capitulo 02 -O peso da ausencia

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Isabela A noite eu organizava os brinquedos quando Ricardo entrou na sala. O clima entre eles ainda carregava o peso da discussão mais cedo. __ O Lucas jantou e já tomou banho. __ Certo. Silencio. Hesitei por um segundo antes de falar: __ Ele perguntou pela mãe hoje. __ Eo que voce respondeu? -- perguntou com uma voz biaxa demais. __ A verdade. Que algumas pesssoas vivem nas lembranças, e que isso nao significa que deixaram de amar. Ele fechou os olhos por um instante. __ Não fale dela novamente. --pediu. Não foi uma ordem. Foi quase um pedido mesmo. __ Eu nao falei por mim. Falei por ele. __ Você nao entende. __Talvez não. --disse firme, mas suave. __ Mas entendo o que é crescer sentindo que perguntas não são bem vindas. Ele me encarou. — Esta casa funciona com limites claros. — Então talvez — eu disse, sem recuar — alguns limites precisem ser revistos. O silêncio se estendeu entre nós. Denso. Vulnerável. — Você ultrapassou hoje — disse Ricardo, por fim. Eu sustentei o olhar. — E o senhor se escondeu. Aquilo foi longe demais. — Você está aqui para trabalhar — disse ele, a voz endurecendo. — Não confunda empatia com i********e. — Eu não confundo — respondi. — Só não acredito que distância seja proteção. Ricardo se afastou um passo. — Para mim, sempre foi. Eu percebi algo ali. Não arrogância. Não frieza. Medo. — Boa noite, senhor Montenegro — disse, encerrando a conversa. Quando sai, ele ficou sozinho na sala grande demais. Ele passou a mão pelo rosto, cansado. Pela primeira vez em anos, se perguntou se manter tudo sob controle não estava custando mais do que perder. No andar de cima, Lucas chamou por ele antes de dormir. Ricardo hesitou diante da porta. Hesitou… e entrou. POV Ricardo Eu não devia ter entrado naquele quarto. Fiquei parado à porta por alguns segundos, observando Lucas já deitado, os olhos atentos demais para quem fingia sono. Isabela estava sentada ao lado da cama, lendo em voz baixa, o livro apoiado no joelho. Ela não me viu de imediato. A luz do abajur desenhava sombras suaves no rosto dela, e aquilo me causou um desconforto estranho. Como se aquela cena não combinasse com a casa que eu construí para não sentir. — Pai? — Lucas murmurou, percebendo minha presença. Isabela virou, surpresa contida. Não sorriu. Não se levantou. Apenas me observou, como se eu fosse uma variável instável. — Já estou terminando — disse ela, fechando o livro. — Quer continuar daqui amanhã? Lucas assentiu, mas segurou o braço dela por um instante a mais do que o necessário.Aquilo apertou algo dentro de mim. — Boa noite, Lucas — falei, tentando manter a voz firme. Ele respondeu baixo, quase um pedido disfarçado: — Fica mais um pouco. Isabela olhou para mim, silenciosa. Não pediu permissão. Esperou. Eu assenti. Ela ficou. Quando Lucas finalmente adormeceu, Isabela se levantou devagar para não fazer barulho. Eu recuei um passo para dar passagem — ou pelo menos foi isso que pensei. Ela tropeçou levemente no tapete. Instinto. Segurei seu braço antes que ela caísse. O contato foi rápido. Simples. Inofensivo. E ainda assim… intenso demais. Ela congelou. Eu também. Minha mão estava quente. A pele dela, fria. Ou talvez fosse o contrário. — Está tudo bem — disse ela, em um sussurro. Não soltei imediatamente. Havia algo naquele momento que eu não sabia nomear. Um silêncio diferente. Denso. Vivo. Soltei o braço dela como se tivesse tocado fogo. — Desculpe — murmurei, sem saber exatamente pelo quê. Ela assentiu, mas seus olhos não se afastaram dos meus. — Boa noite, senhor Montenegro. Ela passou por mim no corredor estreito. O perfume ficou no ar por tempo demais.Aquilo me irritou. — Desci para a cozinha para beber água, mas o copo permaneceu intocado na bancada. Minha mente insistia em repetir a imagem: Isabela rindo com Lucas, sentada no chão, sem esforço, sem medo. Medo. Era isso que eu sentia. — Trabalhou até tarde hoje. A voz dela me pegou desprevenido. Isabela estava encostada na porta, já com a bolsa no ombro. Pronta para ir. Sempre pronta. — É o normal — respondi. Ela caminhou até a bancada, mantendo distância. Ainda assim, a presença dela ocupava o espaço inteiro. — O Lucas gosta quando o senhor lê para ele — disse. — Não faço isso com frequência. — Eu sei. Houve uma pausa. — Por que me contratou? — ela perguntou, de repente. A pergunta me pegou desprevenido. — Seu currículo era adequado. Ela arqueou a sobrancelha. — Só isso? Eu deveria ter encerrado ali. Mas estava cansado demais para mentir. — Porque você não me tratou como alguém intocável. Ela não sorriu. — Pessoas não são intocáveis — respondeu. — Só machucadas. Aquilo acertou em cheio. — Você acha que sabe muito sobre mim — retruquei. — Não — ela disse, com calma. — Mas sei reconhecer quando alguém constrói muros altos demais para não ver o que está do outro lado. — E o que você acha que tem do outro lado? — perguntei, antes que pudesse me impedir. Ela me encarou por longos segundos. — Um homem tentando sobreviver a algo que perdeu. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. — Você não deveria dizer coisas assim — falei, baixo. — Talvez alguém precise ouvir — ela respondeu. Me aproximei um passo. Não por ameaça. Por necessidade. — Não confunda proximidade com permissão. Ela sustentou meu olhar. — Eu não confundo. Mas também não acredito que afastar tudo seja viver. Estávamos perto demais agora. Perto o suficiente para que eu percebesse o ritmo da respiração dela. Para que ela percebesse o meu. Eu recuei. — Vá para casa, Isabela. Ela hesitou. — Boa noite, Ricardo. Meu nome soou estranho na boca dela. Íntimo demais. Verdadeiro demais. Ela saiu. Fiquei ali, sozinho, com a sensação incômoda de que algo tinha mudado — não nela.Em mim. Naquela noite, não consegui dormir. A casa estava silenciosa, mas minha mente não. A imagem dela surgia sem convite. O tom firme. O olhar que não se desviava. Ela não me desafiava. Ela me enxergava. E isso era infinitamente mais perigoso. No quarto ao lado, Lucas dormia tranquilo. Pela primeira vez em anos, me perguntei se manter distância estava realmente protegendo alguém… ou apenas adiando o inevitável. Fechei os olhos. E soube, com uma clareza incômoda, que Isabela não era apenas uma babá. Ela era uma rachadura. E eu não sabia se conseguiria impedir que tudo desmoronasse.
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