Kayla
Quando acordei na manhã seguinte, sorri e me virei para chegar ao seu lado da cama. Mas quando o encontrei vazio, eu
Sentei-me abruptamente.
Onde dia*bos ele estava? Esfreguei os meus olhos para limpar o sono e dei uma olhada no quarto. As roupas que estávamos na noite anterior estava espalhada no chão ao redor da cama, e percebi que o armário dele estava aberto. Ele já tinha se levantado. E se ele tivesse me deixado? Quando adormeci em seus braços na noite anterior, eu tinha certeza que ele iria acordar comigo. Eu tinha certeza de que nós nos aconchegaríamos no dia seguinte e teríamos uma manhã tranquila na cama, mas em vez disso ele desapareceu antes que eu abrisse os olhos. O que estava acontecendo? O que aconteceu de tão foi importante?
Peguei uma camiseta velha dele no armário e vesti enquanto vagava pela casa silenciosa. Foi como se alguém tivesse me puxado
a manta. Achei que finalmente chegaríamos a algum lugar depois do que aconteceu na noite anterior, depois de como ele me tratou,
como uma princesa, ele queria se exibir para o mundo. Mas agora eu sei.
Ele tinha ido embora de novo e eu não sabia onde ele poderia estar.
Até que vi um bilhete rabiscado na bancada da cozinha. Peguei e dei uma olhada. Era do Marco, ele me disse que tinham ligado para ele do trabalho, mas voltaria assim que pudesse.
Amassei-o com uma das mãos e joguei-o no lixo, indo fazer um café. Trabalho? O mesmo trabalho que passamos a maior parte do tempo fazendo?
Por que ele não me acordou para ir com ele? Eu era a mulher dele. Eu estava destinada a ser sua parceira em todas as coisas, e isso não aconteceu por tanto tempo trabalhando sob as ordens do meu pai, só para ele me deixar de lado, como se nada mais fosse do que um enfeite para sua diversão, quando era sobre negócios reais.
Tomei um gole do meu café e tentei de todas as maneiras controlar as minhas emoções, para não deixar elas me dominarem. Eu deveria saber que isso seria assim.
Ele tinha visto tantas mulheres ao longo dos anos, tantas mulheres que elas deixaram de estar no topo de suas carreiras para se tornarem nada mais do que companheiras dele. Seja neste setor ou noutro, houve tantas mulheres ao longo da minha vida que vi renunciarem ao teriam sido ótimas porque algum homem os queria mais em casa do que no trabalho.
Mas esse não seria eu. Nunca. Nem num milhão de anos. E se ele acreditasse que ele poderia escapar impune, então ele merecia outra coisa. Tentei controlar a irritação que estava fervendo no meu coração enquanto eu tomava um gole de café e esperava que ele voltasse, mas quando a porta se abriu e ele voltou, a irritação já tinha tomando conta de mim.
— Onde você esteve? Perguntei a ele quando ele entrou na cozinha.
Ele parou no lugar e olhou para mim com uma carranca confusa.
— Estive no trabalho. Deixei um bilhete para você. Ele respondeu calmamente.
Isso só me irritou mais: saber que ele conseguia ficar tão calmo quando eu sentia como se estivesse ficando louca. Ele não percebeu o quão importante foi tudo isso para mim? Ele não percebeu?
— Por que você não me acordou para ir com você? Perguntei. Ele olhou para mim por um momento.
— Porque não teve nada a ver com você.
Eu me irritei.
— O que você quer dizer com isso? Eu perguntei mais irritada.
— Era assunto de família. Coisa de família. Ele respondeu, e eu ergui as sombrancelhas.
— E você acha que eu não faço parte desta família? Eu apontei.
Ele suspirou e passou a mão pelos cabelos. — Não é assim...
— A sério? Eu respondi.
Nós dois ficamos em silêncio por um segundo. Eu o desafiei a me contradizer, me dizer que eu estava errada, agir como se eu não soubesse o que ele estava fazendo neste mundo quando eu sabia perfeitamente bem. Eu não sobrevivi tanto tempo ou chegou tão longe nos negócios de meu pai, nem conquistei minha posição como confidente e colega, aguardando e deixando que outros assumam a liderança decisões para mim.
— Você está tentando me manter fora deste trabalho. Eu disse, mantendo a minha voz o mais firme que pude. Eu não queria enlouquecer. Não, eu não queria dar a ele nenhum motivo para me interromper por ser irracional, e eu tinha certeza de que um homem como ele faria isso. Não que houvesse feito no passado, mas eu já havia conhecido homens como ele antes. Homens
que trabalhavam na sua profissão e viram em primeira mão a rapidez com que iriam rotular qualquer mulher como irracional, assim que ela ousasse expressar uma emoção.
— Estou tentando dar a você a vida que a maioria das mulheres deseja. Ele respondeu, e finalmente os seus olhos encontraram os meus. O seu tom era defensivo e eu olhei com uma carranca.
— Por que você acha que sou como a maioria das mulheres? Eu perguntei.
— Você acha que a maioria das mulheres teria concordado em se casar com você depois de m*al te conhecer?
Eu não tive resposta. Então continuei.
— Nós nos casamos porque estávamos garantindo uma aliança entre as nossas famílias. Apontei. — E essa aliança tem que me incluir. Eu não sou um peão que você pode empurrar pela mesa. Eu faço parte disso. Tenho que fazer parte das decisões que você toma e das coisas que você faz.
— Você deveria estar feliz por não precisar mais se preocupar com isso. Ele disse. — É estressante e perigoso…
— E é a vida em que cresci. Lembrei ele. — Então eu a conheço tão bem como você, lembra? E eu quero fazer parte disso. Mesmo agora. Quero participar das decisões que você toma e das reuniões a que participa. Ou isso é nada mais é do que a família Volkov assumindo o controle?
Eu não tinha resposta para isso e tinha certeza de que era porque sabia que eu estava certa. Ele não poderia esperar que eu abandonasse tudo o que eu tinha conhecido durante toda a minha vida e fingir que não vi ou que não percebi. Que não me importava. Eu entendia este mundo, o negócio. Eu entendi as pessoas que estava nele, a maneira como eles trabalharam uns com os outros e as tensões que ainda estavam presentes nesta cidade. E não importava o que ele fizesse para tentar mantê-lo longe de mim, eu não iria esquecê-lo.
— O que você quer que eu faça? Ele perguntou, levantando as mãos em confusão. — Achei que finalmente estávamos chegando a algum lugar.