle e acabou que algumas coisas vão ser adiadas, mas eu te amo e quero muito ter filhos e me casar com você. Somos novos, eu sei, mas você é o meu amor e sempre será Patrícia. Não é qualquer pessoa que encontra o amor da sua vida na infância, não é mesmo? Eu jamais vou te perder, ou desistir de você.
- Eu te amo Caetano. - lágrimas escapam dos meus olhos.
- Eu te amo bebê, amo tanto que nada pode superar você na minha vida. Vamos nos casar e ter esse bebê lindo.
- O quê? - me sento na cama para olhar dentro dos seus olhos.
- E isso mesmo, Paty eu te amo, muito! Quem encontra o amor da sua vida aos 9 anos? Quais as chances disto? Não vou desperdiçar isso. Sempre foi você! Sempre vai ser você o grande amor da minha vida, casa comigo bebê? - as lágrimas rolavam cada vez mais pelo meu rosto. Ele pega o anel que a avó deu para ele antes de morrer. - Eu sei que não é bem um anel de noivado, mas...
- Era o anel do seu avô. A sua avó te deu ele antes de morrer. Não pode me dar esse anel. É de família. - fico admirada com o seu gesto.
- É muito importante sim! Esse anel é Importante como você na minha vida, Patrícia. Eu te amei desde sempre e vou amar para sempre. Dê sempre pra sempre. Você é minha família agora, casa comigo?
- Sim! - eu estou me debulhando em lágrimas. - Sim! Mil vezes sim! Eu te amo Cae.