O Sonho do Rejeito
Ele a rejeitou… mas o destino não aceita um “não”.
Em um sonho profundo e vívido demais para ser apenas imaginação…
Eu o vejo no jardim. Ele está tão lindo, tão forte… Corro até ele, com o coração acelerado.
— Oi, Nicolas! — minha alegria transborda; quero pular, dançar… sinto borboletas no estômago só de vê-lo.
— Abigail, o que você está fazendo aqui sozinha?
— Eu… queria te ver… Você disse que podia te ver quando eu quisesse, que só precisava pedir aos meus tios. Mas eles sempre dizem que você está ocupado. Hoje disseram que você viria para a festa…
— Sim… eu estive meio ocupado, Abigail…
— Me desculpa… eu não queria incomodar…
— Não, Abigail… é só que… não podemos nos ver. Eu…
— Nick…
— Não vá embora…
— Abi… eu preciso. Não é certo.
— Por favor, não me rejeite…
Consigo ver nos olhos dele a dor que tenta esconder. Como se amar alguém como eu fosse errado. Será que ele me acha feia? Será que não sou suficiente?
— Você é minha princesa. Quero que se lembre disso.
— Você já me disse isso…
— Mas desta vez é diferente.
— Você vai embora?
— Não, preciosa. Preciso fazer algo… mas antes… preciso que me perdoe.
— Eu nunca te odiaria. Você é meu príncipe, Nico…
— Eu, Nicolas Dalton…
— Nicolas… o que está fazendo…?
— Eu rejeito você, Abigail Jonson…
— O quê?! Nick… não!
— Como minha companheira…
— Eu… não… entendo…
— Abigail? Abi… reaja, por favor… Abi…
Esse sonho… está ficando mais real a cada noite.
E não importa o que ele diga ou faça, meu coração sempre será dele.
Mesmo que doa. Mesmo que eu acorde chorando.
Mesmo que ele me rejeite, eu o amo.
Sempre vou amar.
A imagem dele vai ficando distante… tudo começa a desaparecer… e então…
— Aaaaabiiiiiii!!!
— Abi, é hora!
— Abi, acorda!
— Abigail, você vai se atrasar!
Sinto vozes me chamando de longe, como se estivessem dentro da minha cabeça. Tento voltar ao sonho, mas gotas de água me atingem o rosto. Muitas. Está… chovendo na minha cama?!
— Ai! — pulo assustada. Minha prima Lili está ali, furiosa e com um jarro vazio nas mãos.
— Última vez que te acordo, Abigail. Você dorme como se estivesse morta!
— Desculpa, Lili… meus sonhos estão ficando reais demais ultimamente…
— Hm. Estranho mesmo, Abi.
— Eu sei…
— Corre! Já tá tarde. E meu pai vai ter um infarto se tiver que pedir desculpas por você de novo.
— Eu sei… É a quarta entrevista que chego atrasada.
Corro até o banheiro, desesperada. Quando vejo o relógio da minha mesinha… meu coração para.
— Não… não… não!
Meu tio vai me matar.
Literalmente.
Ele me avisou: se eu não conseguir esse emprego, terei que me virar sozinha. Na última entrevista, nem me deixaram terminar por causa da minha idade. Ninguém quer contratar uma “menininha” como mecânica — ainda mais vestida de rosa.
Sou Abigail Jonson. Tenho dezoito anos. E, mesmo formada com honra como engenheira mecânica e designer automotiva, as pessoas me veem como uma bonequinha frágil demais para o mundo real.
Mas hoje… hoje vai ser diferente.
Hoje eu vou conseguir esse emprego, nem que seja só para levar café. E vou provar que sou capaz. Para mim. Para os meus tios. Para o mundo.
E… talvez, para o meu príncipe dos sonhos também.
Nunca contei pra ninguém — nem pra Lili — mas ele aparece todas as noites. Um homem mais velho, forte, com olhos que me deixam sem ar. Seu cheiro, suas mãos, seu corpo…
— ABIGAIL!
— Já tô descendo, tio!
Termino de me arrumar. Escolhi um conjunto preto para parecer mais madura. Quero que me levem a sério. Não como uma menininha que brinca com carros, mas como a mulher que projeta máquinas incríveis.
Desço correndo, como sempre atrasada, e engulo o café da manhã enquanto Lili me observa com cara de “não acredito em você”.
Quando finalmente chego à garagem, meu coração bate mais forte.
Meu bebê está ali: um GT-500 que comprei sozinha depois de anos sendo garçonete. Modifiquei cada peça. Ele é meu maior orgulho.
— Vamos, bebê… hoje é o dia.
Ligo o motor e saio voando. O som do carro é música para meus ouvidos. Hoje é meu primeiro dia na Alfcorp — uma das maiores empresas automotivas do país. Meu sonho é trabalhar como engenheira lá. Mas, por enquanto, vou começar como assistente.
Ao chegar em frente ao enorme prédio de vidro… minha respiração falha.
Meu coração dispara.
É agora.
É tudo ou nada.
Mal sabia eu que, por trás daquelas portas de vidro e aço, o destino estava prestes a me atropelar… com olhos azuis e um cheiro que incendiaria minha alma.