RAFAEL SALVIATTI POINT OF VIEW “— Deixa ele, deixa ele — mesmo em meio a neblina de fúria me cobrindo por inteiro, interferindo em meus sentidos, eu ouvi meu pai dizendo. Minhas mãos trabalhavam a todo vapor, é como se seus gritos abafados pela fita na boca fossem meu combustível, me deixando cada vez mais louco para continuar enterrando-a viva.” Eu matei ela. Matei Lola Thompson. Eu sentia seu coração batendo acelerado, galopando alucinado apenas na forma como segurava seu pescoço. Senti cada batida na ponta dos meus dedos. Senti sua vida se esvair quando suas mãos se soltaram lentamente e relutantes dos meus pulsos e caíram sem força ao lado de seu pequeno corpo. Foi do mesmo jeito que com Pietra, estava imerso em um denso mar de fúria, alucinando, completamente perdido no frenesi que

