ðĨ Um mÊs depoisðĨ
ðĨ Mel ðĨ
JÃĄ tem um mÊs que inicie meu trabalho no hospital e estou amando trabalhar lÃĄ, a Marta ÃĐ uma mÃĐdica excepcional e me dÃĄ toda liberdade para que eu possa fazer meu trabalho sem preocupaçÃĩes, ela quer a recuperaçÃĢo de seus pacientes da melhor maneira possÃvel, entÃĢo eu uso as minhas tÃĐcnicas que meu velho e sÃĄbio professor Max me ensinou, como ele sempre me dizia, "querida Mel um bom fisioterapeuta usa as tÃĐcnicas modernas e um excelente fisioterapeuta usa as tÃĐcnicas modernas e as mÃĢos, elas ÃĐ que fazem o seu trabalho ser diferenciado dos demais", e assim foi nesse aprendizado que sempre foquei e graças a Deus por onde passo meu trabalho ÃĐ muito bem reconhecido.
Hoje estou de folga, mas amanhÃĢ pego o plantÃĢo as sete e como ÃĐ domingo vou aproveitar hoje e levar a Liz ao shopping pra curtirmos, assim ela nÃĢo fica tÃĢo chateada por eu ir trabalhar amanhÃĢ, termino de arrumar a casa e fazer almoço e vou atrÃĄs da minha espoleta, que estÃĄ muito quieta ao meu gosto, passo pela sala e nÃĢo a vejo, vou atÃĐ seu quarto e ela tambÃĐm nÃĢo estÃĄ, quando chego ao meu quarto e vejo-a sentadinha no chÃĢo, com o ÃĄlbum de fotografias e escuto seu choro baixinho.
-Ei docinho, o que foi?
-Por que elas tinham que nos deixar? Porque Mel? Porque a vida tinha que tirÃĄ-las de nÃģs?
-Ãs vezes a vida nos prega essas peças amor, mas pensa vocÊ tem a mim e eu tenho a vocÊ.
-Eu sei, mas ÃĐ difÃcil vocÊ nÃĢo ter uma mÃĢe a quem vocÊ possa abraçar chorar quando estiver triste, e eu nÃĢo estou reclamando de vocÊ, porque vocÊ ÃĐ a mÃĢe que eu conheço desde que ela morreu que vocÊ cuida de mim, mas eu queria que tivesse sido diferente, que eu tenho vocÊ que cuida de mim e quem cuida de vocÊ? Quem vai te dar carinho, quem vai te consolar quando estiver triste? Eu sou criança e nÃĢo sei das coisas dos adultos, por isso que eu queria a mamÃĢe e a vovÃģ aqui com a gente, pra cuidar de nÃģs duas.
-Eu tambÃĐm meu amor, mas nÃĢo foram esse os planos de Deus, entÃĢo temos que nos conformar e nos unirmos e uma cuidar da outra, dÃĄ o carinho e a atençÃĢo quando precisar, eu estou aqui pra vocÊ e vocÊ estÃĄ pra mim.
-Eu te amo Mel, vocÊ ÃĐ a irmÃĢ mais linda do mundo.
-Eu tambÃĐm te amo docinho, agora vem que nÃĢo te quero ver mais chorando, vamos lembra-se dos momentos felizes que tivemos com a mamÃĢe e a vovÃģ, e deixar as tristezas de lado porque de onde elas tiverem com certeza estarÃĄ olhando por nÃģs, principalmente a vovÃģ, ela nÃĢo ia gostar de te ver chorando, alegria sempre lembra?
-Lembro sim.
-Agora vamos almoçar que depois vamos passear no shopping o que acha?
-Eba! VocÊ pode comprar aquele livro que te pedi?
-Claro meu amor, agora vamos.
SaÃmos e fomos almoçar, a alegria da Liz contagia a casa e almoçamos sempre brincando e rindo, assim que terminamos ela me ajuda a organizar a cozinha.
Depois que descansamos um pouco fomos tomar banho e nos arrumar pra sairmos, assim que ficamos prontas descemos e fomos em direçÃĢo ao shopping, rodamos quase todas as lojas, assistimos a um filme e quando saÃmos do cinema levei a Liz pra comer um lanche e terminamos e seguimos pra livraria e claro que de um livro preferido se tornou trÊs, mas fiz questÃĢo de realizar seu desejo, a Liz ÃĐ uma menina esforçada na escola e nÃĢo me dÃĄ nenhum trabalho, saÃmos da livraria e fomos pra casa, a tarde jÃĄ estava no fim e a noite jÃĄ estava chegando, chegamos e jÃĄ coloquei Liz direto pars o banheiro e como sempre ela acaba me puxando junto, depois de nosso banho vestimos nossos pijamas e fomos assistir a um filme.
No meio do filme minha pequena jÃĄ estÃĄ dormindo, a pego no colo e levo ao nosso quarto, a ajeito na cama e acendo o abajur e volto pra terminar meu filme, m*l chego à sala a campainha toca, levanto e vou atender.
-Oi Mel, estava tÃĢo entediada em casa que vim ver se vocÊ nÃĢo estÃĄ precisando de uma amiga pra conversar.
-Entra e aproveita e me faz companhia jÃĄ que a Liz dormiu.
-Ai que bom vocÊ tem sorvete?
-Tenho por quÊ?
-JÃĄ que nÃĢo posso beber vou me esbaldar no sorvete.
-Pensei que estivesse de plantÃĢo hoje?
-A Marta me deixou de sobre aviso, qualquer emergÊncia eles me ligam. E vocÊ?
-AmanhÃĢ estou de plantÃĢo.
Fomos a cozinha e cada uma colocou uma grande taça de sorvete e sentamos no tapete da sala.
-A Liz dormiu cedo hoje.
-Andamos muito no shopping a tarde ela cansou.
-Ela cresceu tÃĢo rÃĄpido, nem parece à quela bolinha que corrÃamos atrÃĄs dela no parque.
-Pois ÃĐ jÃĄ estÃĄ tÃĢo crescida. Hoje eu a encontrei chorando com saudade da mamÃĢe e da vovÃģ.
-Ela deve sentir muita falta Mel, principalmente da sua avÃģ, que passava maior parte do tempo com ela.
-Eu tambÃĐm sinto Bianca e como sinto.
Ficamos ali conversando mais um tempo e claro que consegui convencer a Bianca a dormir aqui comigo, ela foi a casa e pegou seu jaleco e as chaves do seu carro e voltou, estÃĄvamos terminando de assistir o filme, quando seu celular toca, pela expressÃĢo e o tom de sua voz nÃĢo ÃĐ nada bom, assim que encerra a ligaçÃĢo a vejo suspirar.
-O que aconteceu Bianca?
-Era do hospital, tem um paciente grave vÃtima de acidente de trÃĒnsito, eu tenho que ir.
-Eu vou com vocÊ.
-Mel vocÊ estÃĄ de plantÃĢo amanhÃĢ, nÃĢo sei que horas eu volto.
-Eu nÃĢo me importo Bianca, eu vou com vocÊ. Enquanto me troco liga pra Suzy vÊ se ela pode ficar com a Liz.
Vou me arrumar e Bianca fica ligando para Suzy, assim que termino e volto a sala, as duas estÃĢo conversando.
-Oi Suzy desculpe te chamar a essa hora, mas temos que ir ao hospital.
-Sem problemas Mel, pode ir tranquila eu vou me deitar com a Liz.
-Depois eu acerto com vocÊ, qualquer coisa me liga.
-Tudo bem.
Descemos e vamos ao meu carro, como moramos perto em cinco minutos chegamos, Bianca e eu vamos direto a emergÊncia, antes de ver o paciente ela pede o histÃģrico, escuto cada palavra dita pelo mÃĐdico que recebeu o paciente.
Paciente 26 anos, vÃtima de acidente automobilÃstico, com possÃvel fratura de bacia, tÃbia e fÃbula, no momento inconsciente, necessita da sua avaliaçÃĢo para levarmos ao centro cirÚrgico.
Sigo com Bianca e quando ela vai avaliar o paciente, parece que todo sangue fugiu de seu rosto.
-Meu Deus Bianca o que aconteceu?
-Ã o Heitor! Filho da Marta.
-Ai meu Deus.
-Vou encaminha-lo ao centro cirÚrgico, preciso que vocÊ ligue e avise a ela pra mim.
-Tudo bem.
Antes de sair me aproximo para vÊ-lo.
Saio assim que as enfermeiras chegam pra encaminha-lo ao centro cirÚrgico.
Fico observando, um homem jovem, bonito, bem atraente, o que leva a ter uma vida desregrada dessa maneira, sigo pra sala de espera com uma missÃĢo nada agradÃĄvel, dÃĄ essa notÃcia a Marta, que Deus me ajude e coloque as palavras certas pra que eu nÃĢo a assuste.