Quero a Demissão

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***Vanessa*** — Moça, tem certeza que está tudo bem? — O taxista insiste na pergunta. — Não se preocupe. Só estou tendo um dia r**m — respondi para o homem que com certeza estava assustado com a forma que eu estava, mas segurar o choro não era uma opção viável naquele momento. Apesar de notar o olhar do homem pelo retrovisor, como se certificasse se eu realmente estava bem, tive um resto de viagem silenciosa. Assim que cheguei em casa, fui direto para o banheiro e me enfiei debaixo do chuveiro frio. Eu ainda estava de roupa, peruca e sapatos, mas isso não importava. Eu precisava chorar e desabei ali mesmo, com a água gelada queimando a minha pele. A minha vida tem estado um caos desde quando o Otávio começou a me perturbar, mas apesar de ser um pé no saco, isso não me abalava tanto. Mas agora era diferente... O Fernando me atrai e a gente transou... merda! Além do mais, se não fosse ele, aquele maldito bêbado teria me agarrado à força. Em um mesmo dia ele me fez experimentar a sua raiva, o seu prazer, a sua proteção e o seu ódio. É, ele me odeia, não menos do que eu me odeio por não ter conseguido dar um jeito nessa situação toda Terminei de tirar a minha roupa, lavei bem o meu rosto pra tirar toda a maquiagem e me enrolei na toalha. Era quase cinco da manhã e eu precisava descansar um pouco antes de enfrentar o meu chefe e pedir demissão. Ficar chorando não ia adiantar. *** Antes das oito eu já estava no trabalho. Apesar de estar moída, fiz questão de estar com a aparência impecável. Não gosto de expor minha i********e pra qualquer um. Eu estava com a minha carta de demissão pronta e tentei ir até o Otávio, com um ótimo discurso ensaiado, onde basicamente eu mando ele ir se ferrar com o assédio dele, mas pelo jeito estava acontecendo uma reunião emergencial de acionistas e todos os poderosos, inclusive o Rick, estavam lá. Só me restava esperar, já que eu não tinha autorização para tratar a minha demissão diretamente no RH, mais umas das manipulações do Otávio para me ter por perto. *** Assim que soube que a reunião acabou, levantei correndo e fui para a sala do Otávio e quando cheguei na recepção, a secretária dele mandou que eu entrasse, mas percebi algo estranho em seu olhar e quase desisti de entrar ali. Mas como sou uma anta, não confiei nos meus instintos e entrei assim mesmo. Eu precisava resolver isso e sumir desse lugar. — O que você quer, Vanessa? Se não for algo de urgente, conversamos outra hora — disse o Otávio e então percebi que ele não estava sozinho na sala. O Fernando estava ali e me olhou com um olhar diabólico. Acho que se pudesse, me matava, bem como a linda mulher que estava com ele. Ela parecia ser gentil, mas isso não se estendia a mim. — Desculpa por atrapalhar o senhor, não sabia que estava ocupado. Apenas vim lhe entregar a minha carta de demissão. Estou saindo agora mesmo da empresa e não gostaria de responder por abandono. Qualquer coisa adicional eu resolvo com o RH — cuspi as palavras de forma apressada. Deixei o envelope com minha carta de demissão em cima da mesa dele e me virei para sair. — E por que não resolve isso no RH como qualquer funcionário dessa empresa? Por acaso quer tratamento especial ou é algum tipo de charme? — Perguntou a mulher, que se antes eu tinha dúvidas, agora reinava a certeza de que ela era a esposa do Otávio. — Desculpa senhora, não gostaria de ter passado essa impressão, mas infelizmente, por algum motivo que eu desconheço, o RH não está autorizado a lidar com o meu desligamento da empresa. É apenas por isso que vim aqui e com toda a sinceridade, não pretendo mais voltar. — Você não vai a lugar algum — o Otávio esbravejou. — Você está afastado. O nosso filho agora é o CEO. Achei que tinha ficado claro que você não manda mais aqui, pelo menos por enquanto — a mulher respondeu ao Otávio antes que eu tivesse oportunidade de falar. — Vanessa, volte ao trabalho. Estamos em uma reunião familiar. Daqui à uma hora se apresente na minha sala. Temos pendências a resolver — o Fernando falou, dando uma brecha para eu deixar aquela sala, que mais parecia uma sessão de tortura. Eu não pensei muito e saí daquela sala percebendo o olhar dos três me queimando e então voltei para a minha mesa e comece a organizar as minhas coisas, já que eu ia embora e não queria deixar os processos e projetos desorganizados. O Fernando ainda estava instalado no meu setor e vi quando ele entrou na sala dele, então não demorei muito e pedi para entrar. — Entra — a voz grave dele ressoou e eu tive que conter um calafrio que percorreu o meu corpo. Ele era um ogro arrogante, mas eu não conseguia tirar ele da minha cabeça e por um instante eu paralisei lembrando da noite anterior, quando a gente estava atracado um no outro. — Não vai entrar? Tenho mais o que fazer — as palavras do ogro me tiraram do meu transe e então eu entrei e sem o cumprimentar entreguei o envelope com a minha carta de demissão. — Seria ótimo não olhar mais para a sua cara, mas infelizmente isso não vai ser possível — diz rasgando o papel e o jogando no lixo. — Você está louco? Não pode fazer isso! — Disse perplexa com o ato dele. — Não só posso, como vou! — O Fernando respondeu — se não acredita em mim, pode correr para o Rick. Não sei como conseguiu conquistar ele, já que nem de mulher ele gosta, mas nem ele conseguiu te proteger de mim. Você fica e a partir de amanhã vai ser a minha assistente pessoal. Esteja aqui às sete. Eu deixei a sala do lunático do meu chefe e fui correndo atrás do Rick. Se alguém sabia o que estava acontecendo e podia me ajudar, essa pessoa era ele.
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