— Você já pode vê-la, é por ali. — Uma enfermeira falou mostrando para Marcela onde Theodora estava. — Terceira porta à direita.
Marcela seguiu para onde a mulher falou, abriu a porta e lá estava Theodora, quietinha deitada com o braço engessado.
Ficou alguns segundos em silêncio observando-a.
— Como está? — perguntou baixo.
Theodora estava de olhos fechados, mas estava acordada porque um de seus dedos estava se mexendo rapidamente.
— Com menos dor do que antes.
Marcela se aproximou de Theodora, ficando ao seu lado.
— Que bom. — Marcela falou e pegou na mão esquerda, a do braço que não estava quebrado. — Não vi você na escola essa semana, foi só hoje?
Marcela ficou olhando-a, Theodora parecia cansada.
— Sim, fui, e olha no que deu. — Mostrou o gesso, em seguida deu um sorriso. — Obrigada, meu anjo.
Theodora se sentou.
— Queria mesmo ser um anjo... Seu anjo. — falou baixo, mas o suficiente para Theodora escutar, ela adorava quando voz de Marcela saindo baixa. — E nunca deixar de ficar perto de você.
As palavras saindo antes que Marcela pudesse contê-las. Theodora sorriu.
Marcela se aproximou e Theodora também, seus olhos estavam fixos na boca da Hoff, estavam quase se beijando.
— Theodora?! — uma enfermeira, falou.
As duas se afastaram, sempre alguém para atrapalhar.
— Sim. — Theodora falou.
Marcela virou para ver quem era. Uma enfermeira loira e bem jovem.
— Seu pai está na recepção, posso manda-lo entrar? — perguntou a enfermeira.
— Pode sim. — Theodora falou ajeitando o corpo na cama.
— Então vou chama-lo. — falou.
Ela piscou para Marcela, que fingiu nem perceber, Theodora nem viu ou também fingiu não ver.
Marcela saiu do quarto e foi para recepção e ficou por lá, Perez apareceu 15 minutos depois.
— Marcela, até vai ficar parecendo que não sou um bom pai, mas não posso ficar porque meu cliente mais importante precisa de mim. — Perez falou sem graça, ele estava coçando a nuca devido ao nervosismo. — Você poderia levar Theodora para casa, por mim?
— Claro que eu levo e você não é um pai r**m. — Marcela sorriu e o abraçou de lado. — Se fosse, Theodora seria seu espelho e ela é uma ótima pessoa.
— Obrigado, Marcela! — Perez apertou um pouco Marcela. — Isso dizer que sou legal também, certo?!
— Sim. — Marcela sorriu para a brincadeira do homem.
— Ah... Muito obrigado então! — sorriu. — Tenho quer ir, tchau. — Perez falou e andou um pouco antes de se virar. — Obrigado mesmo.
— Não foi nada. — Marcela falou mais para si mesma.
Ele já tinha desaparecido de vista. Laura não foi nem para recepção, não quis entrar com Marcela, era o limite dela com o hospital.
Enquanto Marcela contava a Theodora que Laura era chatinha e não gostava de hospitais, uma enfermeira chegou.
— Acabou o horário de visita! — falou uma enfermeira velhinha.
— Ah! Já?! — Marcela falou, foi muito rápido.
— E você vai ser liberada. — falou a enfermeira parecendo irritada por Marcela ter a interrompido. Marcela sorriu amarelo, ela olhou rapidamente para Theodora que riu. — Seu responsável já organizou tudo, Theodora, você já pode ir.
Theodora se sentou gemendo um pouquinho de dor. A enfermeira se aproximou.
— Vai precisar de ajuda?
— Não precisa, meu anjo da guarda aqui dá conta. — Theodora sorriu.
— Isso mesmo. — Marcela concordou, abraçando Theodora de lado.
— Tudo bem, melhoras. — A enfermeira falou e saiu rapidamente.
Theodora ainda estava abraçada à Marcela de lado quando entraram na recepção.
— Marcela poderia pegar água para mim, por favor? — Theodora perguntou, com uma carinha fofa.
— Claro. — Marcela concordou e saiu do abraço com Theodora.
Andou até um bebedouro à 10 metros de onde estavam. Encheu três copos de água. Bebeu um e pegou os outros dois para Theodora e Ester, que com certeza a faria voltar lá falando que queria também.
— Seus olhos me chamaram muito atenção, se você quiser sair qualquer dia?! — a enfermeira loira que piscou para Marcela, falou baixinho em seu ouvido.
Seu corpo estava parado na frente de Marcela, a enfermeira colocou um papel no bolso traseiro da calça dela.
— Acho que você não faz meu tipo. — Marcela retrucou.
— Meu número está aí, se mudar de "tipo" é só me ligar — sorriu ao falar: tipo.
— Você é muito bonita, mas desculpa... — falou, Marcela afastou seu corpo e saiu em direção as meninas.
— Eu pegava. — Ester falou de imediato. Theodora não parecia nervosa. — Melhor... Eu pegaria se não fosse a Laura, antes que você fale que vai contar para ela.
Ester pegou um dos copos da mão de Marcela.
— Ainda bem que você aprende rápido, eu contaria mesmo. — Marcela falou, Ester fez careta e a Hoff fez de volta. — Aqui, Dora. — Entregou o copo para Theodora. — Ops... Theodora.
— Obrigada. — Theodora falou, seca.
— O você disse para enfermeira? — Ester perguntou.
— Que ela não era o meu tipo, simples. — Marcela respondeu pegando o papel no meu bolso e jogando fora.
Theodora estava meio emburrada.
— Você é meu tipo, Theodora. — Sussurrou no ouvido da própria.
— O que você falou? — Ester perguntou. Marcela não falou nada. — O que ela falou, Theodora? Me conta!
— Você ainda lembra meu nome, amiga abandonante?
— Abandonante teu r**o! — Ester até parou para falar. — Você que se afastou da gente.
Theodora acabou fazendo Ester esquecer o que perguntou, porque elas entraram em uma pequena discussão, o que virou uma bagunça só.
Marcela levou Theodora para casa, ela não quis entrar só perguntou se precisava de ajuda ou algo do tipo.
Perez estava em casa, o que era estranho.
— Não tinha que ir para o trabalho? — Theodora questionou, assim que o viu.
Ele tinha a visitado no horário de almoço.
— Tenho que sair da cidade a trabalho, vim arrumar algumas coisas apenas. — Ele falou meio tristonho.
— Mas pai eu queria ir na celebração do vovô! — Theodora falou com raiva.
— Eu sei, mas nem eu falando que você tinha quebrado o braço adiantou para que não precisasse ir. — Abraçou a filha. — Pergunta a Marcela se pode te hospedar de novo, voltarei no domingo. — Suspirou no final. — Ela é uma ótima pessoa, não é?
— Oh... É sim! — Theodora falou e saiu de um modo estranho.
— Como assim? — perguntou olhando para Theodora.
— Ela... Está sempre ajudando... Me ajudando no caso. — falou tentando se sair bem do que tinha falado. — E a Sofi, onde vai ficar?
— Na casa de uma amiguinha. — Perez respondeu. — Eu acho que estou esquecendo algo... — coçou a cabeça. — Depois eu lembro.
Conversaram sobre o acidente. Ligou para Laura perguntando se ela estava em casa, mas a mesma e Ester saíram para o shopping, o queria dizer que não voltaria nada cedo.
Em seguida ligou para Marcela, como o pai havia dito, a Hoff respondeu que não havia problema.
Theodora tomou banho com um pouco de dificuldade. Escolheu algumas roupas e seu pai organizou em uma mochila.
Perez a deixou em frente à casa de Demi, por volta de 4 da tarde.
Apertou a campainha e logo em seguida Marcela apareceu, estava vestida com um short de malha e um topper preto deixando exposto seu abdômen.
— Meu anjo! — Theodora falou, saindo quase como um suspiro.
Marcela pegou a mochila que estava na mão de Theodora. Entraram e pararam no corredor, logo a frente a Hoff deixou a mochila no chão.
— Você poderia parar de me chamar de anjo... — Marcela se aproximou da outra, falando de um jeito meigo.
— Mas por quê? — Theodora perguntou encostando na parede e fez um biquinho.
Marcela chegou mais perto do corpo de Theodora, quase colado ao seu.
— Eu posso passar a acreditar. — Marcela falou com sorriso sapeca. — E anjos não fazem o que eu iria fazer no hospital.
Marcela beijou o rosto de Theodora e logo sua boca.
Pressionou a latina na parede, pegou a minha mão esquerda dela e entrelaçou na sua. Sua língua queria comandar e ganhar aquela batalha que travavam. Depois levou a mão de Theodora para seu abdômen nu.
Theodora não perdeu tempo em apertar o corpo de Marcela.
Marcela soltou um gemido baixo, o ar se fez necessário. Passou a beijar o pescoço de Theodora, o chupou deixando uma pequena marca.
— Ei, que isso? Vai com calma, isso tudo é vontade reprimida? — Theodora falou de um jeito divertido, segurando o rosto de Marcela com a mão esquerda, do braço "bom".
— É que te ver desde semana passada triste e hoje... — olhos de Marcela estavam brilhando intensamente. — Se tivesse acontecido algo mais grave, não sei...
— Não pense nisso. — Theodora deu um selinho em Marcela, e a puxando para si.
— Acho que gosto muito de você... — Marcela falou sonhadoramente.
— Eu também, meu anjo. — Theodora falou e fez um biquinho.
Marcela mordeu a boca da latina, logo já estavam se beijando novamente, calmamente. Quando se afastaram Marcela olhou com uma expressão que a latina julgou ser estranha.
— Fala logo. — Theodora pediu com nervosismo evidente.
— Estou com medo da sua reação.