***Vanessa***
Era difícil esconder o sorriso no meu rosto. A noite e a manhã tinham sido ótimas e apesar de saber que tudo isso era absurdamente errado, eu sabia que nos veríamos intimamente novamente e já estava animada com a possibilidade.
— Ai, que bom que você chegou! Preciso muito da sua ajuda — a estagiária do Marketing me esperava ansiosamente.
— Oi, tudo bem? Fico feliz em ajudar. O que quer que eu faça? —Perguntei pensando se tratar de algum favor de trabalho ou no máximo, deixar que ela conversasse com o Fernando sem ter agendado uma hora.
— Sei que você não é uma garotinha inocente e já deve ter visto muito isso aqui — tomou ar e falou tudo de uma vez — quero fazer uma surpresa para o Fernando e transαr com ele aqui novamente.
Percebi o meu bom humor saindo de mim e escorregando pelo meu corpo como a água de uma chuva forte, então respondi.
— Não sei como posso ajudar um homem e uma mulher transαrem. Por acaso quer que eu chame alguém que dê aulas de educação sexuαl? — Respondi, bem mais sarcástica do que gostaria que soasse.
— Muito engraçada. Eu apenas preciso entrar. O resto é comigo, já que eu sei muito bem como fazer aquele gato ficar louco e ele já está sabendo que eu viria, só queria montar uma pose sensuαl, sei lá, ficar nuα na mesa dele ou algo do tipo, mas se não der, eu espero ele chegar.
— Ele já te esperava? E quando avisou para ele? — Perguntei incrédula que ele teria esse nível de cafajestismo.
— Agora mesmo pela manhã. Quer ver a mensagem no meu telefone? — Me perguntou enquanto tirava o aparelho da bolsa e eu prontamente recusei.
— Pode ir lá, mas não mexa em nada, nenhum documento. Espero que se comporte e não me coloque em confusão — falei para a mulher que deu um pequeno gritinho de felicidade quando recebeu a permissão para colocar o seu plano em dia.
Antes de entrar na sala do Fernando, porém, ela me olhou por trás do ombro e falou:
— Por favor, coloque uma playlist para tocar e espante as pessoas aqui da recepção, pois estou pronta para um show. Vou fazer o gato gozαr até perder suas forças — e saiu com um sorrisinho de vitória. Será que ela estava tentando me provocar?
Quando vi o Fernando se aproximar, o cumprimentei cordialmente, mas bem séria. Eu era mestra em esconder as minhas emoções, mas eu estava muito irritada e não conseguia conter tudo dentro de mim. Ser simpática era praticamente impossível.
Assim que ele entrou para a sala, me sentei na cadeira da recepção. A secretária dele estava de licença, por isso eu estava a cobrindo, já que dava perfeitamente para ser a assistente dele dali.
Olhei para as minhas coxas, que ficaram levemente expostas pela forma que estava sentada e vi as marcas dele em mim.
— Idiotα, babαca! Como eu odeio esse tipo de palyboy. Minhas coxas ainda estão com as suas marcas e ele já vai ficar com outra e eu ainda vou ter que ouvir esse show de horrores — disse baixinho para mim mesma. A essa altura, eu estava parecendo uma louca conversando sozinha.
Fui tirada dos meus pensamentos, quando ouvi o telefone da recepção tocar.
— Venha até a minha sala agora — a voz grave do outro lado parecia irritada. Será que aquele doente vai me pedir favores enquanto mete com a chata? De novo?
Quando entrei na sala, vi a estagiária que não faço a ideia do nome, deitada na mesa dele, completamente nua e bagunçando toda a papelada que estava em cima para ele assinar.
Assim que a mulher me viu, ela se levantou e se cobriu — ótimo, não estava a fim de ficar vendo aquilo.
Eu sentia que o meu rosto estava vermelho, pois um calor tomava conta do meu corpo. Eu estava quase implodindo de tanta raiva.
Mas eu não devia, pois pouco depois de acordamos eu havia dispensado ele, mas não dava. O meu lado racional tinha ido para o espaço.
— Você pode me explicar o motivo de ter uma mulher pelada em cima da minha mesa de trabalho, às oito da manhã? — Ele me olhou com uma expressão séria e gelada, mas podia ver nos seus olhos que ele estava — se divertindo?
— A senhorita me disse que tinha te avisado da vinda dela e eu apenas permiti que te esperasse aqui, já que... digamos que já os vi se reunindo aqui.
— Então, além de não respeitar que eu não queria uma outra vez, mentiu para a minha assistente? — Perguntou para a mulher, que ficou mais pálida do que já era.
— Eu queria te fazer uma surpresa, gato. Achei que ia gostar — sussurrou manhosa.
— É, mas eu não gostei, na verdade, odiei. Saia daqui antes que eu reporte o seu comportamento para o seu chefe imediato.
A mulher pegou suas roupas que estavam em um canto, vestiu um sobretudo enorme e saiu para provavelmente se arrumar em outro lugar.
Assim que ela fechou a porta, o Fernando começou a se aproximar enquanto eu recuava, até que me encostou na parede e me segurou pela cintura, enquanto beijava o meu pescoço de forma provocante.
— Então quer dizer que você estava com ciúmes? Por isso o bom dia de merda que eu recebi — deu uma gargalhada que o deixava ainda mais sensual — Entenda o seu valor. Um homem que passa uma noite e uma manhã como a que eu passei, jamais se contentaria com um sexø sem graça com aquela garota — sobe a mão pela minha coxa, chegando até a borda da minha calcinha.
— Eu quero você, só você — disse enquanto se aproximava para me beijar, mas fomos interrompidos pela porta que se abria.
Ela não estava trancada, então corri para ajeitar a bagunça que o Fernando fez em mim, quando vi quem estava ali.
— O que está fazendo aqui, pai? — O Fernando falou com o Otávio.
— Vim ver como o meu filho e a minha melhor funcionária estavam se saindo juntos, mas pela forma que a garota seminua saiu daqui agora e como o seu escritório está uma bagunça, acho que não tiveram muita interação hoje.